Septoria é um género de fungos filamentosos ascomicetes pertencente à família Mycosphaerellaceae, amplamente reconhecido no âmbito da agronomia e da fitopatologia devido ao seu elevado impacto destrutivo numa vasta gama de culturas agrícolas de grande importância económica mundial. Estes micro-organismos atuam como agentes patogénicos hemibiotróficos, iniciando a infeção de forma assintomática (fase biotrófica) antes de transitarem para uma fase necrotrófica agressiva, que destrói os tecidos vegetais e provoca a doença vulgarmente denominada septoriose. Esta manifesta-se através do aparecimento de manchas necróticas foliares, tipicamente delimitadas pelas nervuras das folhas, que evoluem para a clorose, desfolha precoce e consequente redução drástica da capacidade fotossintética da planta. Estruturalmente, o fungo caracteriza-se pela produção de corpos frutíferos assexuados chamados picnídios, visíveis a olho nu como pequenos pontos negros incrustados nas lesões, no interior dos quais são gerados os picniósporos ou conídios hialinos, alongados e multisseptados, que se dispersam eficientemente através do vento e do salpico das gotas de chuva. Entre as espécies mais devastadoras e estudadas destacam-se a Septoria tritici (atualmente reclassificada fora do género como Zymoseptoria tritici), responsável pela mancha foliar do trigo que flagela os cereais de inverno em climas temperados e húmidos como o de Portugal, e a Septoria lycopersici, que ataca severamente a cultura do tomateiro. O controlo eficaz deste patógeno representa um desafio constante, exigindo uma abordagem integrada que combina a aplicação calendarizada de fungicidas químicos específicos, a rotação rigorosa de culturas para diminuir o inóculo presente no solo, a gestão adequada dos resíduos vegetais infetados e, fundamentalmente, o melhoramento genético focado no desenvolvimento de variedades comerciais com resistência acrescida à infeção.[1][2][3][4][5][6][7]