Os média, as redes sociais e as palavras que morrem à mÃngua de quem as use As imagens impõem-se à s palavras e escasseia a vontade de sacudir o pó aos arcaÃsmos e retirar das páginas dos livros os vocábulos que o tempo arrumou como imprestáveis. As palavras morrem quando quem as devia cuidar, por moleza, tédio ou inópia, troca a riqueza cromática e os tons variegados, que exornam o idioma pátrio, pela frugalidade léxica que guarnece as reportagens. Tortura a frequência com que o adjetivo complicado , variando em género e número, passou a qualificar os incêndios, o défice, a vida das pessoas, o orçamento de Estado, o estado do paÃs e os factos avulsos que desfilam pelos telejornais e imprensa escrita. Os incêndios que assolam o paÃs, incineram pessoas e solos e afligem povoações cercadas, são inexoravelmente designados como complicados. Não há labaredas dantescas, fogos infernais, dramas, coisas dolorosas, momentos dilacerantes, futuros pungentes ou vidas sem futuro, há, seja qual f...