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Apramicina

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A apramicina é um antibiótico aminoglicosídeo de largo espetro, isolado na década de 1960 a partir da bactéria Streptomyces tenebrarius. Do ponto de vista estrutural, diferencia-se de outros aminoglicosídeos (como a gentamicina ou a amicacina) por possuir um núcleo de dialdose bicíclico único. Esta arquitetura molecular confere-lhe uma resistência natural à inativação pela maioria das enzimas modificadoras de aminoglicosídeos (AMEs), que habitualmente propagam a resistência bacteriana. O seu mecanismo de ação baseia-se na ligação à subunidade ribossómica 30S bacteriana, onde causa erros na leitura do ARN e bloqueia a síntese proteica, exercendo uma rápida atividade bactericida. Durante décadas, o seu uso clínico foi exclusivamente restrito à medicina veterinária e à pecuária, sendo amplamente utilizada para tratar infeções entéricas graves, como a colibacilose e a salmonelose, em suínos, aves e vitelos. Contudo, devido à crescente crise global de resistência antimicrobiana, a apramicina emergiu no século XXI como um candidato prioritário para o reposicionamento em medicina humana. Estudos clínicos demonstraram que o composto possui uma eficácia notável contra patógenos Gram-negativos multirresistentes e críticos, como estirpes de Klebsiella pneumoniae e Acinetobacter baumannii resistentes às carbapenemas, além de apresentar atividade contra o Mycobacterium tuberculosis. Uma das principais vantagens da apramicina para o uso humano é o seu perfil de segurança otimizado; a sua elevada seletividade pelo ribossoma bacteriano resulta numa afinidade muito reduzida pelos tecidos dos mamíferos, o que diminui drasticamente o risco de efeitos secundários graves típicos da sua classe, como a nefrotoxicidade e a ototoxicidade irreversível. Atualmente, a molécula encontra-se sob investigação em ensaios clínicos avançados, representando uma promissora ferramenta biotecnológica na vanguarda do combate às superbactérias.[1][2][3][4][5][6][7][8][9][10]

Referências

  1. ↑ Fan, Po-Hsun; Sato, Shusuke; Yeh, Yu-Cheng; Liu, Hung-wen (4 de outubro de 2023). «Biosynthetic Origin of the Octose Core and Its Mechanism of Assembly during Apramycin Biosynthesis». Journal of the American Chemical Society (em inglês). 145 (39): 21361–21369. ISSN 0002-7863. PMC 10591738Acessível livremente. PMID 37733880. doi:10.1021/jacs.3c06354. Cópia arquivada em 24 de janeiro de 2024
  2. ↑ Hermann, Thomas; Tereshko, Valentina; Skripkin, Eugene; Patel, Dinshaw J. (maio de 2007). «Apramycin recognition by the human ribosomal decoding site». Blood Cells, Molecules, and Diseases (em inglês). 38 (3): 193–198. doi:10.1016/j.bcmd.2006.11.006. Cópia arquivada em 26 de abril de 2025
  3. ↑ Quirke, Jonathan C. K.; Rajasekaran, Parasuraman; Sarpe, Vikram A.; Sonousi, Amr; Osinnii, Ivan; Gysin, Marina; Haldimann, Klara; Fang, Qiao-Jun; Shcherbakov, Dimitri; Hobbie, Sven N.; Sha, Su-Hua; Schacht, Jochen; Vasella, Andrea; Böttger, Erik C.; Crich, David (8 de janeiro de 2020). «Apralogs: Apramycin 5- O -Glycosides and Ethers with Improved Antibacterial Activity and Ribosomal Selectivity and Reduced Susceptibility to the Aminoacyltransferase (3)-IV Resistance Determinant». Journal of the American Chemical Society (em inglês). 142 (1): 530–544. ISSN 0002-7863. PMC 6949408Acessível livremente. PMID 31790244. doi:10.1021/jacs.9b11601
  4. ↑ DVM DVSc DACVIM, J.Scott Weese; Weese, Heather E. (junho de 2026). «The efficacy of apramycin use in animals: A scoping review». The Veterinary Journal (em inglês). 317. 106646 páginas. doi:10.1016/j.tvjl.2026.106646. Cópia arquivada em 26 de abril de 2026
  5. ↑ «Apravet 552 000 IU/g powder for use in drinking water/milk for pigs, calves, chickens and rabbits» (PDF). www.vmd.defra.gov.uk. Cópia arquivada (PDF) em 14 de abril de 2026
  6. ↑ Weese, Scott; Weese, Heather E (29 de abril de 2026), Apramycin resistance in bacteria isolated from humans, a systematic review and meta-analysis, doi:10.1099/acmi.0.001227.v1, consultado em 2 de outubro de 2026
  7. ↑ Kaur, Parvinder; V. K., Ramya; C. N., Naveenkumar; K., Bharathkumar; Singh, Mayas; Hobbie, Sven N.; Shandil, Radha Krishan; Narayanan, Shridhar (20 de agosto de 2024). «Apramycin kills replicating and non-replicating Mycobacterium tuberculosis». Frontiers in Tropical Diseases. 5. ISSN 2673-7515. doi:10.3389/fitd.2024.1413211
  8. ↑ Frimodt-Møller, Niels; Hansen, Jon U.; Plattner, Michel; Huseby, Douglas L.; Radmer Almind, Stine; Haldimann, Klara; Gysin, Marina; Petersson, Anna; Ercan, Onur; Ganz, Lea; Hughes, Diarmaid; Vingsbo Lundberg, Carina; Hobbie, Sven N. (julho de 2024). «Apramycin efficacy against carbapenem- and aminoglycoside-resistant Escherichia coli and Klebsiella pneumoniae in murine bloodstream infection models». International Journal of Antimicrobial Agents (em inglês). 64 (1). 107181 páginas. doi:10.1016/j.ijantimicag.2024.107181. Cópia arquivada em 21 de agosto de 2026
  9. ↑ Becker, Katja; Cao, Sha; Nilsson, Anna; Erlandsson, Maria; Hotop, Sven-Kevin; Kuka, Janis; Hansen, Jon; Haldimann, Klara; Grinberga, Solveiga; Berruga-Fernández, Talia; Huseby, Douglas L.; Shariatgorji, Reza; Lindmark, Evelina; Platzack, Björn; Böttger, Erik C. (novembro de 2021). «Antibacterial activity of apramycin at acidic pH warrants wide therapeutic window in the treatment of complicated urinary tract infections and acute pyelonephritis». EBioMedicine (em inglês). 73. 103652 páginas. PMC 8577399Acessível livremente. PMID 34740109. doi:10.1016/j.ebiom.2021.103652. Cópia arquivada em 18 de agosto de 2026
  10. ↑ PubChem. «Apramycin». pubchem.ncbi.nlm.nih.gov (em inglês). Consultado em 2 de outubro de 2026. Cópia arquivada em 9 de setembro de 2026