quinta-feira, 8 de setembro de 2011

tempo, tempo, tempo


Há tempos em que flores surgem em qualquer ponto da grama ou da folhagem abandonada aos descuidos do inverno, e dá vontade de preservar as pétalas perto da vista, se deliciar com o verde surreal através do vidro.

Vez ou outra, num dia qualquer, é momento de lembrar o aniversário de contratos celebrados com euforia, de ajustar os termos que não estejam a contento de planejar os ganhos que adivirão de sua continuidade e seguir celebrando os dias em que a chuva lava janelas, alma e bom sono.
Há o tempo de se exercitar paciência com a construção, com o trânsito, com o barulho da vizinhança e na noite desses dias em que se colheu flores, rir com desdém de tudo que tenta bulir com a paz.
Sempre é o tempo do aconchego, da confiança, da certeza de querer continuar. Sempre tem sido, o nosso tempo. 8 de setembro seja sempre tempo de novamente assinar os termos do tempo de bem viver.

domingo, 24 de julho de 2011

Chama, pétala, paz

Não é preciso mesmo muito dinheiro, apenas o quanto baste para possibilitar o passeio na feirinha no sábado pela manhã. Também não é preciso ir ao restaurante mais requintado, aquilo que trouxemos na sacola retornável e cozinhamos ao som de Cida Moreira e esperamos exalar olores alaranjados em frentre à lareira é suficiente para parir riso e abraço e noite em paz e manhã de domingo em sol aberto.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Treze pensamentos para amenizar o inverno



1 - É possível ter cores na boca se o sorriso amado interrompe a serração que embaça o dia
2 - A banalidade matinal do bom dia na hora de um café acompanhado de pão recém assado, ainda sentindo o calor do corpo que há pouco se abraçava, adoça a semana
3 - Fazer um intervalo na correria capitalista para pensar na lareira que se acenderá à noite para estar jogando conversa fora com quem se decidiu partilhar a vida torna mais possível a agenda
4 - Aconchegar o gato no colo e deixar a penumbra vestir nossa preguiça no sofá enquanto o jazz invade a tela à frente espanta os sapos que porventura nos queiram fazer deglutir
5 - Vestir de alecrim a casa, de silêncio o corpo e de calor o beijo, ilumina uma quarta-feira no meio das tarefas ainda muitas.
6 - Acreditar no sol que ainda virá, não se sabe quando, faz tolerar a chuva, geada e vento que impede de ser dar as mãos na rua.
7 - Ouvir as agruras do cotidiano sem atiçar veneno aonde este já está sobrando, é abraço e ajuda a mover-se.
8 - Aprender a calar quando necessário, para ser apenas cobertor nos lapsos de desabrigo é exercício vitalício para quem escolhe a vida repartida e quer vê-la multiplicada de sabor.
9 - Não esquecer de cortar a grama e deixar de lamentar as folhas secas que o inverno despeja sobre a casa faz inventar soluções para dobrar o frio.
10 - Temperar as comidas de afeto e enfeitá-las de vontade de mais vida fortalece o vínculo e dissipa tensões e acende vontades.
11 - Dormir aquecida no emaranhado de calor do corpo querido, entrega a abraço não medido e cobertas escolhidas num sábado alegre torna possível levantar quando o despertador inttrometido se manifesta
12 - Saber que se faltar luz não haverá silêncio constrangio, mas conversa animada em frente ao fogo é aval para seguir dizendo que ainda vale a pena aquela aliança linda e cara que usamos.
13 - Dizer eu te amo, sabendo que isso não significa conto de fadas, nem estrada rósea, mas partilha ciente e temperada de sal e luz, faz desbotar o encardido do frio.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Sexta-Feira 13

"A tua boca anda oca
Da minha língua
da minha língua
A minha língua anda à míngua
Sem tua boca
sem tua boca"

Já falei que te amo????

quarta-feira, 27 de abril de 2011

eu vivo a sorrir*



irrompe a gargalhada e se desfaz o que havia de sombra. uma luz macia abraça o fim do dia e tudo engrena no trilho de nos levar aonde importa. um riso gratuito, de fazer o corpo dobrar, de apagar mazelas do trânsito e a estupidez que se trança ao cotidiano, de fornecer antídoto para a coisa torpe que tantos insistem em aplicar aos dias. riso à toa. nós a esmo. cálice cheio, mas para em breve ser vazio. na boca a duração do riso, do beijo, do bocejo, do chocolate, da vida. por isso, eu vivo a sorrir, pra fazer luz nas manhãs e penumbra suave quando quisermos descanso.












* primeira faixa do último CD de Adriana Calcanhotto.