Ir para o conteúdo

Tigré (região)

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
(Redirecionado de Região Tigré)
Região Tigré
Capital Mek'ele
População 4.334.996 habitantes
Censo 2005
Área 50.078,64 km²
Densidade 87 hab/km²
Localização da região

Tigré ou Tigray (em tigrínia: ትግራይ ክልል, Tigrāy Kilil) é a mais setentrional das nove regiões etíopes, abrigando o berço do povo tigrínia e o coração histórico do antigo Império de Axum. Sua capital é a cidade de Mek'ele, um importante centro comercial e administrativo do norte do país.[1]

Localização e Geografia

[editar | editar código]

A região faz fronteira com a Eritreia, ao norte; o Sudão, a oeste; a região de Amara, ao sul; e a região de Afar, a leste e sudeste.[1]

A região do Tigray é limitada ao norte pela Eritreia, a oeste pelo Sudão, a leste pela região de Afar e ao sul pela região de Amhara. Sua paisagem é caracterizada por um planalto montanhoso, com altitudes que variam entre 1.500 e 3.300 metros, contrastando com as planícies orientais que descem em direção à Depressão de Danakil, uma das regiões mais baixas e quentes do planeta.[2]

A região possui uma área de aproximadamente 53.036 km². Os principais rios que drenam o território são o Tekeze e o Gash (Mareb), que desempenham um papel crucial na agricultura local. O clima varia de semiárido nas áreas baixas a subtropical de altitude nas terras altas, com uma estação chuvosa principal entre junho e setembro.[3]

História e Colonização

[editar | editar código]

O Tigray é frequentemente descrito como o "berço da civilização etíope". A região foi o centro do Reino de Axum, uma das grandes potências da antiguidade, que floresceu entre os séculos I e VII d.C. A cidade de Axum, com seus famosos obeliscos e a Igreja de Nossa Senhora Maria de Sião, é um símbolo desse passado glorioso, sendo classificada como Patrimônio Mundial da UNESCO. A região foi também o local da histórica Batalha de Adwa (1896), onde as forças etíopes, lideradas pelo Imperador Menelik II, derrotaram os italianos, garantindo a independência da Etiópia e se tornando um marco de resistência africana ao colonialismo.[carece de fontes]?

Apesar de sua história de independência, o Tigray foi ocupado pela Itália durante a Segunda Guerra Ítalo-Etíope (1935-1941), sendo posteriormente governado por administradores nomeados a partir de Adis Abeba. Após a queda do regime do Derg (1974-1991), a Frente de Libertação do Povo do Tigray (TPLF) emergiu como a força política dominante no país, liderando a coalizão que governou a Etiópia por quase três décadas.[carece de fontes]?

Política e Administração

[editar | editar código]

O Tigray é uma região autônoma com seu próprio governo, parlamento e constituição. A capital, Mekelle, sedia o poder executivo e legislativo regional. Desde a assinatura do Acordo de Paz de Pretória, em novembro de 2022, que encerrou um conflito de dois anos, a região tem sido administrada por uma Administração Interina, atualmente liderada pelo administrador-chefe, Tadesse Werede.[carece de fontes]?

A política local, no entanto, permanece fragmentada. O principal partido, a TPLF, está dividido em facções rivais, com grupos que apoiam o governo interino e outros que defendem a restauração do antigo Conselho Regional eleito em 2020. A situação de segurança na região é tensa, com relatos de mineração ilegal de ouro financiando grupos armados e uma crise econômica que leva à fuga de jovens. A presença de milícias e a disputa pelo controle de territórios, como a região ocidental do Tigray, continuam sendo pontos de atrito, com a comunidade internacional, incluindo a ONU e a União Africana, pedindo a implementação plena do acordo de paz.

Demografia

[editar | editar código]

A região do Tigray possui uma população estimada em cerca de 6 milhões de habitantes, sendo a grande maioria (cerca de 95%) composta pelo grupo étnico tigrínia, que dá nome à região. A língua oficial é o tigrínia, um idioma do ramo semítico, que é amplamente falado e usado na administração. Existem também minorias de outras etnias, como os amhara, saho e afar.

A religião predominante é o cristianismo ortodoxo etíope, seguido por mais de 95% da população, com pequenas comunidades muçulmanas e católicas.

Clima e Hidrografia

[editar | editar código]

O clima do Tigray é caracterizado por uma forte variação espacial. O planalto central e ocidental possui um clima subtropical de altitude, com temperaturas amenas e uma estação chuvosa bem definida, enquanto as áreas orientais, em direção à Depressão de Danakil, são extremamente áridas e quentes. A região tem sofrido com a variabilidade climática, com ciclos de seca severa e chuvas intensas que impactam diretamente a agricultura de subsistência. A precipitação é a principal fonte de água para a agricultura, e sua irregularidade representa um risco constante para a segurança alimentar.

Guerra do Tigré

[editar | editar código]

A Guerra do Tigré, também conhecida como Guerra Civil Etíope,[4][5] é um conflito armado em andamento na região Tigré, desde 4 de novembro de 2020. Envolve o governo federal da Etiópia e o partido separatista Frente de Libertação do Povo Tigré (FLPT).

O conflito intensificou-se com a entrada de forças militares da vizinha Eritreia (em apoio ao governo federal etíope) que se contrapõem a grupos armados locais, como a Frente de Libertação Oromo, aliada da FLPT.[6][3]

A guerra causou uma profunda alteração na região do Tigré, ocupada pelo exército federal etíope e por tropas estrangeiras que travam uma prolongada guerra de guerrilhas contra o FLPT. Organizações internacionais denunciam operações de limpeza étnica e a violência sexual generalizada contra a população tigré, além de uma crescente insegurança alimentar, o que tem ocasionado uma onda de refugiados internos e externos, principalmente em direção ao Sudão.[7][8]

Estima-se que, nos últimos 16 meses, 500 000 pessoas tenham morrido de fome ou em consequência direta da violência da guerra na região.[2]

Referências

Ícone de esboço Este artigo sobre Geografia da Etiópia, integrado ao Projeto África é um esboço. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.