David LevithanEditora Galera Record280 páginas
☺☺☺☺
Sinopse: Neste novo romance, David Levithan leva a criatividade a outro patamar. Seu protagonista, A, acorda todo dia em um corpo diferente. Não importa o lugar, o gênero ou a personalidade, A precisa se adaptar ao novo corpo, mesmo que só por um dia. Depois de 16 anos vivendo assim, A já aprendeu a seguir as próprias regras: nunca interferir, nem se envolver. Até que uma manhã acorda no corpo de Justin e conhece sua namorada, Rhiannon. A partir desse momento, todas as suas prioridades mudam, e, conforme se envolvem mais, lutando para se reencontrar a cada 24 horas, A e Rhiannon precisam questionar tudo em nome do amor.
Todo Dia tem uma premissa, no mínimo, curiosa. Já faz algum tempo que venho lendo resenhas positivas acerca dessa obra de David Levithan, mas, por uma razão ou outra, só me veio a real vontade de ler agora. Tenho uma porção de livros não lidos e quero doar cerca de 70% deles. A maioria é de parceria e há uma porcentagem ótima de obras bem bacanas, mas que não me desperta mais tanto interesse quanto antes. Como não há mais espaço na minha estante e eu quero muito adquirir uma porção de livros nos próximos meses que condiz muito mais com a minha atual fase de leitora, preciso liberar lugares no meu cantinho de livros.
E o dilema se deu. Depois que acabei de ler Garota Exemplar, fiquei perdida em meio a tantos livros físicos e alguns virtuais do meu acervo. Passei por uns momentos de "E aí, o que ler agora?". E, plim!, comecei a ler Todo Dia no Kindle que veio instalado no meu notebook (a Amazon me ofereceu trinta dias grátis, coisa que aceitei de bom grado). É o primeiro livro que leio de David. E, à medida que lia, fui sendo, gradativamente, enredada pela trama, pelo protagonista chamado, simplesmente, de A e por sua incomum forma de viver e existir.
Quando disse anteriormente que esse livro tem uma proposta no mínimo curiosa, me referi exatamente ao protagonista que David Levithan criou. Ele é um adolescente de 16 anos, mas ele não tem gênero definido. Eu estou me referindo a ele no sentido de ser e não de rapaz. Na tradução da Galera Record, A é tratado como ele, mas desconfio de que seja porque não há, em português, um pronome neutro equivalente ao it do inglês.
A acorda todos os dias no corpo de um adolescente diferente, mas sempre da sua idade. De início, achei estranho. É como se por um dia o dono do corpo ficasse "sem controle" de si mesmo, pois A está o hospedando por 24hrs. Não há explicações claras por que isso acontece, o protagonista não sabe nos dizer. A tenta interferir o mínimo possível na vida de cada adolescente cujo corpo hospeda a cada dia. De uma maneira misteriosa, ele tem acesso ao cérebro, contendo informações e memórias do dono do corpo; sendo assim, ele consegue agir do modo mais natural possível, sem despertar muitas suspeitas de familiares e amigos desses adolescentes.
Há uns dias em que A acorda num corpo de uma menina, em outros, num de menino. Essas meninas e meninos podem ser magros, gordos, baixos, altos, viciados em drogas, deprimidos, fúteis etc. Ainda que ele não possa mudar essas pessoas, porque não é seu direito, nem daria tempo de fazer isso em 24hrs, A tenta fazer com que o dia termine bem e que a pessoa cujo corpo ele "morou por um dia" tenha boas sensações a respeito do dia em que ela passou "fora do ar" sem saber.
As coisas passam a mudar dentro de e para A quando ele acorda no corpo de Justin, um garoto de personalidade duvidosa, sem tato no trato com os outros, com características morais deploráveis e irritantes, mas que namora uma moça muito legal chamada Rhiannon. A, um ser doce e agradável, se encanta pela moça e a proporciona um aprazível dia. Rhiannon estranha bastante o jeito do namorado, que, costumeiramente é um brutamontes, contudo resolve se entregar ao momento mágico e se apega ao que de bom o dia pode oferecer. É, então, que começa toda a saga de A para encontrar Rhiannon todos os dias, estando ele sempre em um corpo e local diferentes, bem como para revelar a ela o seu raro modo de vida.
Todo Dia se enquadra no gênero literário Jovens Adultos (Young Adults), gênero que não costumo ler com frequência, mas que, em geral, tenho a sorte de ler ótimas obras quando resolvo me aventurar por ele. Esse, em especial, me ganhou sem muito esforço. David Levithan escreve de uma forma fluida, gostosa e bonita. Nesse livro, ele aborda temas pertinentes, e, em sua maioria, procura prezar pelo respeito ao próximo, seja esse próximo como for. David é conhecido por retratar, em suas obras, questões muito importantes concernentes a comunidade LGBT. Não foi diferente em Todo Dia.
Além de delinear muitíssimo bem a homossexualidade, percebi problematizações essenciais, embora nas entrelinhas, no que se refere a identidade de gênero nesse livro, especialmente ao gênero líquido/fluído. O que achei sensacional da parte de Levithan, porque é algo que não vejo sendo abordado em livros, filmes etc. Ruby Rose, uma das detentas em Litchfield, do seriado Orange Is the New Black, se denomina como gênero fluído. Ela, junto com a sua então namorada Phoebe Dahl (neta do escritor Roald Dahl, que deu vida a Matilda), produziu um curta interessante sobre o tema. Vale assistir, pois parece ilustrar bem o que sente uma pessoa com essa identidade de gênero.
Por fim, quero dizer que A ganhou o meu coração, e o jeito com o qual descreveu o amor e ao ato de amar foi poético, tocante e emocionante. Minhas queixas com Levithan, e espero não dar nenhum grande spoiler aqui, se devem apenas aos fatos de ele ter retratado a obesidade de uma maneira pouco respeitosa, e que eu diria até, em certa medida, discriminatória. Fiquei um pouco chocada com essa parte, porque em todo o livro se vê uma preocupação enorme com o respeito e a dignidade ao ser humano e suas características/particularidades, então não entendi o porquê de Levithan ter tratado esse tema da forma como o tratou: desprovido de respeito e empatia. O segundo e último fato foi ter deixado em aberto algumas perguntas que ajudariam o leitor a entender a origem e o modo de vida de A, sobretudo em relação ao desfecho meio abrupto. Pelo que pesquisei, não há sequência para o livro, o que é uma pena, visto que não vou obter as respostas desejadas. Na verdade, será lançado, acredito que em breve, Another Day, que é a mesma estória, mas, dessa vez, sob a ótica de Rhiannon. Dei uma olhada nos comentários feitos nesse livro postados no goodreads e, pelo pouco que sei de inglês, os leitores ficaram um pouco decepcionados porque essa obra não se trata de uma continuação, assim parece que esse livro traz nada de novo ou revelador.
Ainda assim, com essas minhas ressalvas que não pude deixar de fazer, recomendo Todo Dia a todos que gostam de um bom romance. É uma trama que nos ganha pela premissa inovadora e pela fluidez como o enredo é desenvolvido. Quatro smiles para Todo Dia, de David Levithan!
E o dilema se deu. Depois que acabei de ler Garota Exemplar, fiquei perdida em meio a tantos livros físicos e alguns virtuais do meu acervo. Passei por uns momentos de "E aí, o que ler agora?". E, plim!, comecei a ler Todo Dia no Kindle que veio instalado no meu notebook (a Amazon me ofereceu trinta dias grátis, coisa que aceitei de bom grado). É o primeiro livro que leio de David. E, à medida que lia, fui sendo, gradativamente, enredada pela trama, pelo protagonista chamado, simplesmente, de A e por sua incomum forma de viver e existir.
Quando disse anteriormente que esse livro tem uma proposta no mínimo curiosa, me referi exatamente ao protagonista que David Levithan criou. Ele é um adolescente de 16 anos, mas ele não tem gênero definido. Eu estou me referindo a ele no sentido de ser e não de rapaz. Na tradução da Galera Record, A é tratado como ele, mas desconfio de que seja porque não há, em português, um pronome neutro equivalente ao it do inglês.
A acorda todos os dias no corpo de um adolescente diferente, mas sempre da sua idade. De início, achei estranho. É como se por um dia o dono do corpo ficasse "sem controle" de si mesmo, pois A está o hospedando por 24hrs. Não há explicações claras por que isso acontece, o protagonista não sabe nos dizer. A tenta interferir o mínimo possível na vida de cada adolescente cujo corpo hospeda a cada dia. De uma maneira misteriosa, ele tem acesso ao cérebro, contendo informações e memórias do dono do corpo; sendo assim, ele consegue agir do modo mais natural possível, sem despertar muitas suspeitas de familiares e amigos desses adolescentes.
Há uns dias em que A acorda num corpo de uma menina, em outros, num de menino. Essas meninas e meninos podem ser magros, gordos, baixos, altos, viciados em drogas, deprimidos, fúteis etc. Ainda que ele não possa mudar essas pessoas, porque não é seu direito, nem daria tempo de fazer isso em 24hrs, A tenta fazer com que o dia termine bem e que a pessoa cujo corpo ele "morou por um dia" tenha boas sensações a respeito do dia em que ela passou "fora do ar" sem saber.
As coisas passam a mudar dentro de e para A quando ele acorda no corpo de Justin, um garoto de personalidade duvidosa, sem tato no trato com os outros, com características morais deploráveis e irritantes, mas que namora uma moça muito legal chamada Rhiannon. A, um ser doce e agradável, se encanta pela moça e a proporciona um aprazível dia. Rhiannon estranha bastante o jeito do namorado, que, costumeiramente é um brutamontes, contudo resolve se entregar ao momento mágico e se apega ao que de bom o dia pode oferecer. É, então, que começa toda a saga de A para encontrar Rhiannon todos os dias, estando ele sempre em um corpo e local diferentes, bem como para revelar a ela o seu raro modo de vida.
Todo Dia se enquadra no gênero literário Jovens Adultos (Young Adults), gênero que não costumo ler com frequência, mas que, em geral, tenho a sorte de ler ótimas obras quando resolvo me aventurar por ele. Esse, em especial, me ganhou sem muito esforço. David Levithan escreve de uma forma fluida, gostosa e bonita. Nesse livro, ele aborda temas pertinentes, e, em sua maioria, procura prezar pelo respeito ao próximo, seja esse próximo como for. David é conhecido por retratar, em suas obras, questões muito importantes concernentes a comunidade LGBT. Não foi diferente em Todo Dia.
Além de delinear muitíssimo bem a homossexualidade, percebi problematizações essenciais, embora nas entrelinhas, no que se refere a identidade de gênero nesse livro, especialmente ao gênero líquido/fluído. O que achei sensacional da parte de Levithan, porque é algo que não vejo sendo abordado em livros, filmes etc. Ruby Rose, uma das detentas em Litchfield, do seriado Orange Is the New Black, se denomina como gênero fluído. Ela, junto com a sua então namorada Phoebe Dahl (neta do escritor Roald Dahl, que deu vida a Matilda), produziu um curta interessante sobre o tema. Vale assistir, pois parece ilustrar bem o que sente uma pessoa com essa identidade de gênero.
Por fim, quero dizer que A ganhou o meu coração, e o jeito com o qual descreveu o amor e ao ato de amar foi poético, tocante e emocionante. Minhas queixas com Levithan, e espero não dar nenhum grande spoiler aqui, se devem apenas aos fatos de ele ter retratado a obesidade de uma maneira pouco respeitosa, e que eu diria até, em certa medida, discriminatória. Fiquei um pouco chocada com essa parte, porque em todo o livro se vê uma preocupação enorme com o respeito e a dignidade ao ser humano e suas características/particularidades, então não entendi o porquê de Levithan ter tratado esse tema da forma como o tratou: desprovido de respeito e empatia. O segundo e último fato foi ter deixado em aberto algumas perguntas que ajudariam o leitor a entender a origem e o modo de vida de A, sobretudo em relação ao desfecho meio abrupto. Pelo que pesquisei, não há sequência para o livro, o que é uma pena, visto que não vou obter as respostas desejadas. Na verdade, será lançado, acredito que em breve, Another Day, que é a mesma estória, mas, dessa vez, sob a ótica de Rhiannon. Dei uma olhada nos comentários feitos nesse livro postados no goodreads e, pelo pouco que sei de inglês, os leitores ficaram um pouco decepcionados porque essa obra não se trata de uma continuação, assim parece que esse livro traz nada de novo ou revelador.
Ainda assim, com essas minhas ressalvas que não pude deixar de fazer, recomendo Todo Dia a todos que gostam de um bom romance. É uma trama que nos ganha pela premissa inovadora e pela fluidez como o enredo é desenvolvido. Quatro smiles para Todo Dia, de David Levithan!
Erica Ferro
• • •
Fan Page Sacudindo Palavras • Twitter Sacudindo Palavras • Fan Page Atleta Erica Ferro • Twitter Erica Ferro


























