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A EMPRESA

  Estou atrasado, engulo a asneira e nĂŁo sei porquĂȘ, penso na minha MĂŁe, no que ela diria se me visse assim nervosa. Faria um discurso sobre o "nĂŁo tens razĂ”es para estar nervosa" e eu sentir-me-ia humilhada. Afasto a ideia da mente, concentro-me no momento presente e revejo as notas para a reuniĂŁo de hoje. Apanho trĂąnsito, chego atrasada, jĂĄ estĂŁo todos reunidos na ampla sala com uma decoração pavorosa e que acho que contribui para o mau humor das pessoas presentes. Mau humor, repito baixinho e apresento como a nova Directora de Recursos Humanos, explico os objectivos que pretendo atingir, convido os presentes a apresentarem sugestĂ”es. Mas ninguĂ©m fala, instala-se um silĂȘncio pesado e decifro alguns sorrisos hostis. Dou a reuniĂŁo por terminada, as pessoas apressam-se a sair e apenas eu fico na sala, a rever os acontecimentos. NĂŁo se preocupe, diz uma voz por trĂĄs de mim e volto-me surpreendida, encontro o olhar simpĂĄtico do Director Geral, as pessoas resistem a mudanças, mas...

CASO ANTIGO FIM

  Acho que nĂŁo, observa o Sargento Bernardes, o ZĂ© do Laço tornou-se informador do Inspector, mas foi um caso pontual e pouco depois, foi morto. Averiguamos o caso e foi essa a conclusĂŁo que chegamos. Provavelmente Ă© o caso da nova vitima, uma coincidĂȘncia serem da mesma famĂ­lia, repete. O Sargento Meireles suspira, o Director jĂĄ telefonou a pedir uma actualização e ele teme que o caso seja arquivado. Mas se nĂŁo tem provas fĂ­sicas que confirmem que o TĂł do Laço foi efectivamente assassinado, terĂĄ que dar o caso como inconclusivo e volta a suspirar. Esses casos sĂŁo frustrantes, eu sei, continua o Sargento Bernardes, mas acontecem, e levanta-se, tem um compromisso a que nĂŁo pode falta. O Meireles volta lentamente para a sede, o sargento de serviço avisa-o que o Director quer falar com ele. RelĂȘ o dossier, refaz a cronologia, volta a ver as fotos, mas nĂŁo encontra nenhum elemento novo que lhe permita prosseguir a investigação. Tal como previsto, o Director pede-lhe para considerar o c...

CASO ANTIGO IV

  A Brigada de Gangues nĂŁo tem qualquer alerta assinalado para a Travessa do Laço, estĂĄ "limpa", dizem e quanto ao TĂł do Laço, ele nĂŁo tem qualquer papel relevante na organização, confirmam, estava no sĂ­tio errado Ă  hora errada, declaram. O Sargento Meireles nĂŁo estĂĄ convencido, suspira desanimado, talvez os casos nĂŁo estejam relacionados. NĂŁo, abana a cabeça, Ă© coincidĂȘncia a mais, talvez o Sargento que trabalhou com o Inspector Leandro no caso do ZĂ© do Laço o possa ajudar. Tenta novamente contactar a Cristina, mas esta tem o telemĂłvel desligado, mas o que Ă© que eu fiz? murmura enquanto procura o nĂșmero do Sargento Bernardes. Se fica surpreendido com a chamada, o Sargento Bernardes nada diz, mas aceita relutante encontrar-se com o Meireles, o cafĂ© perto da esquadra ainda existe? pergunta. Mas nĂŁo vive no Norte? estranha o Meireles, mas o Sargento Bernardes explica que Ă© o aniversĂĄrio da neta e veio para a festa, podem encontrar-se no cafĂ©. O Meireles chega cedo demais, estĂĄ ...

CASO ANTIGO III

  A Cristina estĂĄ furiosa, a Ășnica noite que tenho livre esta semana, reclama (Ă© enfermeira no Hospital Central) e tu vens tarde??? NĂŁo, nĂŁo quero saber se tens um novo caso. Podemos ir a outra sessĂŁo, sugere o Meireles, mas a Cristina abana a cabeça, jĂĄ nĂŁo me apetece, vamos para casa e pedimos take-away, responde. NĂŁo Ă© preciso ficar assim, observa o Sargento e a Cristina para, temos que estabelecer prioridades, repete, nĂŁo podemos deixar que o trabalho interfira na nossa vida privada. É a vez do Meireles parar de falar, o que Ă© que estĂĄs a sugerir? pergunta calmamente, que deixe a PolĂ­cia? Fui muito claro nesse ponto quando nos conhecemos. AliĂĄs, tu tambĂ©m! Por isso, vamos recapitular as nossas prioridades. NĂŁo hoje, declara a namorada, hoje sĂł queria estar sossegada, ter uma noite relaxada e divertida. Ainda podemos ter, diz o sargento, vĂĄ lĂĄ, Cristina, nĂŁo sejas teimosa, mas a namorada estĂĄ irritada e abana a cabeça. VĂȘ um tĂĄxi, faz sinal, murmura, vou ter com a minha irmĂŁ e e...

CASO ANTIGO II

  Chegado Ă  sede, desce atĂ© ao arquivo; solicita acesso aos casos antigos do Inspector Leandro. Todos? estranha o sargento de serviço, sim, afirma o Sargento, quero conhecer o homem, tentar perceber a forma de pensar, pode ajudar-me no caso que tenho em mĂŁos, explica. O sargento encolhe os ombros, confirma os links de acesso, era um homem muito calado, diz, sabe que deixou dinheiro para abrirem uma fundação para ajudar delinquentes a encontrarem uma carreira? NĂŁo, nĂŁo sabia, responde Sargento, mas isso Ă© interessante. Agora quero saber mais sobre o homem e sobre essa fundação. O sargento sorri, ah, e nĂŁo se esqueça do ZĂ© do Laço, acrescenta, ele Ă© uma peça fundamental para o caso. ZĂ© do Laço? repete o Meireles, a minha vĂ­tima tambĂ©m tem essa alcunha, penso que sĂŁo parentes, sabe alguma coisa? questiona, mas o colega abana a cabeça e volta a sentar-se. O Sargento ignora os comentĂĄrios jocosos sobre a nova indumentĂĄria e começa a pesquisa sobre a vitima recente. EstĂĄ tĂŁo concentrado ...

CASO ANTIGO

  PorquĂȘ? suspira o  Sargento Meireles quando lhe entregam o dossier e vĂȘ que Ă© um caso antigo. O Inspector responsĂĄvel pelo caso jĂĄ morreu, e em circunstĂąncias suspeitas dizem as mĂĄs lĂ­nguas e o sargento reformou-se e vive algures no Nordeste Transmontano. PorquĂȘ? repete o Sargento, mas nota que o nome da vitima de outrora Ă© parecido com o do caso actual; tambĂ©m foram mortos da mesma maneira e coincidĂȘncias, nĂŁo, nĂŁo fazem parte do quotidiano de Meireles. Por isso, relĂȘ os dois dossiers cuidadosamente, toma notas, faz uma lista de testemunhas e decide falar com o mĂ©dico-legista. HĂĄ realmente pontos em comum, diz o Dr Bastos, com um ar sĂ©rio. NĂŁo deve ter mais que cinquenta anos, pensa o Meireles, mas  parece mais velho, talvez por estar jĂĄ careca e usar uns Ăłculos antiquados e falar pausadamente.  Mas? incentiva o Sargento e o mĂ©dico continua, este Ășltimo caso, e aponta para a mesa onde a nova vitima estĂĄ deitada, Ă© um pouco mais cruel.  Aguardo ainda o resulta...

OS AMANTES FIM

  “ Oh, Manuel, tem visto o Joaquim?” pergunta o Vicente. “ Sim, vem cĂĄ todas as manhĂŁs tomar cafĂ©. TambĂ©m aparece Ă  tarde, mas Ă© raro. Passa-se alguma coisa?” o Tio Manuel nĂŁo resiste Ă  curiosidade. “ NĂŁo, nĂŁo. Queria trocar umas impressĂ”es com ele sobre um novo programa informĂĄtico. Se o vir, Manuel, diga-lhe para me telefonar, ok?” e com um sorriso, o Vicente despede-se e sai. “ Programa informĂĄtico? Que desculpa tĂŁo esfarrapada! ” concluo enquanto pego na mochila para me ir embora “ Desconfias de alguma coisa como eu!” remato, triunfante. No dia seguinte, temos sorte e o Filipe apanha o autocarro por um triz.  Uma hora mais tarde, manda-me um SMS a dizer que a Catarina deve estar atrasada e que o Joaquim estĂĄ a ficar impaciente. “ Tem calma! “ escrevo “ Fica perto deles e tenta escutar o que dizem.” e aguardo pelas novidades, tambĂ©m impaciente. O tio Manuel nota e repreende-me: “Oh, JoĂŁo, onde estĂĄs com a cabeça? Leva esse cafĂ© antes que fique frio! Estes adolescentes sĂŁo ...