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sábado, 12 de setembro de 2026

CAÇADORES PAGOS POR ABATEREM JAVALIS

  • Governo vai pagar a caçadores por cada javali abatido, para travar prejuízos na agricultura. Fonte.
  • A Chemours, a DuPont e a Corteva chegaram a um acordo no valor de 455 milhões de dólares com a Carolina do Norte e 11 entidades locais relativamente a queixas de contaminação por PFAS associadas à fábrica «Fayetteville Works» da Chemours e a outras descargas históricas. Fonte.

BICO CALADO

  • Isto de entrentar pela frente tem muito que se lhe diga. Está claramente visto.
  • Cristiano Ronaldo no vermelho: 29 empresas e prejuízos de 264 mil euros. P1.
  • A fiscalidade nos combustíveis é um escândalo nacional. P1.
  • ERC: três asnas e dois jumentos confundem associação com causalidade. Pedro Almeida Vieira, P1.
  • A imprensa israelita publicou três revelações significativas sobre o holocausto de Gaza, relatando (1) que Benjamin Netanyahu ocultou o facto de ter conhecimento prévio do ataque do Hamas a 7 de outubro, (2) que Israel rejeitou uma proposta do Hamas para libertar todos os reféns civis imediatamente após 7 de outubro e (3) que, segundo um operador de drones das Forças de Defesa de Israel (IDF), as forças armadas israelitas estavam a disparar intencionalmente contra civis em toda a Faixa de Gaza durante as suas operações no território palestiniano. Caitlin Johnstone, Substack.
  • O presidente dos EUA, Donald Trump, prometeu enviar a cada adulto norte-americano um cheque no valor de 5 000 dólares, caso os republicanos mantenham o controlo do Congresso nas próximas eleições intercalares. Fonte.

LEITURAS MARGINAIS

CONCLUSÕES SOBRE O NOVO RELATÓRIO DA ONU
Ayana Elizabeth Johnson, Substack. Rev. O’Lima

(...)

Em breve ultrapassaremos os 1,5 °C de aquecimento global.

De forma contundente, o relatório começa com: «Não há cenários favoráveis com um aumento da temperatura global superior a 1,5 °C.» E explicam: «Mesmo num cenário otimista baseado nos atuais compromissos dos governos (implementação total de todos os planos nacionais para o clima, além do cumprimento de metas adicionais de emissões líquidas nulas), o aumento máximo previsto da temperatura situa-se nos 1,8 °C [3,2 °F].»

Deixam também claro que «os compromissos climáticos nacionais estão longe de ser suficientes» e que «a implementação dos compromissos existentes é fraca». Isto é, estamos a caminhar para um aquecimento superior a 2,0 °C, a menos que ocorram mudanças radicais. Uma situação extremamente insegura e instável. Entretanto, «muitas das premissas de planeamento existentes já não se sustentam. As políticas, as instituições, os sistemas financeiros e de planeamento foram concebidos com base em pressupostos de mudança gradual e de relativa estabilidade climática», etc.

A remoção de dióxido de carbono (CDR) não nos vai salvar.

A CDR (plantação de árvores + algumas tecnologias muito mais avançadas que ainda não foram comprovadas em grande escala) é um dos principais focos deste relatório, mas o PNUA é muito claro ao afirmar que não se trata de uma solução milagrosa. E certamente não é um «livre trânsito» para continuarmos a queimar combustíveis fósseis. Nas suas próprias palavras: «Em termos gerais, mesmo uma expansão otimista da CDR dificilmente conseguirá reverter a tendência de aumento da temperatura para além de algumas décimas de grau neste século. Isto sublinha a importância de nos concentrarmos na redução das emissões de gases com efeito de estufa agora.»

O relatório é firme na sua posição de que a CDR é uma componente necessária, mas certamente não se trata de um «Viva a CDR!», como os tecnólogos poderiam sentir-se tentados a interpretar. Em vez disso, o relatório afirma que poderá ajudar um pouco, mas que precisamos de ser muito cautelosos. Há uma grande ênfase na necessidade de uma governação «cuidadosa» e «a longo prazo», algo que, definitivamente, não temos em vigor neste momento.

Os combustíveis fósseis têm de desaparecer.

Historicamente, os documentos da ONU têm evitado abordar a necessidade de eliminar gradualmente os combustíveis fósseis, sem conseguir que todos os países membros concordem com essa formulação. Por isso, receava que este relatório fosse fraco nesse ponto. Mas, embora eu tivesse utilizado uma linguagem mais agressiva, o texto é firme e inequívoco: «A transição para longe dos combustíveis fósseis é, portanto, um investimento fundamental na resiliência e no bem-estar público.» O relatório aprofunda este ponto: «Evitar o “lock-in” do carbono nas infraestruturas é fundamental para este esforço. Os investimentos em infraestruturas de longa duração e de elevadas emissões, tais como centrais elétricas a combustíveis fósseis, sistemas de transportes e instalações industriais, podem limitar as futuras reduções de emissões e prender os países em trajetórias de elevado carbono. Só as infraestruturas de combustíveis fósseis existentes e planeadas poderiam exceder em 120 % as emissões de CO₂ compatíveis com o objetivo de 1,5 °C em 2030.»

Ou seja, acabem-se os oleodutos de combustíveis fósseis, acabem-se as centrais elétricas a combustíveis fósseis. Referem que «a redução da procura é uma peça importante do quebra-cabeças» e que «a redução do metano e de outros gases com efeito de estufa superpotentes e de vida curta é fundamental». De facto.

E depois... apelam a uma revolução: Acelerar a revolução das energias renováveis é crucial. Do lado da oferta, os cenários de «overshoot» limitado sugerem aumentar a quota das energias renováveis para 60–70% da produção global de eletricidade até 2030, apoiada pela expansão da rede, pelo armazenamento e pela flexibilidade da procura. Estas são PALAVRAS FORTES por parte das Nações Unidas.

Precisamos de resolver os problemas da agricultura.

A agricultura é afetada pelas alterações climáticas, ao mesmo tempo que constitui um dos principais fatores que as impulsionam. Este relatório aborda a agricultura de forma superficial, centrando-se na importância de «reduzir as emissões de metano “difíceis de abater”, particularmente as provenientes da agricultura». O relatório é pouco enfático quanto à necessidade de uma transição para dietas à base de vegetais («Mudanças na alimentação poderiam reduzir significativamente as emissões e libertar terras para o sequestro de carbono») e, curiosamente, não menciona o uso de combustíveis fósseis pelo setor nem o impacto da pecuária no desmatamento. Por isso, permitam-me complementar com alguns factos essenciais:

A agricultura é responsável por, pelo menos, 90 % da desflorestação tropical.

O sistema alimentar industrial é responsável por 33 % da poluição global por gases com efeito de estufa, sendo cerca de metade desse valor proveniente da produção de carne e lacticínios, que utiliza mais de um terço das terras habitáveis a nível mundial.

A agricultura industrial levou à libertação de mais de 133 mil milhões de toneladas métricas de carbono presente no solo. Grande parte da camada superficial do solo dos EUA perdeu entre 30% e 50% da sua matéria orgânica nos últimos 100 anos.

Só os fertilizantes azotados sintéticos (112 milhões de toneladas por ano) são responsáveis por 2,1% das emissões globais de gases com efeito de estufa.

Esta questão merece muito mais atenção.

Precisamos de investir fortemente na adaptação.

O segredo já foi revelado. Os fenómenos meteorológicos extremos já estão aqui. Os elementos de ponto de viragem correm o risco de atingir esse ponto. «O desencadeamento de elementos de ponto de viragem pode conduzir a alterações irreversíveis. A possibilidade de reduzir os riscos a longo prazo em componentes do sistema terrestre de resposta lenta, através da reversão do aquecimento global, é especialmente relevante para os elementos de ponto de inflexão — sistemas em grande escala que podem sofrer alterações irreversíveis assim que forem ultrapassados limiares críticos. Estes incluem as camadas de gelo da Antártida Ocidental e da Gronelândia, a AMOC e o sistema clima-biosfera da floresta amazónica.»

Por isso, não podemos concentrar-nos apenas na redução das emissões (embora também seja realmente necessário fazê-lo); precisamos igualmente de investir fortemente na construção de um mundo capaz de lidar com a nossa nova e em evolução realidade climática. Apelam a uma «adaptação transformacional», que requer «uma adaptação que altere os atributos fundamentais de um sistema socioecológico em antecipação às alterações climáticas e aos seus impactos — uma reorganização fundamental e abrangente de todo o sistema que vai além da tecnologia e das estruturas económicas, estendendo-se a paradigmas, objetivos e valores, e que aborda os fatores subjacentes ao risco climático de forma inclusiva, reforça a capacidade de lidar com os impactos futuros e de recuperar deles, e protege contra resultados de adaptação inadequada, agora e no futuro»

Por outras palavras, «Em vez de depender de ajustes faseados, a adaptação deve abordar os fatores subjacentes à vulnerabilidade e apoiar uma mudança transformacional.» Isto pode parecer-lhe insípido, mas pode ser a coisa mais radical que já li da ONU.

Resumindo

Em muitos aspetos, este relatório não traz grandes novidades para quem tem vindo a acompanhar a ciência e as políticas climáticas a nível global. Há muito que se considera quase certo que se ultrapassará o limite de 1,5 °C, e há muito que o objetivo tem sido minimizar o aumento da temperatura global e a consequente desestabilização dos ecossistemas e proliferação de fenómenos meteorológicos extremos. A ONU também tem sido clara, desde há muito, quanto às implicações desta situação em termos de justiça e responsabilidade: «Os países com maior responsabilidade histórica pelas alterações climáticas e maior capacidade para as enfrentar devem agir com maior determinação e rapidez.»

Este relatório é tão contundente e tão claro. (É realmente muito fácil de ler, não hesitem em lê-lo.) Não só os cientistas nos têm alertado, repetidamente e em pormenor, como também têm vindo a apresentar continuamente planos de ação para evitar a catástrofe. Este relatório é mais um desses planos de ação. É preciso dar crédito a quem o merece.

E atribuir a culpa a quem a merece.

As empresas de combustíveis fósseis, obviamente. (Sinceramente, não faço ideia de como é que aqueles executivos conseguem dormir à noite.) E já dei a minha opinião sobre o agronegócio.

E ainda:

Grandes bancos: desde que o Acordo de Paris foi assinado em 2015, 60 bancos concederam 7,9 biliões de dólares em financiamento a empresas de combustíveis fósseis, tendo só os quatro maiores bancos — JPMorgan Chase, Citi, Wells Fargo e Bank of America — concedido mais de 1,64 biliões de dólares.

Grandes empresas tecnológicas: os centros de dados de IA estão a consumir imensa, e a frenética construção que se verifica não quer esperar que passem a ser alimentados por energia limpa. Na sua newsletter, Bill McKibben referiu uma análise da Bloomberg segundo a qual «a construção prevista do centro de dados irá aumentar as emissões de gases com efeito de estufa do setor da eletricidade em, pelo menos, vinte por cento, e talvez até um terço.»

E, tal como Emily Atkin relatou na HEATED, «o problema climático da IA é pior do que pensávamos», porque: as emissões resultantes da utilização da IA pela indústria dos combustíveis fósseis são provavelmente muito superiores às emissões geradas pelo consumo energético da IA no seu conjunto. Mais concretamente, descobriram que a utilização da IA pelas grandes petrolíferas para produzir mais petróleo e gás poderia gerar 3,3 a 13,3 vezes mais poluição climática do que o consumo energético dos centros de dados da IA.»

Entretanto, Elon Musk voltou subitamente a preocupar-se com as alterações climáticas, mas também afirma, de forma absurda, que não precisamos de nos preocupar com isso durante 50 anos e diz que vai resolver o problema com satélites... catapultados a partir da Lua. Mais uma manobra desonesta para ganhar dinheiro.

Estes postes foram escritos na mesma semana em que o aquecimento do nosso planeta derreteu o permafrost que mantinha um glaciar no seu lugar no Nepal e no Tibete. O colapso causou tantas mortes e tanta devastação. Uma injustiça climática, se é que alguma vez houve uma.

O que me leva a…

Grandes bilionários: Há dinheiro suficiente no mundo para resolver esta crise. É necessário investimento governamental, claro. É necessário eleger políticos empenhados em soluções climáticas e que não tenham medo de responsabilizar as empresas. (Além disso, acabem com o «Citizens United»!) É necessário pôr fim aos investimentos especulativos desenfreados em IA. (A vossa resistência aos centros de dados está a dar frutos, não desistam!). É necessário que os megamilionários deixem de acumular riqueza e de comprar mega iates. Neste momento, a nível global, apenas 2% do financiamento filantrópico é destinado ao clima — nos EUA, apenas 0,5%. (Tributem os ricos!) Podemos financiar a revolução e a transformação.

(…)

quinta-feira, 10 de setembro de 2026

AÇORES: ORGANIZAÇÃO DO FESTIVAL DE MÚSICA ABANDONA RESÍDUOS


O Bloco de Esquerda  formalizou uma queixa junto da Inspeção Regional do Ambiente devido à presença de grandes quantidades de resíduos abandonados na zona da praia do Monte Verde, no concelho da Ribeira Grande. A denúncia surge cerca de um mês após a realização do festival de música naquele local, registando-se a permanência de plásticos dispersos pelo recinto e amontoados de materiais no extremo leste da praia.


EUA: MISSISSIPPI NÃO GARANTE O DIREITO À ÁGUA POTÁVEL

  • Tribunal de recurso indefere ação judicial movida por residentes de Jackson que alegavam que a água potável contaminada violava os seus direitos. O tribunal decidiu que a Constituição federal não garante o direito à água potável. FonteMais um caso de racismo ambiental, uma vez que a região é de maioria negra. Já o antigo CEO da Nestlé defendia o mesmo.
  • A Pensilvânia multa a Shell em 15 milhões de dólares por poluição causada pela fábrica de plásticos do Condado de Beaver. Fonte.

BICO CALADO

  • “(…) um membro do Governo pode ter opiniões, naturalmente. Pode expressá-las politicamente, em conferências de imprensa, no Parlamento, em entrevistas ou nas suas próprias redes sociais. Não faltam lugares e momentos para se expressar. O que não pode, ou pelo menos não deveria, é ocupar regularmente espaço editorial na comunicação social para comentar a atualidade política enquanto exerce funções governativas. Muito menos quando esse membro do Governo é precisamente o responsável político pela tutela da comunicação social. Não é uma questão de censura, nem de liberdade de expressão. É uma questão de bom senso, de separação de papéis e, sobretudo, de aparência de imparcialidade. Quem tem a responsabilidade política de tutelar a comunicação social deve ser particularmente cuidadoso para não transformar essa posição numa espécie de lugar privilegiado de comentário sobre a própria realidade política que integra. (…)” Pedro Arruda.
  • CONTOS DO ESQUECIMENTO - Documentário. Argumento e realização: Dulce Fernandes. RTP2, 27 de agosto de 2026, 22h53. O papel de Portugal no tráfico transatlântico de africanos escravizados. Achados arqueológicos recentes em Lagos, no sul de Portugal, revelaram o passado esquecido do papel de Portugal no tráfico transatlântico de africanos escravizados. Numa manhã quente de verão em 1444, na aldeia piscatória de Lagos, no sul de Portugal, foi desembarcado um grupo de pessoas africanas. No campo junto ao porto, foram entregues como escravos aos nobres e comerciantes locais. Durante os 400 anos seguintes, mais de seis milhões de africanos seriam traficados em navios portugueses para a Europa e para o outro lado do Atlântico. Numa tarde chuvosa de inverno de 2009, em Lagos, arqueólogos que escavavam o local onde estava a ser construído um parque de estacionamento subterrâneo, começaram a encontrar esqueletos humanos. Trabalhando no local durante os cinco meses seguintes, enquanto o parque de estacionamento estava a ser construído à sua volta, os arqueólogos descobriram os esqueletos de 158 homens, mulheres e crianças africanos escravizados. Os seus corpos tinham sido depositados numa lixeira do século XV. Entrelaçando estas duas histórias, Contos do Esquecimento cruza histórias de violência e brutalidade do passado com imagens e sons do presente.
  • Donald Trump afirmou que irá pedir aos países europeus que reembolsem os EUA pela ajuda militar e pelas munições anteriormente enviadas à Ucrânia, e pareceu insinuar que as vendas aos países aliados seriam suspensas. Fonte.
  • O Procurador-Geral da Ucrânia demitiu-se. É acusado de encobrir centros de chamadas fraudulentos que roubaram milhares de milhões a idosos na UE e nos EUA. Fonte.

LEITURAS MARGINAIS

A MENTIRA TEM PERNA CURTA


Entre Outubro de 1941 e Outubro de 1942, a propaganda alemã mentiu desavergonhadamente às tropas, ao povo e à comunidade internacional, asseverando que ganhara a guerra e que a Rússia estava derrotada. Da primeira vez, anunciou que as pinças blindadas estavam prestes a entrar em Moscovo. Dois meses depois, os russos empurraram-nos das cercanias da sua capital e inflingiram aos alemães a primeira grande derrota na guerra. Um ano volvido, anunciaram que Estalinegrado caíra e qwue a URSS perdera a guerra. Três meses volvidos, estes rendiam-se.

A propaganda de guerra deve assentar no equilíbrio de ouro entre a verdade e o realismo. Não deve mentir, senão em aspectos acessórios, deve preservar o essencial que garanta a credibilidade de quem a usa para infundir segurança, esperança e ânimo elevado entre os soldados da frente e a confiança da frente interna, mas, sobretudo, nunca deve correr o risco de desautorização internacional do governo que a produz. A Ucrânia tem mentido repetidamente desde 2022, movimento no qual é acompanhada e incentivada pelos ocidentais. Desde a Ilha das Serpentes, do levantamento do cerco russo a Kiev (resultado do cumprimento russo dos gorados acordos de Istambul), dos falsos massacres de Bucha e Irpin, das grandes batalhas pelas cidades do Donbas, da tão anunciada contra-ofensiva de 2023, das mil mentiras sobre o esgotamento militar russo, da iminente derrocada económica russa e do anedotário que insistia que os russos combatiam com pás, recorriam ao canibalismo, trocavam munições por víveres, a Ucrânia esgotou a sua reputação. Hoje, ninguém assisado acredita numa palavra de Zelensky e destes propagandistas atoleimados que enxameiam a comunicação social ocidental.

Tomo conhecimento do ataque devastador que hoje fez tremer Kiev. Centenas de alvos tocados, edifíos, instalações militares, unidades industriais e grandes superfícies logísticas arrasadas. Após semanas de propaganda em que nos fizeram crer que a Rússia estava a ser destruída pelos ataques ucranianos a refinarias na Rússia, a Ucrânia está desesperada. Não há luz, gás, circulação ferroviária, as estantes dos supermercados vazias. A mentira tem vida curta e quanto maior for, maior a factura de credibilidade exigirá. É aí que estamos.

quarta-feira, 9 de setembro de 2026

DINAMARCA: EÓLICA CONTESTA APOIO ESTATAL A CONCORRENTE SUECA

  • A Dansk Vindenergi, uma empresa dinamarquesa do setor da energia eólica terrestre, interpôs uma ação no Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE) contra o novo sistema de leilões de energia eólica marítima da Dinamarca. A empresa argumenta que o apoio estatal à energia eólica marítima distorce a concorrência, podendo fazer baixar o futuro preço de venda da energia eólica terrestre. A empresa sueca de energia Vattenfall já ganhou contratos para dois projetos eólicos offshore dinamarqueses. Se o processo for bem-sucedido, esses contratos poderão ser revogados, o que poderá paralisar novamente a construção de energia eólica offshore na Dinamarca. Fonte.
  • Um em cada 12 clubes de golfe em Inglaterra infringiu as regras relativas à captação de água nos últimos cinco anos. Os clubes oram apanhados a retirar água ilegalmente do meio ambiente, quer por terem retirado mais do que o permitido, quer por o terem feito fora do período autorizado. E tudo isto sem terem sido multados. Fonte.
  • Um pequeno número de agricultores está a incluir cereais perenes na rotação de culturas para reforçar a resiliência face a fenómenos meteorológicos extremos, como a seca e as chuvas intensas. Os investigadores estão a trabalhar no desenvolvimento de versões perenes de cereais anuais comuns, como o trigo, o sorgo e o arroz, mas o trabalho avança lentamente. Além disso, a adoção generalizada por parte dos agricultores constitui um desafio, uma vez que as culturas perenes não têm um rendimento tão elevado, a colheita pode ser difícil e o mercado ainda está em desenvolvimento. «Kernza» é uma das várias culturas perenes em desenvolvimento no Land Institute, em Salina, no Kansas. Fonte.
  • Várias estações de dessalinização ao longo da costa de Israel foram encerradas ou estão a funcionar com capacidade reduzida devido a uma turbidez invulgarmente elevada da água do mar, associada à proliferação de algas microscópicas. Fonte.


BICO CALADO

  • O ministro da Defesa da Estónia, Hanno Pevkur, anunciou esta quarta-feira que ia abandonar o cargo político depois de se saber que o governo usou fundos da União Europeia para comprar projéteis de artilharia para a Ucrânia a empresas sem qualquer histórico na produção deste tipo de armamento. Fonte.
  • Volkswagen vende fábrica a empresa militar israelita. Fabricante automóvel alemão assinou acordo de intenção de venda da fábrica de Osnabrück ao grupo Rafael. Componentes da “Cúpula de Ferro” israelita passarão a ser fabricados na Alemanha. Fonte.

LEITURAS MARGINAIS

O TRÁFICO DE DROGA NEOCOLONIAL E AS GUERRAS DO ÓPIO DO IMPÉRIO BRITÂNICO
Michel Chossudovsky, Substack. Rev. O’Lima.


Abuso de drogas e tráfico ilícito

Nos termos da Resolução 42/112, de 7 de dezembro de 1987, a Assembleia Geral da ONU decidiu celebrar o dia 26 de junho como o Dia Internacional contra o Abuso de Drogas e o Tráfico Ilícito, como forma de manifestar a sua determinação em reforçar as medidas e a cooperação para alcançar o objetivo de uma sociedade internacional livre do abuso de drogas.

Sensibilizar a população


A lavagem de dinheiro consiste no tratamento de rendimentos de atividades criminosas com o objetivo de dissimular a sua origem ilegal. Este processo reveste-se de importância crucial, uma vez que permite ao criminoso usufruir desses sem comprometer a sua origem.

Embora raramente reconhecido, o tráfico de drogas («legal») foi iniciado pelo Império Britânico.

Há uma continuidade. O rótulo «colonial» foi abandonado. Hoje em dia, o comércio de drogas («ilícitas») é uma operação «neocolonial» que movimenta milhares de milhões de dólares.

Os dois principais centros de produção atuais são:
  • O Afeganistão, que produz aproximadamente 90% do abastecimento mundial ilegal de ópio (transformado em heroína, morfina e produtos relacionados com opiáceos). Em 2000-2001, houve um programa bem-sucedido de erradicação de drogas, iniciado (com o apoio da ONU) e conduzido pelo governo talibã. Este programa decorreu no ano anterior à invasão liderada pelos EUA e pela OTAN, em outubro de 2001.
  • Desde a invasão e a ocupação militar, segundo o UNODC, a produção de ópio aumentou 50 vezes, atingindo 9 000 toneladas métricas em 2017.
  • A região andina da América do Sul (Colômbia, Peru, Bolívia), onde se produz cocaína.
  • O tráfico de droga é protegido por poderosos interesses financeiros, que, por sua vez, controlam os políticos latino-americanos.
  • O tráfico ilegal de narcóticos está intimamente relacionado com o caos político orquestrado e com a «mudança de regime» (por exemplo, no Peru).
Retrospectiva. O papel do Império Britânico

Historicamente, o tráfico de drogas era parte integrante do colonialismo britânico. Era «legal». O ópio produzido em Bengala pela Companhia Britânica das Índias Orientais (BEIC) era enviado para o porto de Cantão, no sul da China. A exportação de ópio patrocinada pelo Estado da Índia Britânica para a China foi, sem dúvida, a maior e mais duradoura operação de tráfico de drogas da história. No seu auge, em meados do século XIX, representava cerca de 15% da receita colonial total na Índia e 31% das exportações indianas. Para abastecer este comércio, a Companhia das Índias Orientais (EIC) — e, mais tarde, o Governo britânico — desenvolveu um sistema de cultivo altamente regulamentado, no qual mais de um milhão de agricultores por ano estavam sob contrato para cultivar papoilas de ópio. O sistema de agências garantia que os agricultores não participassem nos grandes lucros do comércio de ópio. Dado o seu poder de monopólio, as agências de ópio conseguiam «manter o preço do ópio bruto precisamente no limite económico» (Jonathan Lehne, 2011).

Embora a percentagem de terras agrícolas destinadas ao cultivo de ópio fosse comparativamente pequena, a produção de ópio sob o domínio colonial contribuiu, ainda assim, para o empobrecimento da população indiana, desestabilizando o sistema agrícola e provocando inúmeras fomes.

De acordo com uma reportagem incisiva da BBC: «A cultura comercial [o ópio] ocupava entre um quarto e metade da propriedade de um camponês. No final do século XIX, o cultivo de papoila tinha um impacto na vida de cerca de 10 milhões de pessoas naquilo que são hoje os estados de Uttar Pradesh e Bihar. O comércio era gerido pela Companhia das Índias Orientais, a poderosa empresa multinacional criada para o comércio com uma carta real que lhe concedia o monopólio sobre os negócios com a Ásia. Este comércio estatal foi alcançado em grande parte através de duas guerras, que obrigaram a China a abrir as suas portas ao ópio da Índia britânica. … As metas de produção rígidas fixadas pela Agência do Ópio também significavam que os agricultores — o cultivador típico de papoila era um pequeno camponês — não podiam decidir se queriam ou não produzir ópio. Eram obrigados a submeter parte das suas terras e mão-de-obra à estratégia de exportação do governo colonial.»

Fábrica de ópio e armazém de empilhamento da BEIC, Patna, década de 1850

A China e as Guerras do Ópio

Quando o imperador Daoguang da dinastia Qing ordenou a destruição dos stocks de ópio no porto de Cantão (Guangzhou) em 1838, o Império Britânico declarou guerra à China, alegando que esta estava a obstruir o «livre fluxo» do comércio de mercadorias.

O termo «tráfico» aplica-se à Grã-Bretanha. Este foi tolerado e apoiado ao longo de todo o reinado da rainha Vitória (1837-1901). Em 1838, eram exportadas anualmente 1 400 toneladas de ópio da Índia para a China. Na sequência da Primeira Guerra do Ópio, o volume destes carregamentos (que se prolongou até 1915) aumentou drasticamente.

A chamada Primeira Guerra do Ópio (1838-1842), que representou um ato de agressão contra a China, foi seguida pelo Tratado de Nanquim de 1842, que não só protegia as importações britânicas de ópio para a China, como também concedia direitos extraterritoriais à Grã-Bretanha e a outras potências coloniais, levando à formação dos «portos do tratado».

As colossais receitas do comércio de ópio foram então utilizadas pela Grã-Bretanha para financiar as suas conquistas coloniais. Hoje, isso seria designado como «branqueamento de capitais provenientes do tráfico de drogas». O encaminhamento das receitas do ópio serviu também para financiar o Hong Kong Shanghai Bank (HKSB), fundado pela BEIC em 1865, na sequência da primeira guerra do ópio.

Em 1855, Sir John Bowring, em nome do Ministério dos Negócios Estrangeiros britânico, negociou um tratado com o rei Mongkut (Rama IV) do Sião, intitulado «Tratado Anglo-Siame de Amizade e Comércio» (abril de 1855), que permitia a importação livre e irrestrita de ópio para o Reino do Sião (Tailândia).

Embora o comércio de ópio da Grã-Bretanha com a China tenha sido abolido em 1915, o monopólio britânico do tráfico de drogas continuou até à independência da Índia, em 1947.

Empresas afiliadas da BEIC, como a Jardine Matheson, desempenharam um papel importante no comércio de drogas.

É de salientar que, no rescaldo da Segunda Guerra Mundial, os interesses financeiros dos EUA assumiram o controlo do comércio de drogas, que se tornou amplamente «dolarizado».

Racismo, Narcóticos e Colonialismo

Os historiadores têm-se centrado no comércio triangular de escravos no Atlântico: escravos provenientes de África exportados pelas potências coloniais para as Américas, seguidos de mercadorias produzidas nas plantações com recurso ao trabalho escravo e exportadas de volta para a Europa.

O comércio colonial de drogas da Grã-Bretanha apresentava uma estrutura triangular semelhante. O ópio produzido nas plantações coloniais por agricultores empobrecidos de Bengala era exportado para a China, cujas receitas (pagas em moedas de prata) eram utilizadas, em grande parte, para financiar a expansão imperial da Grã-Bretanha, incluindo a exploração mineira na Austrália e na África do Sul.

Não foi paga qualquer compensação às vítimas do comércio de drogas do Império Britânico: os agricultores empobrecidos de Bengala, os povos da Índia e da China.

Juntamente com o comércio triangular de escravos no Atlântico, o tráfico colonial de drogas constitui um crime contra a humanidade.

Tanto o tráfico de escravos como o tráfico de drogas foram sustentados pelo racismo. Em 1877, Cecil Rhodes apresentou um «projeto secreto» que consistia em integrar os impérios britânico e norte-americano num único império anglo-saxónico «supremacista branco»: «Defendo que somos a melhor raça do mundo… Imaginem aquelas regiões que, atualmente, são habitadas pelos exemplares mais desprezíveis da humanidade… Por que não formávamos uma sociedade secreta… para tornar a raça anglo-saxónica num único império… África continua à nossa espera; é nosso dever conquistá-la. … É nosso dever aproveitar todas as oportunidades para adquirir mais território e devemos manter sempre presente esta ideia: que mais território significa simplesmente mais da raça anglo-saxónica, mais da melhor, mais humana e mais honrada raça que o mundo possui.”

Há uma continuidade entre a «guerra contra a droga» legítima, de estilo colonial, liderada pelo Império Britânico, e as atuais estruturas de tráfico de droga: o Afeganistão sob ocupação militar dos EUA, o narco-Estado na América Latina.

O tráfico de droga é um negócio de vários biliões de dólares. O Gabinete das Nações Unidas contra a Droga e o Crime estima que a lavagem de dinheiro proveniente do tráfico de droga e de outras atividades criminosas seja da ordem dos 2 a 5 por cento do PIB global, ou seja, entre 800 mil milhões e 3 biliões de dólares. O dinheiro da droga é branqueado através do sistema bancário global.

Recorde-se o escândalo do crack revelado em 1996 pelo jornalista Gary Webb. O crack era vendido às comunidades afro-americanas de Los Angeles.

Desde 2001, a venda a retalho de heroína e opióides tem-se tornado cada vez mais uma «arma» dirigida contra a perpetuação do racismo, da pobreza e da desigualdade social.

Embora o tráfico de drogas atual seja fonte de riqueza e enriquecimento, a toxicodependência disparou. Em 2001, 1 779 americanos morreram em resultado de overdose de heroína.

Em 2016, a dependência da heroína resultou em 15 446 mortes. Essas vidas teriam sido salvas se os EUA e os seus aliados da OTAN NÃO tivessem invadido e ocupado o Afeganistão em 2001.

Mortalidade relacionada com drogas. Impactos do confinamento devido à COVID-19 (março de 2020)

As principais categorias de opiáceos (CDC) são as seguintes: heroína ilegal, opiáceos sintéticos, como o fentanil, os chamados «analgésicos», incluindo a oxicodona (OxyContin®) e a hidrocodona (Vicodin®), codeína, morfina, etc.

Nos últimos acontecimentos, decorrentes do confinamento devido à COVID-19, a mortalidade resultante do consumo de cocaína, heroína e opiáceos aumentou drasticamente. Este aumento teve início em fevereiro de 2020 (coincidindo com a crise financeira). Na sequência do confinamento de meados de março de 2020, as mortes por overdose dispararam. Em maio de 2020, o número de mortes por overdose ultrapassou as 3 000, ou seja, um aumento de mais do triplo em relação às mortes por overdose registadas antes da crise do coronavírus (ver gráfico). Nos EUA, as mortes mensais por overdose registadas em 2020 mais do que triplicaram.

Gráfico baseado em dados do CDC, fonte: PBS

Os dados do CDC confirmam que o aumento das mortes atribuíveis a overdose de drogas tem continuado a aumentar: De 71 130 mortes em 2019 (final de dezembro de 2019) para 92 478 em 2020 (final de dezembro de 2020), ou seja, um aumento de 21 348 mortes ao longo de 2020 em relação a 2019. Esta tendência ascendente manteve-se ao longo de 2021. (Ver Michel Chossudovsky, The Worldwide Corona Crisis. Global Coup d’État Against Humanity). No período de doze meses que terminou em junho de 2021, o número de mortes por overdose registadas atingiu quase 100 000 vítimas mortais (final de junho de 2021: 98 022) (Ibid.).

Mortes relacionadas com opiáceos no Canadá

A tendência no Canadá é consistente com a observada nos EUA. Registou-se um aumento dramático das mortes relacionadas com opiáceos em Ontário, na sequência do estado de emergência de confinamento de 17 de março de 2020, que se juntou ao desemprego resultante da paralisação da atividade económica: o número de mortes relacionadas com opiáceos aumentou rapidamente nas semanas que se seguiram à declaração do estado de emergência em Ontário, a 17 de março de 2020. No total, verificou-se um aumento de 38,2% nas mortes relacionadas com opióides nas primeiras 15 semanas da pandemia da COVID-19 (695 mortes; média de 46 mortes por semana), em comparação com as 15 semanas imediatamente anteriores (503 mortes; média de 34 mortes por semana)[ibid].

Vale a pena referir que, durante a pandemia, o fentanil (opioide farmacêutico) foi responsável por 87% das mortes relacionadas com opiáceos (87,2% [N=538 de 617]), em comparação com a coorte pré-pandémica (79,2% [N=399 de 504]).22

O gráfico seguinte apresenta uma imagem clara do aumento dramático das consultas de emergência por overdose de opiáceos em Ottawa, desde janeiro de 2020 até dezembro de 2020.

Fonte: Saúde Pública de Ontário