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Nesossilicato

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Os nesossilicatos (do grego nesos, ilha), vulgarmente denominados ortossilicatos, formam uma das subclasses mais importantes e abundantes do grupo dos silicatos, definindo-se por uma arquitetura atómica em que os tetraedros de silício e oxigénio [SiO₄]⁴⁻ permanecem espacialmente independentes, isto é, sem partilharem vértices de oxigénio entre si. Esta configuração insular implica que a coesão da rede cristalina dependa inteiramente de catiões metálicos intersticiais, predominantemente ferro (Fe²⁺), magnésio (Mg²⁺), cálcio (Ca²⁺), alumínio (Al³⁺) e zircónio (Zr⁴⁺), que preenchem os espaços vazios e neutralizam as cargas elétricas negativas das unidades tetraédricas. Em termos práticos, este empacotamento atómico altamente denso e homogéneo confere a estes minerais uma robustez física singular, traduzida numa densidade invulgarmente elevada, numa resistência mecânica superior (com durezas que oscilam entre os graus 6 e 8 na escala de Mohs) e numa forte propensão para a fratura conchoidal, em detrimento de planos de clivagem fáceis. Do ponto de vista geológico, o estudo dos nesossilicatos é crucial para a compreensão da dinâmica interna do planeta e da evolução da crusta, destacando-se o grupo das olivinas como o bloco de construção essencial do manto superior terrestre, o grupo das granadas como marcador térmico de ambientes metamórficos de alta pressão, e o zircão como uma ferramenta geocronológica indispensável devido à sua extrema resiliência físico-química face à erosão e ao tempo profundo. Adicionalmente, esta subclasse engloba o topázio e os polimorfos de silicato de alumínio (andaluzite, cianite e silimanite), cujas estruturas servem de geotermómetros e geobarómetros de precisão para decifrar as condições históricas de pressão e temperatura em orogenias antigas.[1][2][3][4][5][6][7]

Referências

  1. Flinn, D. (julho de 1983). «Rock Forming Minerals: Volume 1A (Second edition): ORTHOSILICATES by W. A. Deer. R. A. Howie. and J. Zussman, Longman, 1982. No. of pages: 936. Price: £50.00 (hardback)». Geological Journal. 18 (3): 277–278. ISSN 0072-1050. doi:10.1002/gj.3350180308
  2. «Manual of Mineral Science, 23rd Edition | Wiley». Wiley.com (em inglês). Consultado em 13 de julho de 2026
  3. global.oup.com https://global.oup.com/ushe/product/introduction-to-mineralogy-9780197614624. Consultado em 13 de julho de 2026 Em falta ou vazio |título= (ajuda)
  4. Dana, James Dwight (1997). Dana's new mineralogy : the system of mineralogy of James Dwight Dana and Edward Salisbury Dana. Internet Archive. [S.l.]: New York : Wiley. ISBN 978-0-471-19310-4. Consultado em 13 de julho de 2026
  5. Smyth, Joseph R. (1 de outubro de 1994). «A crystallographic model for hydrous wadsleyite (β-Mg2SiO4): An ocean in the Earth's interior?». American Mineralogist. 79 (9-10): 1021–1024. ISSN 0003-004X
  6. Putnis, Andrew (1992). Introduction to mineral sciences. Cambridge: Cambridge University Press. ISBN 978-1-139-17038-3. doi:10.1017/cbo9781139170383. Consultado em 13 de julho de 2026
  7. Liebau, Friedrich (1985). Structural Chemistry of Silicates (em inglês). Berlin, Heidelberg: Springer Berlin Heidelberg. ISBN 978-3-642-50078-7. doi:10.1007/978-3-642-50076-3. Consultado em 13 de julho de 2026