Francesca Albanese alerta: Israel pode aproveitar a remoção dos escombros para ocultar o genocídio
A relatora da ONU para a Palestina, Francesca Albanese, alerta que a remoção em grande escala dos escombros em Gaza poderá apagar provas de crimes de guerra, crimes contra a humanidade ou genocídio. A FLP afirmou que Israel já o está a fazer. O poder sionista acrescenta crimes a crimes: profana com bulldozers os cadáveres de palestinianos que assassinou. Como diz Francesca Albanese, trata-se de uma “reconstrução” de Gaza condicionada ao apagamento do seu passado e das provas necessárias para garantir justiça às suas vítimas.
Gaza silenciosa
O imperialismo EUA decidiu subir mais um degrau na escalada de agressão contra Cuba que sustenta há mais de seis décadas. O objectivo é abertamente genocida: um bloqueio que mata, privando de alimentos, medicamentos, energia. Como uma “Gaza silenciosa”, na expressão do Presidente Diaz-Canel. Um dos países com melhor assistência médica do mundo vê aumentar a mortalidade infantil por impossibilidade de assistência, vê milhares de cirurgias não realizadas devido aos cortes de energia, vê toda a ordem de dificuldades de abastecimento. Por muito silencioso que possa parecer. Um massacre é um massacre. Apenas a solidariedade, material e política, de todos os povos do mundo face à ilha heroica poderá deter a criminosa agressão ianqui.
Naciona… quê?
Pululam “nacionalistas” na direita mais ou menos extrema. Sempre tão aguerridos contra as alegadas “portas abertas” aos imigrantes pobres vindos da Ásia, de África ou da América Latina, perdem a voz quando se trata dos “investidores” norte-americanos, franceses ou alemães, que especulam com a habitação e a tornam praticamente inacessível à generalidade das famílias portuguesas. E nem um pio se ouve desses lados (e não, não falamos só do Chega) para criticar o saque anual de milhares de milhões em lucros, dividendos e transferências para off-shores – riqueza essa, nunca é de mais sublinhar, produzida em Portugal e sobretudo por portugueses. Como conciliar todo este “nacionalismo” com a defesa acérrima que fazem da entrega da TAP a multinacionais? Por mais piruetas discursivas que dêem, integram-se bem na seita “nacionalista” dos vende-pátrias.
EUA: crise e contradições
Há hoje uma indesmentível popularidade do socialismo nos EUA. Dizem-no sondagens de opinião e resultados eleitorais concretos de candidatos DSA (Socialistas Democráticos da América) que se integram no Partido Democrata, cuja direcção lhes é hostil. Direcção que é altamente especializada em cooptar seja que tendência “progressista” for. Mas a crise actual é talvez demasiado profunda. Dentro do PD, dentro dos DSA, dentro da classe trabalhadora, dentro dos EUA, dentro do capitalismo e dentro das cabeças dos trabalhadores, freme um burburinho de forças enfrentadas e contradições insanáveis que só nos garantem uma coisa: tudo está a mudar porque tudo tem de mudar. Quem achar que já sabe como isto termina lembre-se: a História tem mais imaginação do que nós.
Trump pondera aumentar a pressão para forçar a capitulação iraniana
Ao que consta, Trump gostaria de utilizar a arma atómica contra o Irão, mas há gente responsável que o desaconselha de cometer um tal crime. Assim, por enquanto, a estratégia voltou-se para forçar a derrota do Irão por meios económicos. O secretário do Tesouro dos EUA, Bessent, insiste que a situação económica do Irão é catastrófica e que as medidas que preconiza o derrubarão. Mas pode estar a cometer vários e muito importantes erros de avaliação. Não só é pouco credível que novas sanções venham a provocar o efeito que décadas de sanções anteriores não conseguiram, como pode bem acontecer que estas venham a acelerar o movimento de muitos outros países no sentido de procurar uma segurança económica distanciada do dólar.
Nova escalada no ataque à Segurança Social (II). Denunciar e esclarecer o que tentam esconder.
Jorge Bravo, a comunicação social e o governo tentam esconder e desviar a atenção de dois instrumentos essenciais da mudança estrutural dos actuais sistemas de pensões: a “conta virtual” e o “mecanismo automático de reequilíbrio dos sistemas da Segurança Social e da CGA”, em que no caso de desequilibro se reduziria a valorização dos direitos dos trabalhadores e das pensões. Tudo têm feito para tentar diluir o justificado alarme suscitado pelo Relatório: que está em discussão, que nada mudou, etc. Mas tudo indica que está já a ser construída a infraestrutura informática que poderá ser utilizada para implementar esta nova tentativa de destruição do sistema de Segurança Social actual.
A luta para defender a Segurança Social e a CGA vai ser difícil e longa, dada a sua complexidade. Mas é agora que começa.
A alimentar o inimigo: como a obsessão de Washington com o Irão subverteu a sua própria guerra contra o terrorismo sunita
Uma cuidada síntese sobre a alargada utilização pelos EUA do terrorismo islâmico como arma. Processo que vem de décadas antes da alegada “guerra global contra o terrorismo” após o ataque às Torres Gémeas em 11 de Setembro de 2001: do Afeganistão à Chechénia e à Bósnia, era já uma engrenagem idêntica, devidamente treinada, financiada e telecomandada que surgia no terreno. Para sucessivas presidências EUA, grupos terroristas só o serão se atacarem interesses ou cidadãos EUA. Se se voltam contra quem os EUA querem atacar, não só deixam de o ser, como são recebidos de braços abertos na Casa Branca.
Nova escalada no ataque à Segurança Social tal como existe e é definida na Constituição de República
O relatório do Grupo de Trabalho para a Reforma da Segurança Social acabou por ser divulgado (18/8/2026). Corresponde em tudo ao que a sua composição fazia adivinhar: encomendado pelo governo AD, foi presidido por Jorge Bravo, um conhecido consultor da associação de fundos de pensões privados, a APFIPP, com evidentes conflitos de interesses com a Segurança Social. Contém 3 medidas estruturais que visam claramente destruir o sistema da Segurança Social tal como actualmente existe e é definido na Constituição de República, e estas são acompanhadas de outras medidas para complementar as anteriores, em que a maioria visa claramente ocultar/disfarçar os efeitos estruturais potencialmente destrutivos daquelas 3 medidas e alimentar a campanha gigantesca de engano que está em curso.
Por que razão o bloqueio de Trump não pode transformar o Irão numa ilha
O bloqueio EUA do Canal de Ormuz devastou, de facto, a maior via através da qual o Irão obtinha moeda forte – ou petroyuans. Mas não reduziu – nem pode, geograficamente, reduzir – o Irão a uma ilha, uma vez que o Irão continua a ligar-se a leste, norte e sudeste através de redes terrestres, ferroviárias e de mares interiores. O bloqueio causa danos globais, que tocam igualmente os EUA, mas Trump prossegue a sua irracional escalada de ameaças (agora também contra o Omã), e o Irão assume que a sua actuação deixará de ser apenas defensiva. A agressão sionista/imperialista acelera o caminho da crise global que desencadeou.
A repetição por parte de Netanyahu do «embuste das armas de destruição maciça do Iraque» – relançado para promover a guerra contra o Irão
É cada vez mais evidente o fracasso da ofensiva Israel/EUA contra o Irão. Parece verificar-se o inverso em relação a todos os objectivos mais ou menos abertamente assumidos (vitória militar, mudança de regime, regresso do Irão à situação de colónia, definitiva hegemonia sionista na região e mais além). E é também evidente como a agressão conjunta assentou numa massiva operação de desinformação e mentira ao mais alto nível. O Mossad terá nisso papel destacado, mas não haverá que ignorar o papel central do lobby sionista nos EUA. O fanatismo não é bom conselheiro.
O vergonhoso estudo da ERSE sobre o mercado de combustíveis, para justificar a não intervenção do Governo
A ERSE publica em Agosto um estudo sobre o mercado de combustíveis. Quer concluir que o mercado português de combustíveis é plenamente concorrencial e que as margens dos grandes operadores são normais. E com isso contraria dados do próprio estudo, que mostram um mercado grossista estruturalmente muito concentrado e totalmente dominado pelos grandes grupos económicos; que os grandes operadores são verticalmente integrados; que as quotas exactas são escondidas; que o IHH exacto não é publicado; que a concentração retalhista é erradamente calculada; que existem inconsistências nos próprios dados dos postos; que o chamado Preço Eficiente fica sistematicamente acima dos preços efectivamente praticados, o que prova que aquele preço de referência que a ERSE utilizou está claramente sobreavaliado não servindo para fazer a avaliação sobre se os preços fixados pelos operadores são ou não abusivos. Uma “entidade reguladora” ao serviço das gasolineiras.
O Irão alterou a questão
O próximo acordo no Médio Oriente não será duradouro se se assemelhar a um documento de rendição. Terá de abordar a contenção nuclear, as mobilizações militares estrangeiras, o acesso marítimo, as sanções, os mísseis e a não-agressão mútua como partes de um único problema de segurança. A conquista do Irão não é ter resolvido esse problema. É o facto de, após décadas a ser forçado a responder ao questionamento de Washington, ter obrigado a região a considerar uma questão diferente. A questão já não é apenas o que o Irão deve ceder. É o que todas as potências (incluindo os Estados Unidos) devem estar preparadas para negociar.

Passa no dia 2 de Agosto o centenário de Miguel Urbano Rodrigues, fundador e editor de odiario.info
Chegou-nos a dolorosa notÍcia do falecimento de Jean Salem. Deixa-nos assim um ser humano excepcional, um dos grandes filósofos marxistas do nosso tempo, um combativo revolucionário cuja penetrante inteligência abarcava todas as expressões do que é humano. Alguém que, reflectindo profundamente acerca da felicidade sabia que ela é, em última análise, inseparável da ideia de revolução. De alguém cuja coerência e inteligência de pensamento e intervenção tinham granjeado admiração e respeito em todo o mundo. Um grande amigo de odiario.info.
Passaram a 10 de Janeiro 50 anos sobre a 1ª edição do jornal “O Diário”. Publicou-se entre 1976 e 1990.

Esta intervenção foi feita há 14 anos. Mas será hoje porventura ainda mais significativa e relevante do que na altura em que foi feita. Os movimentos internacionais em defesa da Paz já contam um século de corajosa intervenção. E as razões da sua existência e da sua acção não fazem mais do que acumular-se. Os conflitos armados – em que se destaca o crescente empenho e agressividade belicista do bloco EUA-NATO-UE – atingem uma escala comparável Í dos que antecederam a última guerra mundial. A causa da Paz não é apenas a de um mundo sem guerra. É a de uma humanidade com futuro.
Aproxima-se o dia do 120º aniversário do nascimento de Bento de Jesus Caraça. Mas não será nunca necessária uma data redonda para evocar esta extraordinária figura de intelectual, de cientista, de combatente pela democracia e a liberdade nas duras condições do Portugal fascista. Caraça permanece um alto exemplo do intelectual que vê na emancipação dos trabalhadores e do povo simultaneamente condição e consequência do desenvolvimento da ciência, da cultura e da arte.



