Proxêmica
Proxêmica é o estudo do uso do espaço pelo ser humano e dos efeitos que a densidade populacional tem sobre o comportamento, a comunicação e a interação social.[1] A proxêmica é uma das várias subcategorias no estudo da comunicação não verbal, incluindo a háptica (tato), a cinésica (movimento corporal), a vocalização (paralinguagem) e a cronêmica (estrutura do tempo).[2]
Edward T. Hall, o antropólogo cultural que cunhou o termo em 1963, definiu proxêmica como "as observações e teorias inter-relacionadas do uso do espaço pelos humanos como uma elaboração especializada da cultura".[3] Em sua obra fundamental sobre proxêmica, A Dimensão Oculta, Hall enfatizou o impacto do comportamento proxêmico (o uso do espaço) na comunicação interpessoal. Segundo Hall, o estudo da proxêmica é valioso para avaliar não apenas a maneira como as pessoas interagem umas com as outras no dia a dia, mas também "a organização do espaço em suas casas e edifícios e, em última instância, o layout de suas cidades".[4] A proxêmica permanece um componente oculto da comunicação interpessoal, que é descoberto por meio da observação e fortemente influenciado pela cultura.
Fatores culturais
[editar | editar código]O espaço pessoal é altamente variável, devido a diferenças culturais e preferências pessoais. Em média, as preferências variam significativamente entre os países. Um estudo de 2017[5] descobriu que as preferências de espaço pessoal em relação a estranhos variavam entre mais de centro e vinte centímetros na Romênia, Hungria e Arábia Saudita, e menos de noventa na Argentina, Peru, Ucrânia e Bulgária.
As práticas culturais dos Estados Unidos apresentam consideráveis semelhanças com as das regiões da Europa Setentrional e Central, como a Alemanha, a Escandinávia e o Reino Unido. Os rituais de cumprimento tendem a ser semelhantes na Europa e nos Estados Unidos, consistindo em contato corporal mínimo — muitas vezes limitado a um simples aperto de mãos. A principal diferença cultural na proxêmica é que os residentes dos Estados Unidos gostam de manter um espaço maior entre si e seus interlocutores (aproximadamente 1,2 metros em comparação com 0,6 a 0,9 metros na Europa).[6] A história cultural europeia testemunhou uma mudança no espaço pessoal desde os tempos romanos, juntamente com os limites do espaço público e privado. Este tópico foi explorado em A History of Private Life (2001), sob a coordenação geral de Philippe Ariès e Georges Duby.[7] Por outro lado, aqueles que vivem em locais densamente povoados provavelmente têm expectativas menores em relação ao espaço pessoal. Os habitantes da Índia ou do Japão tendem a ter um espaço pessoal menor do que os da estepe mongol, tanto em relação à casa como aos espaços individuais. Expectativas diferentes de espaço pessoal podem levar a dificuldades na comunicação intercultural.[8]
Adaptação
[editar | editar código]As pessoas abrem exceções e modificam suas necessidades de espaço. Vários relacionamentos podem permitir a modificação do espaço pessoal, incluindo laços familiares, parceiros românticos, amizades e conhecidos próximos, onde há um maior grau de confiança e conhecimento pessoal. O espaço pessoal é afetado pela posição da pessoa na sociedade, com indivíduos mais abastados esperando um espaço pessoal maior.[9] O espaço pessoal também varia de acordo com o gênero e a idade. Os homens geralmente usam mais espaço pessoal do que as mulheres, e o espaço pessoal tem uma relação positiva com a idade (as pessoas usam mais espaço à medida que envelhecem). A maioria das pessoas tem um senso de espaço pessoal totalmente desenvolvido (adulto) por volta dos doze anos de idade.[10]
Em circunstâncias em que os requisitos normais de espaço não podem ser atendidos, como no transporte público ou em elevadores, os requisitos de espaço pessoal são modificados de acordo. Segundo o psicólogo Robert Sommer, um método para lidar com a violação do espaço pessoal é a desumanização. Ele argumenta que, no metrô, pessoas em meio à multidão frequentemente imaginam aqueles que invadem seu espaço pessoal como seres inanimados. O comportamento é outro método: uma pessoa que tenta conversar com alguém pode frequentemente causar situações em que uma pessoa avança para entrar no que percebe como uma distância de conversa, e a pessoa com quem está conversando pode recuar para restaurar seu espaço pessoal.[9]
Referências
- ↑ «Proxemics». Dictionary.com. Consultado em 14 de novembro de 2015
- ↑ Moore, Nina (2010). Nonverbal Communication:Studies and Applications. Nova Iorque: Oxford University Press
- ↑ Hall, Edward T. (1966). The Hidden Dimension. [S.l.]: Anchor Books. ISBN 978-0-385-08476-5
- ↑ Hall, Edward T. (outubro de 1963). «A System for the Notation of Proxemic Behavior». American Anthropologist. 65 (5): 1003–1026. doi:10.1525/aa.1963.65.5.02a00020

- ↑ Sorokowska, Agnieszka; Sorokowski, Piotr; Hilpert, Peter (22 de março de 2017). «Preferred Interpersonal Distances: A Global Comparison» (PDF). Journal of Cross-Cultural Psychology (em inglês). 48 (4): 577–592. ISSN 0022-0221. doi:10.1177/0022022117698039
- ↑ Histoire de la vie privée (2001), editors Philippe Ariès and Georges Duby; le Grand livre du mois. ISBN 978-2020364171. Published in English as A History of Private Life by the Belknap Press. ISBN 978-0674399747.
- ↑ Hall, Edward T. (1966). The Hidden Dimension. [S.l.]: Anchor Books. ISBN 978-0-385-08476-5
- 1 2 Alessandra, Tony (1 de fevereiro de 2000). Charisma: Seven Keys to Developing the Magnetism that Leads to Success (em inglês). Nova Iorque: Business Plus. pp. 165–192. ISBN 9780446675987
- ↑ Aiello, John R., Aiello, Tyra De Carlo (Julho de 1974). «The Development of Personal Space: Proxemic Behavior of Children 6 through 16». Human Ecology. 2 (3): 177–189. Bibcode:1974HumEc...2..177A. JSTOR 4602298. doi:10.1007/bf01531420
Bibliografia
[editar | editar código]- Busbea, Larry D. (2020). Proxemics and the Architecture of Social Interaction. Columbia Books on Architecture and the City. Columbia University Press. ISBN 9781941332672.
- Ciolek, T. Matthew (Setembro de 1983). «The Proxemics Lexicon: A First Approximation». Journal of Nonverbal Behavior. 8 (1): 55–75. doi:10.1007/BF00986330
- Hall, Edward T. (1963). «A System for the Notation of Proxemic Behaviour». American Anthropologist. 65 (5): 1003–1026. doi:10.1525/aa.1963.65.5.02a00020

- Herrera, D. A. (2010). Gaze, Turn-Taking and Proxemics in Multiparty Versus Dyadic Conversation Across Cultures. Ph.D. The University of Texas at El Paso. ISBN 9781124175645.
- Lawson, Bryan (2001). «Sociofugal and Sociopetal Space». The Language of Space. [S.l.]: Architectural Press. pp. 140–144. ISBN 978-0-7506-5246-9
- McArthur, J. A. (2016). Digital Proxemics: How Technology Shapes the Ways We Move. Peter Lang. ISBN 9781454199403.
- Sommer, Robert (Maio de 1967). «Sociofugal Space». The American Journal of Sociology. 72 (6): 654–660. doi:10.1086/224402