Por causa de um súbito e intenso mal-estar de uma amiga, entre o Centro de Saúde e o Hospital de Faro passei ontem uma bela tarde a limpar com o rabo as cadeiras de salas de espera da Saúde nesta cidade. Até aqui nada de surpreendente, de tão conhecida que é a realidade do funcionamento dos sistemas de saúde em Portugal! É de facto digna de estudo a forma como as coisas se passam nesta área no nosso país!
A história começa logo no atendimento na Linha Saúde 24, a que a minha amiga recorreu numa primeira fase, por viver na Cidade de Faro há relativamente pouco tempo e não ter ainda, apesar de já ter feito o pedido em Agosto do ano passado, médico de família atribuído! Nesta linha, apesar de considerarem que o problema dela poderia ser bastante grave e carecer de intervenção imediata e até de exames complexos (TAC, por exemplo), enviaram-na para o centro de saúde, onde algumas horas depois lhe foi explicado pela médica que a atendeu que nenhum dos exames que permitiriam despistar as suspeitas que tinham do mal que a acometia podiam ser realizados ali! Nice...
Fomos então para o Hospital. Deixei-a à porta da Urgência e quase uma hora depois quem precisava de atendimento urgente era eu, tal foi a dificuldade em encontrar um lugar legal para estacionar o carro sabia-se lá por quanto tempo! Acabei por deixar num parque pago, já que nestes sítios, já sabemos, há sempre lugares que chegam e sobram para as necessidades. Go figure!
Entrei finalmente na urgência, onde fui encontrar a minha amiga, já com a triagem feita, de pulseira amarela no pulso, na sala de espera correspondente: para quem não sabe, o Hospital de Faro tem uma sala de espera para os "verdes" e outra para os "amarelos", e nada para as outras cores, suponho que pelo optimismo desenfreado de quem acha que mais urgentes "laranjas" e "vermelhos" poderão ser todos atendidos no imediato. Oh, santa ingenuidade!
Um placard na parede informava que a espera prevista para os doentes "amarelos" era de 1h30. Brincalhões, os senhores que se dão ao trabalho de escrever estas coisas num placard numa parede de uma sala de espera atafulhada de gente crente no que os olhos deixam ver que é uma mentira completa! Ainda não eram 16h00 e na sala ecoavam frases como "estou aqui há quatro horas", "estou aqui desde as 9h00" e afins...
Entre espera, atendimento, exames, novo atendimento, diagnóstico, medicação e saída da urgência, a minha amiga precisou de mais de cinco horas. Eu já lá esperei sete, só para chegar a ver a cara do médico, e por isso, tristemente, tenho de concluir que este até nem foi um caso assim tão dramático de espera. Mas estar umas horas fechada numa sala de espera com gente tão diversa e tão patusca como a que ontem pude apreciar merece, garanto-vos, aprofundado estudo.
Permanecer numa sala de espera de um centro de saúde ou de um hospital português - ou, se tiverem sorte, dos dois na mesma tarde - é uma experiência sociológica que quase nos convence de que há mesmo cromos (e, para nossa desgraça, nem são assim tão raros) como os que vê quem vê os "reality shows" de domingo à noite da TVI. É que eu, pelo menos até ontem, acreditava que aquela gente era fabricada. Que eram actores, foleiros mas actores, pagos para se fazerem passar por pessoas "normais"...
Ontem, porém, vi e ouvi de tudo naquela sala. Desde pessoas que exalavam de cada poro um cheiro nauseabundo a suor de meses ou de ciganos que garantiam ter planos para ter "mais sete ou oito filhos, que são a alegria de um pai" (abençoados rendimentos mínimos!), ou ainda de homens a dizer que iam "para o tasco enfiar copos de whisky para enganar as dores" a ignorantes orgulhosos na ostentação da sua ignorância: uma estava espantada, e crente de que tinha descoberto o "esquema para nos enganarem" de toda a gente ter pulseira amarela. Achava ela que era um embuste "para ninguém se queixar da espera": "Dão pulseira amarela a todos e assim ninguém sabe quem é o mais grave nem quem deve ser atendido primeiro". Expliquei-lhe que aquela era a "sala dos amarelos" e que era apenas por isso que todos tinham a tal pulseira amarela. Olhou para mim como se eu lhe explicasse como se põe a trabalhar um foguetão da NASA e nem se dignou a responder.
A mesma criatura atreveu-se depois a debater questões políticas com as vizinhas de infortúnio: dizia ela, ante o espanto generalizado dos poucos que tinham dois dedos de testa e que o destino sentara naquele espaço diminuto atulhado de cadeiras com e sem rodas, que os jornais e as televisões nos enganam todos os dias. Arregalei os olhos, num primeiro momento, pensando que de facto sairia daquela cabecinha pensadora uma ideia estruturada, mas a senhora saiu-se com esta: "Não percebo como é que dizem que estamos numa democracia se temos um Presidente da República! Se isto fosse uma democracia, teríamos de ter um Presidente da Democracia! Não percebo por que é que dizem que vivemos numa democracia", insistia a senhora. Eu, neste particular, estou com ela. Não sei como pode alguém dizer que se vive numa democracia num país cujos destinos são escolhidos pelo voto deste tipo de pessoas. Democracia? A malta vive é num circo!
quinta-feira, 7 de abril de 2016
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016
Porque não basta ter cérebro, é preciso saber usá-lo...
Gosto de pensar que tenho um cérebro e que sei usá-lo. Não digo que sou um novo Einstein, ou coisa que o valha, mas gosto de pensar pela minha cabeça – acho que ela serve também para isso, e não apenas para experiências com os champôs e os colorantes da moda –, de ter opiniões minhas, fundamentadas pelo meu conhecimento e pela carga empírica que a vida me vai pondo em cima dos ombros. Não entendo, por essa razão, aquela coisa tão tipicamente portuguesa de “emprenhar pelos ouvidos”. Fulano diz-nos uma coisa (normalmente diz mal de Beltrano), e nós, sem tentar sequer averiguar se o que ele diz é verdade, passamos a ter um ódio de morte pelo Beltrano, esse escroque que se finge de simpático mas na verdade deve ter a chave do Inferno debaixo da almofada que usa para dormir! :P
Convenhamos... As opiniões de cada um são isso mesmo: opiniões de cada um. Se uma pessoa – mesmo que seja o teu melhor amigo – tem uma má opinião sobre algo ou alguém, convém que percebas, antes de tomares as dores dele, se essa opinião é válida. Se tem de facto uma razão de ser, ou se resulta, como tantas vezes acontece, do diz-que-disse da malta da zona! Eu, como já disse, gosto de pensar pela minha cabeça. Foi assim que nasceu o nome deste blog, aliás! Numa certa noite do longínquo ano de 2003, quando falava com um amigo sobre tantas e tantas coisas que nos enchem os dias, disse-me ele que achava interessante o facto de eu nunca fazer juízos de valor sobre pessoas e realidades que não conhecia. Que achava muito sensato o facto de eu não tecer comentários, bons ou maus, sobre determinada coisa, até ter pelo menos a chance de a conhecer com os meus olhos, com os meus ouvidos e com a minha capacidade de pensar. Para esse meu amigo, a minha era uma mente despenteada que recusava ser penteada por pentes alheios. Gostei da metáfora, e assim ficou.
Ao longo dos últimos meses tenho confirmado o que, bem no fundo, sempre soube: as pessoas não pensam. Preferem comer a papa que outros prepararam, que dá menos trabalho e no fim é menos a louça que têm para lavar. É sempre mais fácil dizer, quando se prova que estão errados, que “foi fulano que me disse”. Os fulanos mentem. Premeditadamente ou não, por maldade ou ignorância, por descuido ou impreparação, as pessoas mentem, adulteram, traficam ideias que nem sempre correspondem à verdade. E as outras pessoas ouvem, assimilam, não questionam sequer a veracidade dessas ideias. Pois eu não vou por aí. Eu questiono tudo, e depois destes meses a confirmar como a humanidade pode ser mentirosa, dissimulada e hipócrita, faço ainda maior questão de pensar por mim. Costumo dizer que tenho olhos grandes para poder ver bem. E mesmo não tendo orelhas de abano, gosto de pensar que têm o tamanho suficiente para me fazer chegar o que preciso de ouvir. E tenho cérebro, para usar, para pensar, para desconstruir conceitos e construir novas ideias, minhas e só minhas.
Acusam-me frequentemente de ser demasiado frontal. Politicamente incorrecta, verdadeira além da conta, se é que me entendem. Pode ser. Pode ser que, como me dizem, isso me tenha prejudicado ao longo da vida. Nisso acredito piamente, nem contesto. É mais do que certo que por diversas vezes me dediquei a causas que não mereciam o meu empenho e me aproximei de pessoas que não tinham nível para aguentar a minha amizade, ou sequer para a apreciar, até porque as pessoas só gostam de nós enquanto lhes dizemos o que querem ouvir e lhes damos “oupas” às opiniões e aos juízos de valor que proferem, por mais toscos que sejam. Ora, eu não gosto de ser tosca. Estive quase 10 meses na barriga da mãe, acho que tenho a obrigação de ter nascido bem acabada! E por isso, caros amigos, não tenciono mudar uma vírgula na minha forma de ser e de agir, que é sempre – disso faço questão – educada e respeitadora, mas não servil e idiota. Quem não gostar da pinga pode sempre mudar de tasco! ;)
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016
Por que é que as pessoas não têm filhos?
Muitas pessoas têm a mania dos filhos. Se os têm só falam deles, se os não têm fazem contas ao dia em que hão-de tê-los ou lamentam o tempo que perderam a preparar-se para os ter até ao momento em que, quando estavam prontas, já ser demasiado tarde. Se as pessoas não se perguntam por que é que (ainda) não tiveram filhos, há sempre alguém pronto a fazer essa pergunta por elas! "Então, quando é que tens um filho?", "Para quando o rebento?", "Já estão juntos há tanto tempo, não pensam nisso?!"...
Bem sabemos que a população portuguesa está envelhecida, e que faz falta que nasçam muitas crianças, mas nem toda a gente pode ou quer contribuir para esse crescimento demográfico, ainda que reconheça nele um desígnio nacional premente! O que me choca nem é tanto a pergunta, mas antes a insistência, a cobrança, a ideia de que é obrigatório a quem está num relacionamento estável ou atinge uma certa idade o projecto de ter um "rebento". Ou vários. E depois aquela ideia nojenta de que "uma mulher sem filhos é incompleta, é apenas meia-mulher"...
Ter filhos não é nem pode ser algo imposto pelos outros. Ter filhos, ou não os ter, é um assunto nosso, do foro íntimo de cada um de nós, do casal, da família, de cá de casa. Privado! Sei que nem sempre há maldade na pergunta, mas caramba... Se duas pessoas estão juntas há cinco, 10, 15 anos e não têm filhos, ou é porque não querem ou é porque não podem, não vos parece claro?! Parem de perguntar, de exigir, de cobrar um prazo para o que nunca vai acontecer!
Já vos passou pela cabeça que essa pergunta que repetem até à exaustão ecoa todos os dias na cabeça de milhões de pessoas em todo o mundo, como uma obrigação a satisfazer para gáudio e capricho de terceiros, para quem é fraco e não pensa pela própria cabeça, ou como uma triste confirmação de uma incapacidade, de um "defeito" que nos tolhe e nos deprime, se ter filhos era algo que queríamos muito, desde miúdos, mas que afinal nos é impossível ter? "Para quando um rebento?", perguntam vocês. E para quando meteres-te na tua vida, perguntamos nós!
Por circunstâncias imensas e muito variáveis há pessoas que não podem ter filhos ou que escolheram não os ter. Get over it! Mesmo sendo pessoas amorosas, que adoram crianças, que se emocionam com as crianças dos outros, há pessoas que nunca vão ter filhos, fixem bem isto! Habituem-se à ideia! E parem de os exigir, de os reclamar! Porque um dia destes a pessoa farta-se de ouvir a pergunta e quando lhe perguntarem pelo rebento arriscam-se a que ela vos rebente a cara toda! Just saying...
sábado, 20 de fevereiro de 2016
Do amor, que é cego e louco...
Tenho um amigo que está a sofrer por amor. Bem, pelo menos um! É possível que tenha vários amigos acometidos pelo mesmo mal, mas apenas este o demonstrou de forma inequívoca e falou comigo sobre o assunto. Ouvi-o, tentei dar-lhe bons conselhos. Não que seja guru nestas coisas, mas com o saber feito de quem ajudou outras pessoas com problemas semelhantes, e de quem, há anos-luz, tantos que parecem já ter pertencido a outra existência, também sofreu dos males do coração. Acontece aos melhores...
O meu amigo só quer ser feliz. Diz que encontrou a pessoa que há-de fazê-lo feliz, e que ele quer fazer feliz. Eu não acredito em pessoas felizes. Ninguém é feliz. Há momentos felizes, e todos os queremos em grande número, mas não é possível ser-se feliz a toda a hora, e por isso ninguém “é” feliz. As pessoas “estão” felizes em dado momento, “ficam” felizes quando estão com outras pessoas, quando partilham com elas os melhores momentos das suas vidas, mas ninguém “é” feliz, e sobretudo ninguém faz outra pessoa ser feliz. Nem por amor, nem por falta de amor (há pessoas que mais nos vale que não nos amem, acreditem!).
O amor é simples. Verdadeiramente simples, na verdade. Como quase tudo na vida. O amor tem uma lógica: duas pessoas encontram-se, apaixonam-se, querem estar juntas. Amam-se. O chato é quando o processo é unilateral, e um ouve campainhas e sente borboletas no estômago de cada vez que o outro se aproxima, mas o outro revela a sensibilidade de uma pedra... E isso é complicado. O amor é simples, o não-amor é uma complicada tormenta...
quarta-feira, 25 de novembro de 2015
PRESIDENCIAIS 2016: Manuela Gonzaga, candidata à sucessão de Cavaco Silva com apoio do PAN, visita Distrito de Faro no início de Dezembro
Manuela Gonzaga nasceu no Porto, em 1951. Foi jornalista durante mais de 30 anos, primeiro em Moçambique e em Angola, mais tarde em Portugal, onde colaborou com várias publicações. Escritora e autora de vários livros (romances, romances históricos, biografias, contos e literatura infanto-juvenil), é também historiadora. Recentemente, no âmbito das eleições presidenciais de 2016, é protagonista de uma candidatura a Belém, contando com o apoio do PAN – Pessoas, Animais, Natureza, a causa em que milita activamente desde 2012. É no papel da candidata à sucessão de Cavaco Silva que visita o Distrito de Faro no início de Dezembro.
O programa da visita ao nosso distrito, agendada para os próximos dias 5 e 6, está ainda a ser ultimado, mas confirma-se desde já uma reunião na Associação Recreativa e Cultural de Músicos (prevista para o final da tarde de domingo) e a realização de uma Oficina de Escrita na Biblioteca Municipal de Loulé, agendada para as 15h00 de sábado e com duração prevista de duas horas. Pode saber mais sobre este evento e acompanhar toda a informação aqui!
segunda-feira, 23 de novembro de 2015
Evento AWBN de Novembro apoia PRAVI – Núcleo de Faro
A Algarve Women’s Business Network (AWBN) realiza na próxima quinta-feira, dia 26, em Faro, o seu último meeting deste ano. O encontro, de mulheres e para mulheres, está marcado para as 18h00, no Hostel 1878, e terá como causa social o Núcleo de Faro da PRAVI, mas não faltarão motivos de interesse, já que esta sessão é dedicada ao tema «Começar de novo, com a criação do próprio emprego», e terá como oradora Cristina Ramalho, da marca Retalhos & Retalhinhos. A entrada é gratuita, mas todas as participantes – que deverão formalizar previamente a sua inscrição – são convidadas a fazer um donativo, em dinheiro ou em géneros (comida ou areia para gato, por exemplo), a favor daquela associação.
O grupo AWBN tem já uma história de 25 anos. Nasceu no seio de uma comunidade estrangeira radicada no Algarve, mas rapidamente se expandiu para a comunidade geral e tem hoje como rostos representativos desta filosofia quatro mulheres: Cláudia Fonseca, Lisa Santos, Manuela Sabino e Sónia Rodrigues. Acreditando que “a união faz a força”, estas quatro empresárias têm promovido estes encontros, que não têm qualquer vertente comercial e são abertos a todas as mulheres interessadas em participar, desde que, até à véspera de cada reunião, façam a sua inscrição para o e-mail awbn.info@gmail.com.
O encontro da próxima quinta-feira será o último do que as dinamizadoras definem como “um ano de mudança para a AWBN”, recordando que desde que tomaram as rédeas deste projecto foram organizados nove encontros, com outras tantas causas sociais apoiadas, em sete zonas do Algarve, que contaram com o apoio de 77 patrocinadores e fizeram felizes mais de 500 mulheres da região, que tinham como objectivo comum a partilha de conhecimento e o interesse pela área do networking.
A PRAVI – Projecto de Apoio a Vítimas Indefesas desenvolve o seu trabalho na área da proteção de animais vítimas de abandono e maus-tratos – actuando no resgate de animais abandonados ou em risco, no alojamento, na alimentação e na assistência veterinária a esses animais, e na promoção de campanhas de esterilização, adopção e sensibilização –, ao mesmo tempo que leva a cabo o seu programa de terapia assistida com animais a crianças e idosos, sempre em regime de voluntariado.
quarta-feira, 18 de novembro de 2015
Cidades algarvias de Faro e Tavira associam-se à Marcha Climática Global, antecipando a 21ª Cimeira do Clima, marcada para Dezembro em Paris
O ano de 2015, agora quase a chegar ao fim, poderá ter sido o mais quente de sempre, fruto das alterações climáticas que há décadas estão em curso no nosso planeta. Na 21ª Cimeira do Clima (COP 21), agendada para o próximo mês de Dezembro em Paris, centenas de responsáveis políticos de todo o mundo deverão tentar alcançar um acordo climático global que ajude a travar os efeitos nefastos dessas mudanças: encontrar uma plataforma de entendimento que permita diminuir as emissões de gases com efeito de estufa, e dessa forma travar o aquecimento global, limitando o aumento da temperatura global a dois graus centígrados até 2100, é o grande objectivo desta reunião, cuja realização poderá estar ameaçada na sequência dos recentes atentados terroristas na capital francesa e da ameaça de novas ocorrências que paira sobre a cidade.
Um pouco por todo o mundo, e também em Portugal – e mais concretamente no Algarve – estão a ser preparadas iniciativas prévias ao encontro de governantes, que visam envolver os cidadãos na tomada de consciência face à situação preocupante em que vivemos, também no contexto do Ambiente. Assim, tal como acontecerá em Paris, Estocolmo, Tóquio, Amesterdão, Copenhaga, Berlim, Londres, Barcelona, Sevilha, Roma, Lisboa, Edimburgo, Oslo, Helsínquia, Sidney, Beirute, Joanesburgo, S. Paulo, Cidade do México ou Nova Deli, também a algarvia Tavira se associará, no próximo dia 29 de Novembro, à Marcha Climática Global, um evento que procurará enviar a todos os participantes da 21ª Cimeira do Clima, em Paris, a mensagem de que é urgente apostar na defesa dos recursos naturais, na sustentabilidade do planeta e nas energias renováveis, por oposição à aposta na indústria de exploração de petróleo.
28 de Novembro
no Mercado de Faro
No âmbito desta mobilização mundial pelo Clima, também a Cidade de Faro ocupará a linha da frente do protesto que urge fazer: já no dia 28 de Novembro, no Mercado Municipal, terá lugar um amplo conjunto de acções de informação e sensibilização para esta problemática, visando alertar os cidadãos para as consequências da exploração desenfreada e caótica dos recursos naturais do planeta. Esta é uma questão que afecta todo o globo, mas que no Algarve começa a ser verdadeiramente sentida, e é por isso fundamental que toda a comunidade tenha noção da relevância do assunto. Não se trata apenas de expressar o nosso descontentamento perante a ausência de decisões políticas que levem a um maior respeito pelo Ambiente! É preciso tomar medidas para travar e reverter as situações que nos penalizam a nível ambiental, económico e social, prevenindo o agravamento de um problema que poderá ditar o fim do nosso planeta tal como o conhecemos.
E porque o primeiro passo para agir é conhecer o problema, as suas causas e as possíveis formas de o solucionar, no próximo dia 28 o Mercado Municipal de Faro acolherá palestras com temas que vão desde a permacultura à exploração de petróleo, às energias renováveis e ao veganismo, com sessões de showcooking para fomentar opções alimentares mais saudáveis. Estarão ainda presentes várias empresas e associações dedicadas a causas e soluções de eficiência ambiental e energética. Com a realização deste evento, a Cidade de Faro poderá afirmar-se como um grande pólo de sensibilização para a temática do Ambiente, do respeito pelo planeta e por todos os que nele vivem. É, com toda a certeza, um evento a não perder!
quinta-feira, 29 de outubro de 2015
Um pobre não gosta de se sentir pobre, por muito pobre que seja...
Um pobre nunca gosta de sentir que parece pobre, por muito pobre que realmente seja (é ou não é verdade?), e por isso é que, embora fuja deles a sete pés e lhes diga sempre que não estou interessada, não consigo evitar ficar um pouco triste quando um dos senhores dos quiosques Barclaycard dos centros comerciais olha para mim e decide não meter conversa. Pensará ele que não tenho estaleca para ter um cartão de crédito?! Logo eu, que gosto tanto de compras?!
Mau mesmo foi daquela vez em que, num centro comercial do Grande Porto, uma senhora que tentava impingir o dito cartão a todo e qualquer um que por ela passasse, ficou cheia de pena de mim quando lhe disse que estava desempregada há vários anos e que, mesmo que eu quisesse, ninguém me daria um cartão de crédito. Perguntou-me ela se não teria “um biscatezito, a fazer limpezas ou assim”.
Tenho de dizer que nada tenho contra as senhoras que fazem limpezas, pelo contrário! Só tenho admiração pela garra que têm para um trabalho que é exigentíssimo, muito puxado fisicamente e que, como é normal neste país, é muito mal pago. Mas caramba... por que raios achou aquela criatura que eu poderia ter “um biscatezito, a fazer limpezas ou assim”?!
Hoje fui às compras ao shopping e, apesar de vestir roupa simples e estar no meu natural estado de descabelamento, o senhor do Quiosque Barclaycard lá meteu conversa. “É só um minuto”, dizia ele. Demorou um bocadinho mais. Quando me ouviu dizer que estou desempregada desde 2009 franziu o sobrolho, fez um estalido com os lábios, aquele ar de pena... E depois perguntou-me se não gostaria de trabalhar no quiosque do Barclaycard. Ora aí está um desfecho inusitado para a tal conversa de um minuto sobre cartões de crédito para pobres que não gostam nada de parecer pobres.
Quando lhe perguntei por que rodam tanto os funcionários destes quiosques, não se atrapalhou – o que me fez gostar dele. Vê-se que tem veia de vendedor. “Sim, há uma grande rotatividade, porque este é um trabalho muito desgastante”, esclareceu. Eu, que até acredito que seja muito desgastante tentar vender cartões de crédito a quem os não quer ou não pode tê-los, completei a versão do meu gentil interlocutor, questionando-o se esse desgaste não resultaria da tal rotatividade elevadíssima, e se esta não se deveria ao facto de não venderem nada e por isso não cumprirem os objectivos irrealistas que lhes são impostos por quem os contrata.
Garantiu-me que não. Que “há pessoas a conseguir um rendimento mensal muito elevado”, e deu como exemplo colegas que chegam a receber mais de dois mil euros por mês. Ora, pegando numa anterior conversa que mantive há uns anos, em Vila do Conde, com outro funcionário de um quiosque destes, e tendo como verdade o que me disse - que por cada contrato celebrado o vendedor recebe 15 euros, pagos contra a emissão de recibo verde -, fiz as contas: para alguém receber dois mil euros teria de vender 133 cartões por mês. Isto sem passar recibo verde, porque como nesse caso metade do que se ganha vai para impostos, a criatura teria de impingir mais de 250 cartões por mês para chegar aos tais dois mil euros! Alguém acredita nisso? Eu não. Sou pobre, mas não sou pobre de espírito!
E assim se conclui, em pouco mais de um minuto, que a lábia de um vendedor o faz dizer coisas disparatadas com o ar mais sério deste mundo, como se de facto acreditassem no que dizem. Vim de lá com pena do rapaz, que todos os dias se veste e perfuma elegantemente para estar ali, horas a fio, de pé, a pedir “um minutinho” às pessoas que passam e se esforçam por ignorá-lo. Gostei dele pela resposta pronta que soube dar-me, não tanto pela mentira descarada em que queria que eu acreditasse. Despedi-me com um sorriso e um “dois mil euros?! Nem você acredita nisso”. Ele sorriu também e lá ficou, a desgastar-se...
Centro Comunitário de Estoi promove Jantar de S. Martinho solidário
O Centro Comunitário de Estoi realiza no próximo dia 14 de Novembro, sábado, pelas 19h30, na sua Tenda de Eventos, o seu Jantar de S. Martinho. Trata-se de um evento de solidariedade, cuja receita reverterá para a compra de equipamento para o parque infantil e materiais didácticos para a Creche e Jardim-de-Infância «O Caracol».
Os bilhetes, que dão acesso ao jantar (lombo com castanhas) e ao programa de animação, têm um preço unitário de 20 euros, e poderão ser adquiridos no Centro Comunitário ou na creche, podendo ser reservados através do endereço de e-mail tendadeeventos.ccestoi@gmail.com. A organização disponibiliza ainda, para quem tiver essa necessidade, o transporte da Aldeia de Estoi para o evento, assim como o regresso a casa no final da festa.
Para mais informações: 289 998 402 – 927 200 825 – 963 936 450
terça-feira, 27 de outubro de 2015
Faro: Animais de Rua na Festa da Abóbora da Sardinha de Papel
O Núcleo de Faro da Animais de Rua vai, no próximo dia 31, sábado, participar activamente na Festa da Abóbora que a loja de artesanato Sardinha de Papel (Rua Conselheiro Bivar, nº 83, na baixa da cidade) vai promover com a presença de todos os artesãos que têm o seu trabalho exposto e à venda naquele espaço comercial.
No âmbito da parceria celebrada em finais de Agosto, que permite à Animais de Rua expor de forma gratuita na loja os seus artigos de merchandising, para que possam ser ali adquiridos por quem pretenda apoiar o trabalho de esterilização massiva de animais abandonados e carenciados que a associação leva a cabo, o Núcleo de Faro da AdR foi também convidado a fazer parte da festa.
Assim, os voluntários da Animais de Rua apresentarão também a concurso uma abóbora decorada a preceito para o evento. Não estará sujeita a prémio, como a dos restantes expositores participantes, pelo simples facto de que ao vencedor será oferecida a próxima mensalidade relativa à presença na loja, a cujo pagamento a AdR, por ser uma causa social e de promoção do bem-estar animal, não está vinculada.
Não obstante, o Núcleo de Faro da Animais de Rua quer contar com a presença de todos, e com os votos de quem apreciar a sua abóbora. A festa vai ter contos de horror, workshops, pinturas faciais e muita música, assegurada por Tony Love DJ Set. O arranque da celebração está programado para as 16h00, mas a diversão deverá invadir a noite e a madrugada de domingo, dia 1 de Novembro. Apareça, vote na sua abóbora favorita e divirta-se! Vai ser uma festa de assombro!
Mais informação aqui!
CIAA promove leilão solidário para ajudar animais
O CIAA – Combate à Indiferença e ao Abandono Animal está a promover desde o passado dia 24, no Facebook, um leilão solidário. O objectivo desta iniciativa, a que poderá associar-se clicando aqui, é a angariação de fundos para ajudar o CIAA, um empenhado grupo de cidadãos que trabalha exclusivamente em regime de voluntariado, a suportar o enorme volume de despesas decorrente do facto de, neste momento, ter a seu cargo cerca de meia centena de animais.
Entre peças de roupa, livros, brinquedos, vouchers para massagens e sessões fotográficas, entre outros artigos, são já perto de 100 as propostas a que pode aderir, com preços a partir de 1 euro. Ao licitar já estará a ajudar os muitos animais abandonados ou negligenciados, feridos ou a necessitar de tratamento médico urgente, esterilizações ou outro tipo de assistência. Entre no grupo e ajude, licitando os produtos disponíveis ou doando novos artigos para leiloar. A vida destes animais depende de si!
quinta-feira, 22 de outubro de 2015
Crazy cat ladies ou nem por isso...
Alexandra Falardo tem
37 anos e é voluntária da Animais de Rua desde 2011, altura em que fundou,
praticamente sozinha, o segundo núcleo da associação no Algarve (o primeiro
tinha sido criado em Lagos, cerca de um ano antes). Tem actualmente 15 gatos em
casa, a maior parte deles recolhida em situações de risco e destinada a adopção.
Enquanto aguardam o dia em que finalmente terão o lar e a família que merecem,
vão ficando. E entretanto vão chegando mais…
Joana Silva tem 23
anos, é uma das mais recentes voluntárias do núcleo (função que acumula com o
voluntariado no Canil de S. Francisco, em Loulé, na Cruz Vermelha e no Refúgio
Aboim Ascensão). Além de participar nas capturas, é família de acolhimento
temporário de quatro gatos e recentemente acolheu, por alguns dias, um cão
jovem que encontrou junto a um contentor do lixo.
Alexandra e Joana não
são duas “crazy cat ladies” como as que vemos nos filmes. Não são velhotas
solteironas e rabugentas que conspurcam as ruas com sacos de arroz cozido e que
“armazenam” gatos para mascarar a solidão. São jovens sensíveis e atentas ao
mundo que as rodeia, que não resistem ao ímpeto de ajudar e proteger animais em
risco, e que fazem de tudo para lhes assegurar uma vida mais digna, mais
tranquila e mais feliz.
Quando uma gata de
rua morre no parto e deixa órfãs, com minutos de vida, cinco bolinhas ainda sem
pêlo, o que pode um ser humano fazer? Virar costas sorrateiramente, como quem
não viu nada, e convencer-se de que não podia ajudar? Ou pegar nos gatinhos,
embrulhá-los em mantas quentes, no calor do coração enternecido, e dispor-se a
criá-los a biberão, alimentando-os de duas em duas horas, de dia e de noite,
sabendo que eventualmente perderá um, ou dois, ou três…, mas que com sorte
conseguirá salvar algum? Para Alexandra a questão nem se coloca! Se há hipótese
de salvar uma vida, mesmo que remota, se é possível, ainda que muito difícil, é
esse o caminho.
Joana pensa e age da
mesma forma. Se um animal precisa de um lar, de um porto seguro, mesmo que
temporário, que importa se a casa está lotada? “Cá em casa é assim que os
animais são educados: com muito carinho”, dizia há dias num post do Facebook, ilustrado
com uma fotografia que acabaria por servir de cartaz numa campanha de
angariação de famílias de acolhimento do Núcleo de Faro da Animais de Rua. Não
é tarefa fácil. Encontrar famílias que se disponham a acolher um cão ou um gato
de rua, ajudando a prepará-lo para ser adoptado e feliz, é tão complicado como
encontrar voluntários com tempo e vontade para ajudar nas capturas, no
transporte para as clínicas, na distribuição de ração, nos eventos, na venda de
merchandising…
O Núcleo de Faro da
Animais de Rua, como a generalidade das associações, tem poucos voluntários, e são
quase sempre os mesmos a acudir a todas as situações. Não são super-heróis, mas
todos os dias salvam vidas. Não têm capa e espada, nem sequer poderes
inimagináveis ao homem comum, mas todos os dias vestem a camisola do amor pelos
animais, e tudo fazem para lhes dar as condições de vida e de dignidade que merecem.
Todos os dias acordam e adormecem a pensar nos cães e nos gatos que só conhecem
porque outros os abandonaram ou negligenciaram. Têm vitórias para celebrar e
derrotas para lamentar. Vidas que ganham, vidas que perdem. Faz parte. Às vezes
choram, mas são mais, felizmente, as vezes em que sorriem. Estão com os animais
de rua, de coração, todos os dias e todas as noites. Sempre.
Texto e foto: CARLA TEIXEIRA
Publicado no jornal «Barlavento» de 15 de Outubro de 2015
sexta-feira, 7 de agosto de 2015
Livro «António Marinho e Pinto – Mudar Portugal», de Orlando Castro, será amanhã apresentado na nova sede do PDR, em Armação de Pêra
O livro «António Marinho e Pinto – Mudar Portugal», da autoria de Orlando Castro, jornalista e chefe de redacção do jornal angolano «Folha 8», vai ser apresentado amanhã, pelas 18 horas, em Armação de Pêra, no Algarve. A apresentação ocorre no âmbito da cerimónia de inauguração da sede do PDR – Partido Democrático Republicano (sita na Rua D. João II, Loja nº 6, Edifício Paula), de que Marinho e Pinto é presidente. O autor da obra não estará presente, mas adiantou ao Mente Despenteada algumas palavras sobre o que podemos esperar ao ler o que define como “uma grande entrevista com uma figura incontornável do actual cenário político português”.
De facto, enquanto a generalidade dos políticos portugueses pensa sempre muito bem no que vai dizer, Marinho e Pinto é um político, talvez o único, que diz exactamente aquilo que pensa e que não se coíbe de defender as ideias em que acredita, venha quem vier! “Sem papas na língua”, como diz o povo, o ex-jornalista, antigo bastonário da Ordem dos Advogados, eurodeputado e agora líder partidário tornou-se conhecido da maior parte dos portugueses pela forma aberta e aguerrida como se manifesta sempre em defesa das suas ideias, sem medo de “comprar uma guerra” com os seus detractores.
São características em que Marinho e Pinto não difere tanto assim de Orlando Castro, homem intrépido e jornalista especializado em questões relacionadas com a Lusofonia que há muito assumiu como forma de estar na profissão o diapasão de que “o poder das ideias tem de estar acima das ideias de poder”, e que “não se é Jornalista seis ou sete horas por dia a uns tantos euros por mês, mas sim 24 horas por dia, mesmo estando (des)empregado”. A trabalhar a informação de Portugal e de Angola, cedo percebeu que, em qualquer destes países, “os donos do poder preferem ser mortos pelo elogio do que salvos pela crítica”, mas enquanto cidadão e enquanto jornalista sempre fez questão de se apresentar “com nome, rosto e identificação” em tudo o que diz e escreve.
O livro que hoje é apresentado em Armação de Pêra resulta, segundo contou Orlando Castro ao Mente Despenteada, de um conjunto de conversas que manteve com o agora líder do PDR. “Todo o passado de António Marinho e Pinto, sobretudo enquanto jornalista e bastonário da Ordem dos Advogados, bem como o seu presente, como político, mereciam ser do conhecimento público”, considera, acrescentando que “é isso que este livro pretende mostrar”. Afinal, continua, “por alguma razão o povo gosta do que ele diz, das suas bandeiras de luta, da sua forma directa de abordar as questões. Ele é dos raros políticos que diz o que de facto pensa. Em oposição aos seus congéneres, que quase sempre pensam no que vão dizer e, por isso, ou ficam calados ou... mentem”…
«António Marinho e Pinto – Mudar Portugal» é certamente uma obra a não perder! Editado com a chancela da Verso de Kapa e distribuído pela Bertrand, do Grupo Porto Editora, o livro estará disponível para venda nas principais livrarias de todo o país e também online, bastando para esse efeito contactar a editora (info@versodakapa.pt).
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Ao amigo e camarada Orlando o Mente Despenteada deseja muito sucesso na venda de mais uma obra, na certeza de que cada página evidencia a clarividência, a assertividade e o respeito pela verdade dos factos a que desde sempre nos habituou. Força, companheiro! :)
domingo, 2 de agosto de 2015
TRANSPLANTE CAPILAR: A importância de (não) ser careca!
Houve uma altura na história do homem em que ser careca era um estigma. Uma espécie de sarna ou de peste, tão vergonhosa que se escondia – ou que tentava esconder-se, por vezes com resultados para lá de caricatos) a qualquer custo. Não havia, nesse tempo, carecas premeditados. A não ser, talvez, uns quantos rapazolas que se baptizaram de skinheads e que pareciam achar o máximo essa coisa de se ser careca. A maior parte das criaturas humanas, contudo, não achava graça alguma à circunstância de ter um aeroporto em cima do pescoço!
Depois, quase de repente – eu pelo menos senti que era tudo muito repentino! –, ser careca era a coisa mais in e mais fixe deste mundo e do outro, e o “eu não quero ir à máquina-zero” do Rui Veloso um hino ao que de mais serôdio podia haver. Afinal, quem é que não gostava de ser careca, se até se dizia que era dos carecas que elas – nós – gostavam mais. No meu caso até é verdade, que foi a um careca que há uns anos entreguei o coração, mas o meu careca é um careca a sério, dos verdadeiros, e não daqueles que rapam o cabelo e se fazem carecas, muitas vezes precisamente para esconder que estão a ficar sem cabelo!
Ser careca deixou de ser um estigma para passar a ser uma moda, e os homens deixaram de chorar às escondidas todas as manhãs enquanto desfaziam a barba ao espelho para passarem a rapar o cabelo todo, com recurso a uma máquina própria ou mesmo com a tal lâmina da barba. Ainda estou para saber de onde veio essa ideia peregrina, mas imagino sempre que foi um gajo que tinha bebido uns copos a mais que um dia, a tentar desfazer a barba, se enganou e desfez o cabelo! Mas curiosamente a moda pegou, e de que maneira! Em tempos conheci um fulano que andava sempre cheio de cortes a escorrer sangue pela cabeça abaixo, mas não parecia importar-se nada com isso. Eu achava aquilo medonho.
Isto tudo para dizer que os carecas estão aí, a cada passo que damos. Uns assumidos e felizes, por não darem grande importância ao assunto, outros macambúzios e envergonhados, escondidos por baixo de perucas horrendas ou a contar os trocos para fazer um transplante capilar mal acabem de pagar a casa, o carro, o telemóvel, o portátil, o tablet, a bicicleta que deram à mulher e a Bimby que ofereceram à sogra. Concentremo-nos nesses. Porque dos carecas premeditados não reza a história, falemos dos tais carecas acidentais e descontentes, os que, se pudessem, vendiam o que têm e o que ainda não pagaram para fazer o dito transplante. Boa notícia para vocês: nunca foi tão fácil deixar de ser careca!
CARECA NO MORE!
Ter um namorado careca faz que com de vez em quando esse assunto venha à baila nas conversas com os amigos. Ter esse namorado e um amigo que, não sendo careca nem nada que se pareça, chegou em tempos a temer vir a sê-lo, quando lhe começou a cair mais cabelo do que era habitual, levou-nos há dias novamente a esse tema de conversa. Dizia-lhes eu que, de há uns tempos para cá, me parece muito evidente que o número de carecas está a aumentar, e que cada vez há mais homens ainda muito jovens a perder completamente, ou quase completamente, o cabelo. Fiz uma pequena pesquisa na internet e a minha convicção ganhou raiz e instalou-se de pedra e cal por baixo da minha vasta cabeleira (sim, que eu não devo correr o risco de ficar careca nesta vida!).
As estatísticas que encontrei deram-me razão: se é verdade que 60 a 70% dos homens ficam carecas já depois dos 40 anos (na flor da idade, portanto), há outros 20 a 30% que conhecem a calvície entre os 20 e os 30 anos, e uma surpreendente franja de cerca de 10% que começa a perder cabelo ainda antes dos 20! Oito em cada 10 homens ficam calvos em idades cada vez mais jovens. E também há mulheres que sofrem com este problema, que causa uma enorme perda de auto-estima e muitas, muitas depressões, com todos os problemas daí decorrentes. As razões para a calvície são essencialmente genéticas, mas há cada vez menos portugueses a conformar-se com a genética e com essa situação.
Nessa conversa, dizia eu aos meus amigos que uns dias antes tinha tido conhecimento, através de uma amiga, de que há no Porto (e em Lisboa também, mas isso agora não interessa nada!) uma clínica que faz transplantes capilares com recurso a tecnologia de ponta, e que essa tecnologia inovadora, até agora inédita em Portugal, consegue reverter a calvície com efeitos visíveis logo a partir do primeiro dia. Ficaram maravilhados, e eu prometi que ia tentar saber mais. Aqui está o que consegui apurar: a clínica é a Saúde Viável e a razão de tanto maravilhamento é um robot, porque os robots, como nos filmes, têm a mania de causar revoluções em todo o lado por onde passam! Ora, este robot parece ser realmente espectacular. Chama-se ARTAS (não confundir com artolas, que no Norte esse é um adjectivo pouco positivo), e o melhor que há a dizer dele, penso, é que opera um procedimento menos invasivo, que não deixa cicatrizes nem marcas, e que por isso permite uma recuperação mais rápida.
Querem ver uma fotografia do ARTAS? Aqui está ela!
O ARTAS veio tornar os transplantes capilares mais rápidos, mais precisos e mais eficazes. Com a utilização do aparelho podem ser extraídos e logo depois implantados cerca de seis mil cabelos! Um fartote, não é? Ah pois! O procedimento realiza-se em sete horas apenas (metade do tempo que exigem as técnicas manuais), com os resultados a serem perceptíveis logo desde a primeira sessão, ainda que a transformação seja gradual. Não sei se seria bom um homem entrar na clínica careca e sair de lá, sete horas depois, a sofrer de hirsutismo e a ter de ir a correr actualizar os documentos por já não parecer ser ele o gajo das fotos! O efeito final é alcançado em seis meses, garante a Clínica Saúde Viável, a única em Portugal em que este procedimento já está disponível.
Desenvolvido nos Estados Unidos e aprovado pela agência norte-americana do medicamento (a Food and Drug Administration), o ARTAS foi distinguido em 2013 com o Galardão de Ouro dos Prémios Edison, tidos como os óscares da Inovação. A sua aquisição representa um investimento de cerca de 500 mil euros. Um esforço financeiro considerável, mas que se justifica com o facto de este aparelho dar às equipas médicas que operam com ele 50 imagens por segundo, possibilitando assim a definição imediata de um plano de transplantação adequado a cada caso e a cada paciente.
Chega por isso de lamúrias! Carecas, a hora é agora! Ganhem coragem! Ponham-se em frente ao espelho, mirem bem o brilho e a jactância do vosso aeroporto privado, porque estão prestes a perdê-lo para sempre! Chegou o tempo de dizerem “careca no more”. E depois de dizer, é só fazer. Corram ao Porto (ou a Lisboa, vá...), contactem a Clínica Saúde Viável e programem a coisa. E sejam felizes! :)
sexta-feira, 5 de junho de 2015
Um ano de Cookie, um amor para toda a vida!
Faz hoje um ano que adoptámos a Cookie. Foi por acaso que a conheci, como foi por acaso que conheci quem ma apresentou e quem me apresentou quem ma apresentou. Quando estive internada no Porto conheci a Orlanda, que depois, sabendo que me tinha mudado para Faro, me apresentou e me fez “amiga do Facebook” da Cecília, que definiu como uma “amiga dos animais”. Foi a Cecília que naquele fabuloso fim-de-tarde me pôs nas mãos a minha primogénita. “Olá, eu sou a tua mamã”, atirei eu àqueles olhos grandes e amarelos que se lançavam aos meus como flechas, indagando quem era e o que lhe queria. Li no olhar da Cecília, bondoso como ela, que tinha apreciado o carinho que pus na voz na primeira vez em que falei à minha miúda.
O amor nasceu logo ali, brotando da sementinha que, horas antes, a Cecília tinha lançado à terra através do Facebook, ao publicar o anúncio de uma gatinha para adopção. A Cookie deveria ter entre seis e oito meses. Decidimos depois, por falta de melhor informação, que aquele seria o dia em que completaria os sete meses. Era pequenina e escanzelada, tinha o pêlo eriçado e sem brilho, e toda ela era olhos. Olhos inequivocamente amarelos, que mais tarde foram esverdeando. Era linda. É linda, mas agora mais cheia de carninha, de brilho, de manifestações amorosas de graça e de uma candura que parecia impossível de atingir, tal era o medo que demonstrava de tudo e de todos. Apesar de ter dormido encostadinha a mim logo na primeira noite, ronronando com as minhas festinhas e deixando que lhe pusesse a mão por cima, em jeito de abraço, demorou meses a confiar em mim ou no papá. Em deixar-se tocar sem reagir, sem arranhar, sem tentar fugir.
A curiosidade, tão característica nos felinos, ganha na Cookie novos contornos: faz dela uma sombra de cada gesto meu, de cada movimento. Segue-me para todo o lado desde o primeiro dia, a ponto de me surpreender enquanto durmo, com gritinhos quase mudos (a Cookie nunca miou), toques ao de leve com as patinhas e até lambidelas no cabelo (esse vício nunca perdeu), quando arrumo a casa ou até no banho. É a minha sombrinha, e só deixa de o ser, por pouco tempo, quando se deixa ficar à janela, “a ver os pipius” até adormecer. Quando acorda vem sempre cumprimentar quem estiver em casa, e é cada vez mais faladora e meiga no cumprimento. Até me ralha quando saio de casa e não a levo, que é quase sempre.
Meio ano depois de adoptarmos a Cookie trouxemos para casa a Sushi. Depois de cerca de três meses a alimentá-la na rua, juntamente com outros dois gatinhos que dividiam com ela um barracão em Faro, o inesperado momento em que ela, além de comer tudo o que lhe levei naquela noite, resolveu saltar-me para o colo precipitou a adopção que nos últimos tempos equacionávamos. Tinha lido que “os gatos são mais felizes aos pares”, e mesmo sabendo que a convivência entre duas fêmeas pode ser complicada, arriscámos. A Cookie poderia ser mais feliz com uma irmã, e a Sushi vivia na rua, entregue à fome e ao frio que naquela altura, Dezembro, era cortante. Tínhamos de a trazer.
A adaptação não foi (não está a ser!) fácil, mas a cada dia que passa elas parecem entender-se e aceitar melhor a ideia de que ambas estão para lavar e durar cá em casa. E nós não podíamos estar mais certos de que fizemos a melhor escolha possível. As nossas meninas são duas gatas, e as gatas, toda a gente sabe, são as melhores pessoas do mundo! A Cookie está connosco há um ano, a Sushi há meio. E parece (juro, parece mesmo!) que sempre aqui estiveram, que sempre fizeram parte de nós. Ou somos nós que fazemos parte delas, nem sei bem. Acho que somos partes do mesmo fruto, no fundo. Amor deve ser isto! :)
segunda-feira, 1 de junho de 2015
Faro recebe Encontro Internacional de Turismo Cultural
FOTO: HÉLIO RAMOS (S. Lourenço, Almancil)
Faro acolhe na próxima quarta-feira, 03 de junho, o Encontro Internacional de Turismo Cultural – Projeto Umayyad, um evento que se enquadra na criação da Rota Omíada que irá percorrer o legado da dinastia árabe omíada na cultura e património de vários países mediterrânicos, entre os quais Portugal, informa a RTA.
O encontro internacional decorrerá no Museu Municipal de Faro, entre as 09h45 e as 13h00. Além do presidente do município, Rogério Bacalhau, do presidente da Região de Turismo do Algarve (RTA), Desidério Silva, e da diretora regional de Cultura do Algarve, Alexandra Gonçalves, o evento contará com a presença dos parceiros internacionais do projeto.
Mas este encontro é apenas um dos momentos previstos no programa da visita à região do comité diretivo do projeto Umayyad. Esta comitiva de 25 pessoas chegará ao Algarve logo no dia 02 para reuniões de trabalho, às quais se seguirá o encontro do dia 03, aberto ao público, e um passeio no dia 04 por Castro Marim, Alcoutim, Cacela Velha e Tavira, tendo os três últimos locais vestígios omíadas, datados de 711 a 1031.
«Umayaad» ou «Rota Omíada» é o nome do percurso turístico que junta sete países ligados ao Mediterrâneo – Itália, Tunísia, Egito, Jordânia, Líbano, Espanha (Andaluzia) e Portugal (Algarve) – e um património comum a todos eles: a herança dos omíadas. Na região algarvia, a presença desta dinastia fez-se sentir por mais de três séculos.
O projeto da rota transnacional que dará a conhecer a história do império omíada no mundo arrancou em 2013, tem sítio oficial na Internet, em http://umayyad.eu, e um folheto próprio que chegará em junho aos 21 postos de turismo do Algarve. O Umayyad está agora na fase final, com a sinalização no terreno e o desenvolvimento de materiais de apoio para que até ao final do ano seja possível colocar os pés na primeira rota omíada do mundo, segundo a RTA.
A representação portuguesa no projeto Umayyad é assegurada pela RTA e pela Direção Regional de Cultura do Algarve, que lideram o grupo de suporte local que está a implementar o itinerário na região. A nível global, a Rota Omíada é liderada pela Fundação El Legado Andalusí e co-financiada pela União Europeia, através do programa ENPI – European Neighborhood and Partnership Instrument.
“Quando atravessarem a futura rota internacional, os visitantes poderão admirar mesquitas, palácios, fachadas de edifícios e outros monumentos que ajudarão a explicar quem foram os omíadas, através da pegada arquitetónica por eles deixada. No Algarve, a rota abrangerá 11 municípios, num total de 36 localidades. Entre o conjunto de 15 bens inventariados no Algarve estão, por exemplo, os jogos de tabuleiro omíadas do núcleo de arqueologia do castelo de Alcoutim, o castelo velho desse município e o pano de muralha no castelo de Silves.”
Fonte: Diário Online/Região Sul
Consultar programa completo aqui.
quinta-feira, 23 de abril de 2015
XICA | 6 meses, FeLV+ para adopção responsável (Porto/Urgente)
A bonita Xica tem cerca de seis meses e, apesar da tenra idade tem já uma história de vida muito triste para contar: nasceu na rua, de onde foi retirada para uma adopção que apenas três dias depois acabaria por ser cancelada, ao que parece porque “miava muito” (não é de estranhar que uma gata confinada os dias inteiros a uma marquise mie bastante, já que nenhum animal nasceu para estar preso e nenhum gato gosta de estar fechado…).
Devolvida a quem a resgatou, a Xica foi alguns dias depois levada ao veterinário, uma vez que deixou de comer. Constatou-se que tinha a cauda partida, provavelmente devido a maus-tratos físicos, pelo que teve de ser internada e operada para remover a cauda. Foi também testada aos retrovírus FIV (“a sida dos gatos”) e FeLV (a chamada “leucemia felina”), tendo o resultado sido positivo para esta doença, que apenas se transmite entre gatos, se não estiverem vacinados, e não constitui qualquer ameaça para os seres humanos ou para outros animais.
A Xica encontra-se actualmente em FAT (família de acolhimento temporário) e tem-se mostrado muito meiga (apesar de passar as tardes sozinha, recebe sempre com ronrons e turrinhas a pessoa que a acolheu), está esterilizada e desparasitada, já come bem e brinca normalmente. Porque o vírus da Leucemia Felina impede o sistema imunitário de funcionar de forma adequada, comprometendo a capacidade de resistir a infecções, a Xica não pode voltar para a rua! Um organismo com baixas defesas abre portas a doenças sérias, como o cancro, que poderiam desenvolver-se rapidamente e provocar-lhe a morte prematura.
A Xica está por isso disponível para adopção muito responsável, cuja aceitação está sujeita à assinatura de um termo de responsabilidade. Está no Porto, mas poderá haver hipótese de ser entregue num outro ponto do país. Será entregue esterilizada, desparasitada e cheia de amor para dar.
Contacto para adopção: 913520371
quarta-feira, 22 de abril de 2015
2ª Feira do Queijo e do Vinho de Faro arranca amanhã na Baixa
É um certame essencialmente dedicado aos queijos e aos vinhos, mas também os doces regionais, o mel, os licores e os enchidos vão estar em destaque na segunda edição da Feira do Queijo e do Vinho de Faro, que arranca pelas 17 horas de amanhã no Jardim Manuel Bívar, no centro da cidade. Até ao próximo domingo marcarão presença neste evento mais de 200 expositores, e numa tenda gigante haverá diversas tasquinhas para promover o que de melhor se faz no Algarve.
Dinamizada pela AmbiFaro – Agência para o Desenvolvimento Económico de Faro, em parceria com o Município, esta segunda edição da Feira do Queijo e do Vinho visa decalcar, e se possível ampliar, o enorme sucesso da primeira edição, realizada no ano passado, e ao mesmo tempo potenciar a fruição de momentos de lazer e convívio por parte da população residente e visitante, aumentando também o dinamismo na Baixa de Faro. A feira abre portas nesta quinta-feira pelas 17 horas e encerra pelas 23, enquanto na sexta-feira abre também às 17 mas para encerrar apenas à meia-noite. No sábado e no domingo a abertura tem lugar às 15 horas, enquanto o encerramento se dará pelas 24 horas no primeiro dia e uma hora mais cedo no segundo. Nestes horários, o público será convidado a participar em algumas provas de queijos, enchidos e vinho, num certame de entrada livre que marca a aposta da organização no desejo assumido aquando da criação da AmbiFaro: através do desenvolvimento de actividades inovadoras em certos campos da promoção do desenvolvimento económico do concelho, procurar-se-á “influenciar mudanças na base produtiva local, apostando na modernização das suas infra-estruturas”, contribuindo deste modo para a “melhoria da qualidade de vida e do ambiente urbano”.
quinta-feira, 12 de março de 2015
Faro Urban Race 2015 percorrerá centro da cidade no próximo dia 28
Está a entrar na recta final o prazo para inscrição na edição deste ano da Faro Urban Race, prova de BTT em circuito urbano fechado, no formato Resistência, que percorrerá algumas das ruas do centro da capital algarvia (Cidade Velha, Jardim Manuel Bívar e zona circundante). Organizada pela Algarve Nature Adventure, esta prova terá lugar na tarde do dia 28 deste mês e será aberta a atletas federados e não federados. A grande novidade deste ano é que a competição terá transmissão directa no site da BTT-TV. Quem estiver interessado em participar no que, segundo a organização, pretende ser "uma verdadeira festa" e "dar a conhecer a cidade de Faro sob outra perspectiva", deverá formalizar a sua inscrição no site A Pedalar.
Dividida em três escalões, consoante a dificuldade de cada um deles e a capacidade física dos participantes que se inscreverão em cada uma das variantes, haverá três partidas: a primeira terá lugar pelas 15 horas, para a prova mais exigente, com duração de seis horas. Às 17 horas partirão os participantes da prova de dificuldade intermédia, com duração de quatro horas, e às 19 horas será a vez de partirem os atletas que optarem pela prova mais leve, com duas horas de duração. Nos formatos de duas e quatro horas poderão participar apenas ciclistas a solo, enquanto na prova de seis horas poderão participar atletas a solo ou em duplas.
PRAVI dinamiza campanha de adopção no Mercado Municipal de Faro
O Núcleo de Faro da PRAVI, associação que desenvolve o seu trabalho na área da protecção de animais vítimas de abandono e maus-tratos, a par do desenvolvimento de um programa de terapia assistida com animais a crianças e idosos, vai realizar no próximo sábado, no Mercado Municipal da capital algarvia, uma campanha de sensibilização e adopção de animais. Os voluntários da associação estarão naquele local entre as 9h30 e as 14 horas, disponíveis para dar a conhecer o trabalho da PRAVI e apresentar alguns dos cães e gatos que tem ao seu cuidado às suas futuras famílias. Quem não tiver possibilidades de adoptar um animal poderá, em alternativa, apadrinhá-lo. Da mesma forma, poderá tornar-se sócio ou voluntário da PRAVI, criando um vínculo mais permanente com a associação, ou fazer um donativo para apoiar o trabalho que aquela entidade tão empenhadamente vem desenvolvendo. Não fique indiferente. Pelos animais! Por todos nós!
quarta-feira, 11 de março de 2015
Os contraceptivos orais podem ou não matar?
Em Janeiro de 2008 fui internada de urgência nos Hospitais da Universidade de Coimbra. O que cerca de duas semanas antes parecia ser apenas uma dor numa perna, atribuída ao cansaço e ao uso de botas novas durante as compras de Natal, era afinal uma embolia pulmonar que por pouco, muito pouco, não me foi fatal. Dei entrada no hospital por volta das 14h30, estive até às 23 horas em observação nas urgências, fiz tudo o que era teste e análise, e foi um exame muito específico, feito por um aparelho que naquela altura não existia em mais nenhum hospital público do país, que encontrou o problema.
Se não fosse diagnosticada naquele momento, disse-me mais tarde a equipa médica, teria tido cerca de quatro horas de vida, já que tinha sofrido duas tromboses venosas profundas e duas superficiais, além de uma tromboembolia pulmonar, e os coágulos de sangue que me preenchiam quase na totalidade os pulmões teriam migrado para o coração, provocando um enfarte fulminante, ou para o cérebro, dando origem a um AVC fortíssimo.
Fui internada nos Cuidados Intensivos da Unidade de Cardiologia, e mais tarde transferida para a enfermaria. Durante alguns dias não pude sequer sair da cama, sempre ligada a fios e máquinas e com o corpo todo roxo por acção da heparina e da varfarina que iam dissolvendo os coágulos e fazendo fluir de forma mais natural o meu sangue. Quando tive autorização para dar alguns passos, fui forçada a usar meias elásticas de contenção, que ainda uso diariamente, e que terei de usar toda a vida, e andei três anos a tomar anticoagulantes, para garantir que o sangue não espessava de novo, causando novas tromboses e nova embolia.
Passados esses três anos, com recolhas e análises regulares ao sangue (primeiro três vezes por semana, depois semanalmente e mais tarde de 15 em 15 dias ou de mês a mês), fiz um teste para saber se a embolia poderia ter origem genética. Se assim fosse, a medicação com anticoagulantes teria de se manter pela vida fora, com todos os inconvenientes e transtornos daí decorrentes (se antes não era alérgica a nada, passei a ser alérgica a quase tudo, até ao sol e ao meu próprio suor, e por força da maior fluidez do sangue não podia sequer correr o risco de fazer um corte num dedo, tendo também de usar um cartão para o caso de sofrer um acidente na rua, de carro ou a pé, ter prioridade no atendimento médico).
O teste genético deu negativo, e por isso não sei, até hoje, qual a razão daquela tromboembolia pulmonar. Suspeita-se de que seria um conjunto de factores, entre s quais avultavam o excesso de peso, a vida sedentária que levava e a toma regular e já com vários anos de contraceptivos orais (sendo que até tinha mudado de pílula, cerca de um ano antes, por causa de um outro problema de saúde relacionado com o útero, para uma mais forte). Fui, por isso, obrigada a mudar de vida: pílula nunca mais! Mas não só: era preciso perder peso, fazer caminhadas, mesmo que fosse à velocidade de um caracol. Assim foi.
Mais recentemente conheci a história da Carolina Tendon, uma estudante de Veterinária e bailarina que, aos 22 anos, foi repentinamente surpreendida pela morte durante o sono. A história comoveu-me, a tal ponto de ter ido assistir ao enternecedor périplo que o namorado desta miúda (quando se tem 22 anos tem-se ainda tanto para viver!), o Pedro, anda a fazer pelo país, a apresentar o livro que ela foi escrevendo, desde os seus 10 anos de idade, mas que nunca teve tempo de editar. A história de vida da Carolina, que em pouco coincidirá com a minha, coincide num ponto essencial: ela também tomava a pílula, e a família, apoiada por pareceres de especialistas, diz que poderá ter sido isso a matá-la...
Serve esta longa história para dizer que sim, a pílula tem riscos. E que sim, a pílula pode matar. Creio, porém, que não matará sozinha. Precisará da nossa ajuda no cumprimento desse objectivo. Desde logo porque a maior parte das mulheres inicia a toma da pílula sem sequer consultar um médico. Eu consultei, e tudo o que ele me perguntou foi se fumava e se tinha hipertensão. Nada mais. Nem um exame ou análise. Conheço milhares de mulheres que tomam a pílula há anos e que nunca tiveram problemas. Eu mesma nunca os tinha tido, até saber que tinha problemas no útero, que os médicos garantiam nada ter a ver com a pílula, pelo contrário!
A verdade é que temos assistido a cada vez mais doenças e até a mortes de mulheres atribuídas, ou pelo menos alegadamente relacionadas com a pílula. Acho, ainda assim, que a pílula não age sozinha na geração desses males que matam. Mas convém estarmos atentas. Conheço muitas mulheres que nunca tomaram a pílula, porque não podiam ou porque não queriam, e nem por isso as vejo impedidas de terem a sua sexualidade segura e feliz. Aprendamos com elas! Para quê encher o corpo de químicos se podemos resolver a nossa vida sem eles? Eu já não preciso de contraceptivos, mas se precisasse, garanto-vos, excluía da equação a pílula. O seguro morreu de velho, e mais vale prevenir do que remediar...
terça-feira, 3 de março de 2015
“Marcha” da ANIMAL leva grupos e cuidadores de todo o país a Lisboa
É uma marcha que desta vez não é uma marcha. E não é uma marcha porque é muito mais do que isso: em luta pelo reconhecimento dos direitos dos animais e pelo respeito integral desses direitos por parte de todos os cidadãos, serão certamente muitas as pessoas - entre cuidadores independentes e elementos de associações - que no próximo dia 11 de Abril rumarão ao Terreiro do Paço, em Lisboa, a fim de participar na “Marcha” promovida anualmente pela Animal. De Faro partirá um autocarro para levar todos os interessados em marcar presença neste evento, que devem assegurar a sua inscrição até 15 de Março. A viagem de ida e volta custa 13 euros por pessoa.
TEXTO | CARLA TEIXEIRA
“Comida livre de crueldade e muito saborosa, música e performances circenses”, a par do “lançamento da segunda fase da campanha «Enterrar Touradas» e do tempo de antena para dar voz aos animais, são alguns dos argumentos da organização deste evento, a Associação ANIMAL, que promete “um evento em defesa dos direitos dos animais como nunca se viu em Portugal”. Num encontro que deverá reunir numerosos grupos e activistas individuais que todos os dias, em diversos pontos do país, se batem por esta causa, este será, segundo a organização, o momento ideal para que todos se conheçam e convivam amigavelmente, trocando ideias e experiências. A ANIMAL assegura que “todos os grupos, associações e cidadãos que queiram participar e trazer os seus próprios banners e cartazes serão muito bem-vindos”, e pede apenas que se comportem de forma ordeira, evitando mensagens ofensivas. Pelos contornos do evento, pede-se também que os participantes se abstenham de levar consigo os seus animais, já que, por razões várias, aquele não será um ambiente adequado para eles.
Cidade amiga dos animais, Faro não poderia deixar de estar presente num encontro que celebra os seus direitos e a necessidade diariamente renovada de lutar por eles e por melhores condições de vida os que têm a felicidade de encontrar um lar e uma família, mas também e sobretudo para os que vivem na rua, porque ali nasceram e viveram sempre ou porque foram abandonados por aqueles que viam como a sua família. Reconhecendo que a entrada em vigor, no final do ano passado, da lei que criminaliza os maus-tratos a animais, o Núcleo de Faro da PRAVI afirma que ainda há muito a fazer por eles, e por isso convida todos os amigos dos animais a juntar-se à associação na viagem a Lisboa, disponibilizando para isso um autocarro que levará à capital e trará de volta a casa todos os interessados. A partida deverá ter lugar por volta das 11 horas, estando a chegada prevista para as 23.
As inscrições estão a decorrer até ao próximo dia 15 e dependem do envio de uma mensagem de e-mail para o endereço faro.pravi@gmail.com, com indicação do nome, da localidade e do número de telefone de todos os participantes. Depois de garantir a existência de lugares no autocarro, deverá então fazer-se o pagamento devido (13 euros por pessoa) para o NIB 0033.0000.45415941649.05, remetendo depois, pelo mesmo meio, o comprovativo para a PRAVI. Na eventualidade de até à data indicada os lugares no autocarro não serem todos vendidos, o dinheiro entregue será devolvido e a viagem cancelada, por isso, se quiser mesmo estar presente neste momento e ajudar a dar voz às necessidades e aos direitos dos animais, inscreva-se o quanto antes! Pelos animais!
segunda-feira, 5 de janeiro de 2015
quinta-feira, 4 de dezembro de 2014
Algarve em duas rodas: o BTT veio para ficar!
FOTO: CARLA TEIXEIRA
São cada vez mais e estão por toda a parte. Homens e mulheres, equipados mais ou menos a rigor, com máquinas mais ou menos apetrechadas, aproveitando os fins-de-semana ou aquela horinha depois do trabalho, sozinhos ou em grupo, os algarvios estão rendidos ao charme da bicicleta. A prática de BTT tem crescido de forma exponencial nos últimos anos, e se para alguns a coisa não passa de uma moda, para outros é garantidamente um amor para a vida. Nada estranho numa região com mais de 300 dias de sol por ano e que detém a maior rota ciclável do país, com 214 quilómetros.
| CARLA TEIXEIRA
Famoso pelas praias de areia branca e águas tépidas, pelos invernos curtos e amenos e verões longos e quentes, pela rica gastronomia e pelo vasto património natural e construído, o Algarve é hoje a terceira região mais rica de Portugal, depois do Vale do Tejo e da Madeira, com um PIB per capita de 86% da média da União Europeia (Eurostat 2011). É também o mais importante destino turístico nacional e um dos mais relevantes a nível europeu. Palco perfeito para a prática de desportos de ar livre, tem na bicicleta a sua maior embaixadora: com um histórico de vitórias na Volta a Portugal (1947, 1948, 1988, 2008, 2009 e 2010) e presença assegurada dos melhores atletas do mundo na Volta ao Algarve, no BTT a região destaca-se pelos imensos praticantes, mais ou menos conhecidos do grande público, e pelo facto de aqui, no Clube BTT Terra de Loulé, estar sediada a maior escola de ciclismo do país.
Miguel Raimundo, conhecido no meio desportivo como Mike, e Rui Silvestre, que na sua Algarve Nature Adventure dinamizam diversas actividades ao ar livre em terra, mar e ar, consideram que “o BTT está na moda” e por isso “tem conquistado muitos adeptos no Algarve”, que reúne condições de excelência para a prática da modalidade: “O clima é muito agradável durante grande parte do ano, temos a maior ciclovia do país, colectividades muito activas na organização de provas e o apoio de várias entidades”, públicas e privadas. “Vemos com bons olhos este aumento do interesse pelo BTT, que concilia a prática de exercício físico com o usufruto da Natureza e das características únicas da região”, explicam.
À margem da Mike & Friends Ultra BTT 2014, prova organizada pela Algarve Nature Adventure que em Outubro ligou Vila Nova de Mil Fontes a Faro, num percurso de cerca de 160 quilómetros, Miguel e Rui confidenciaram que “o apoio da Câmara Municipal de Faro tem sido inexcedível”, materializando-se, naquela prova, na cedência de um autocarro para transportar os participantes até Milfontes, de onde depois pedalaram até Faro, e dos balneários da Escola Afonso III para os banhos no final da prova. Apontando a crise como “a desculpa mais fácil para as empresas recusarem dar apoio” a este tipo de iniciativas, Mike diz que na verdade “há muitos eventos a decorrer praticamente ao mesmo tempo, e por vezes há empresas que ficam desagradadas com o amadorismo na organização de algumas provas, e que depois se retraem na hora de apoiar estes eventos”.
Bruno Rosa, atleta da equipa BTT Loulé que habitualmente vemos em provas do campeonato nacional, da Taça de Portugal ou do Open de Espanha, e que há meses se sagrou Campeão Nacional Universitário de BTT Cross Contry, foi o primeiro a cortar a meta na Mike & Friends 2014, ao fazer os 160 quilómetros em 6h25m. “Não tinha noção da concorrência, porque não tinha visto a lista de inscritos antes da prova, mas estava optimista e confiante. Esperava ficar no top 5, mas felizmente acabei por vencer”, disse o atleta no final da maratona, acrescentando que “nestas provas de maior distância é preciso fazer uma boa gestão da parte física e da parte psicológica, e ter algumas noções de leitura de GPS, esperando que ele não falhe. Hoje tive alguns problemas com isso, mas acabei por conseguir ultrapassá-los e terminar a prova em primeiro lugar, o que me deixa bastante feliz”.
PEDALAR NO FEMININO
FOTO: CARLA TEIXEIRA
“A Ultra acaba de ficar mais bonita! Há uma senhora inscrita”. Foi assim que a Algarve Nature Adventure apresentou, no evento criado no Facebook para reunir os participantes da Ultra BTT, a única atleta do sexo feminino a registar-se na prova. Ana Sofia Cruz, técnica de contabilidade de Faro, ousou, aos 44 anos, ser a única mulher entre mais de 60 homens, e percorreu, taco a taco com eles, os 160 quilómetros da prova. E não, não foi a última classificada!
Demorou mais de 10 horas a cumprir o percurso, mas a satisfação de participar foi enorme, pois embora pratique desporto desde sempre (atletismo na adolescência e actualmente ginástica localizada, spinning e canoagem), desde que descobriu o BTT não imagina a sua vida sem pedalar. Desafiada por uma amiga a participar num passeio de bicicleta de 25 quilómetros em Alte, no Concelho de Loulé, há cinco anos, nem pensou duas vezes: “Não andava de bicicleta desde criança, e nem tinha uma, mas a minha amiga emprestou-me a antiga dela e fui. A partir daí nunca mais parei, e pouco tempo depois estava a comprar a minha primeira bicicleta”, recorda. Em média pedala duas vezes por semana, e fá-lo essencialmente por lazer, embora reconheça que “o bichinho da competição” a faz tentar ir sempre um pouco mais longe.
Ana faz parte de uma equipa informal de BTT, a Gurus Bike Team, “um grupo de amigos de ginásio que descobriram no gosto por pedalar um interesse comum”. É normalmente com esse grupo que pedala, considerando que é sempre mais agradável praticar em grupo do que sozinha. Atraída pela “sensação de liberdade” que o BTT proporciona, e pela certeza de poder ir a qualquer lado de bicicleta, limitada apenas pela sua capacidade física e pelas características da máquina, diz-se também “fascinada” pela forma como a modalidade permite “o contacto com a Natureza, a possibilidade de conhecer lugares lindíssimos, muitas vezes inacessíveis por outros meios, e o convívio saudável que surge naturalmente entre os praticantes. Até hoje não houve desporto que me apaixonasse mais”, assegura.
Mulher num desporto ainda muito tomado pelos homens, garante não sentir discriminação: “Os que me conhecem sabem que partilhamos os mesmos interesses e que não gosto de ser tratada de modo diferente por ser mulher. Sempre fui muito bem recebida e aprendi imenso com os amigos que praticam BTT comigo”. Sobre o facto de haver ainda poucas mulheres na modalidade, responde assim: “Suponho que a ausência das mulheres se deva a diversos factores, um dos quais, talvez o mais determinante, a falta de disponibilidade, em geral, das mulheres, que na nossa sociedade têm um papel mais activo a nível familiar, o que lhes toma muito tempo”. Tendo dois filhos já adultos, admite que teria sido muito complicado quando eles eram menores dedicar o tempo que hoje dedica ao BTT, e por isso compreende que haja poucas mulheres a dispor desse tempo.
Desafiada a deixar uma mensagem aos praticantes em geral e às mulheres em particular, Ana Sofia diz aos que já praticam para continuarem a pedalar e aos que ainda não experimentaram que o façam, pois “a sua vida mudará para melhor! O BTT é um desporto que se adequa a todas as fases da nossa vida. Acho que as mulheres devem procurar encontrar tempo para o praticar e não devem deixar-se intimidar por ainda sermos poucas. Venham e tragam amigas! Assim seremos mais”. Em jeito de conclusão, atesta que conheceu mais gente desde que pratica BTT do que no resto da sua vida. “Quanto mais pedalo, mais vontade tenho de pedalar e de aceitar novos desafios, e de testar os meus limites. A prática do BTT tornou-me uma pessoa melhor, mais feliz e mais segura, pessoal e profissionalmente. Hoje não tenho medo arriscar e estou sempre pronta para descobrir novos trilhos, mesmo que sejam sinuosos”…
Trocar o comboio pela bicicleta
Foi entre comboios e estações que, há quase dois anos, vários profissionais do Centro de Manutenção da REFER (Rede Ferroviária Nacional) em Tunes descobriram um interesse e uma paixão em comum: a bicicleta. Alguns eram já praticantes assíduos, outros estrearam-se nessa altura, com a organização de passeios e convívios. Nem sempre conseguem reunir o grupo completo, mas há um pequeno núcleo que pelo menos uma vez por semana, depois do trabalho, troca o comboio pelas duas rodas e parte à descoberta de novos trilhos…
| CARLA TEIXEIRA
FOTO: DIREITOS RESERVADOS
Aproximadamente 40 anos após o seu surgimento, na década de 1970, nas montanhas da Califórnia, nos Estados Unidos, o BTT continua a reunir adeptos em todo o mundo. No Algarve tem sido especialmente evidente, nos últimos anos, o crescimento da modalidade. São imensas as associações que promovem o uso da bicicleta, e que dinamizam a realização de provas e passeios para reunir os apaixonados, e é raro o dia, principalmente aos fins-de-semana, em que não os vemos, às dezenas, circular nas estradas e nos trilhos mais ou menos difíceis da região. Foi em busca dessa adrenalina, e da fuga ao stress que o BTT permite, que nasceu, há cerca de dois anos, no seio do Centro de Manutenção da REFER, em Tunes, um grupo de colegas de trabalho apostado em vencer obstáculos em cima das duas rodas. E se nem sempre é fácil reunir toda a gente, já que são muitas as condicionantes da vida e dos horários de cada um, há quem aposte a sério na assiduidade. Alexandre Vieira, de 32 anos, Luís Silva, de 36, Paulo Oliveira, de 44 anos, e Rui Justo, de 37, estão no grupo dos mais perseverantes e tentam nunca faltar à chamada. Uma vez por semana, normalmente às terças-feiras, partem para a sua “voltinha”, seguindo um percurso previamente definido, no âmbito de um grupo que já ultrapassou as fronteiras da REFER e acolhe agora elementos externos à empresa.
FOTO DO FACEBOOK
Apesar de ser o mais jovem dos quatro, Alexandre é o praticante com mais experiência e assiduidade: há 14 anos, uma queda aparatosa levou-o a abandonar o motocross, que até aí praticava, e foi depois disso que comprou a sua primeira bicicleta. Foi na zona de Coimbra, de onde é natural e onde vivia na altura, que se estreou nos passeios em duas rodas, e o BTT fascinou-o de tal forma que nunca mais parou: a primeira bicicleta, de um modelo mais simples e económico, foi rapidamente substituída por uma superior, e depois desse houve vários outros upgrades para ir melhorando o equipamento e a performance. Garante que não fica caro praticar BTT se houver alguns cuidados essenciais com a máquina, que deverá ser bem lavada, lubrificada e revista após cada saída. “O que custa mais é o investimento inicial, na compra da bicicleta. Depois o que se gasta é pouco significativo: em média não devo gastar mais do que 10 ou 15 euros por mês em barras de cereais, geles e bebidas isotónicas”. Já no que toca a manutenções extraordinárias, a despesa é menos previsível, porque depende do material que vai avariando ou sofrendo desgaste e que é preciso substituir.
Casado
e com uma filha bebé, Alexandre reconhece que não tem hoje o tempo que gostaria
de dedicar a este desporto, mas ainda assim tenta praticar uma ou duas vezes
por semana. Gosta mais de pedalar com amigos, mas também o faz sozinho, quando isso
não é possível. O que mais importa, diz, é sermos capazes de “libertar um pouco
a pressão que temos diariamente em nós, devido a questões pessoais ou familiares,
de trabalho ou outras. Devia haver maiores incentivos ao uso da bicicleta como
meio de lazer e transporte”, diz, lamentando que, no BTT ou no ciclismo de
estrada, os ciclistas não sejam respeitados como utilizadores de direito da via
pública que são.
FOTO: SANDRA CONCEIÇÃO
Luís Silva sempre teve bicicletas, mas começou a pedalar “mais a sério” há três anos, altura em que vivia e trabalhava em Torres Vedras, berço de Joaquim Agostinho (ícone do ciclismo português que viria a morrer na sequência de uma queda na X Volta ao Algarve, em 1984) e terra de grandes tradições no desporto em duas rodas. Por influência de amigos, e porque queria iniciar algum tipo de actividade física, começou a pedalar regularmente. Fazia-o quase sempre em grupo, mas ocasionalmente também sozinho, tendo chegado a deslocar-se de casa para o local de trabalho (a Estação de Caminhos-de-Ferro do Ramalhal, a sete quilómetros da cidade) montado numa bicicleta que entretanto lhe foi furtada. O revés não o fez desistir do BTT.
A viver em Faro desde 2012, Luís participa religiosamente nas voltas das terças-feiras (que inicialmente eram às quartas, mas foram alteradas para não interferirem nas aulas da Licenciatura em Engenharia Eléctrica e Electrónica que frequenta em horário pós-laboral na Universidade do Algarve), e sempre que é possível vai pedalar nas manhãs de sábado ou de domingo, sozinho ou na companhia de Alexandre. O que Luís mais aprecia no BTT é a comunhão com a Natureza, e pedalar duas vezes por semana “sabe a pouco: se tivesse oportunidade, pedalaria mais vezes”, assevera. Depois de algum treino, diz, “o cansaço que sentimos no fim de cada jornada torna-se saboroso, porque representa mais alguns quilómetros percorridos e novos desafios superados”.
Consciente de que a prática regular de exercício físico nos ajuda a manter a mente sã num corpo são, sobre as vantagens de pedalar com colegas de trabalho, Luís é peremptório: “Acaba por ajudar a criar laços de amizade no emprego, o que torna mais agradável e descontraído o nosso quotidiano”, questão particularmente importante quando, como acontece amiúde na REFER, os funcionários são muitas vezes deslocados das suas cidades para outras, onde têm de viver e trabalhar. Natural de Vila Nova de Anços, no Concelho de Soure, Distrito de Coimbra, Luís reconhece que o Algarve tem características únicas para a prática do BTT: “Pelo clima e pela geografia, a região é bastante interessante para a prática deste desporto, que está na moda e tem conquistado muitos praticantes nos últimos anos”. Só falta, diz, que as cidades se adaptem melhor a este fenómeno: “O BTT, e o ciclismo em geral, é essencialmente um desporto, mas poderia ser visto também como um meio de transporte ecológico. Se as cidades se adaptassem a essa realidade teríamos menos tráfego automóvel e menos poluição, o que seria bom para todos”.
FOTO DO FACEBOOK
Paulo Oliveira estreou-se no BTT há cerca de ano e meio. “No início fui apenas pelo convívio, mas depois isto tornou-se um hobby e uma forma de fazer alguma actividade física. Por viver longe da maioria dos colegas nem sempre tenho disponibilidade para as voltas em grupo, por isso às vezes vou pedalar sozinho. Normalmente saio de bicicleta uma vez por semana, mas se tivesse mais tempo aumentaria de certeza o número de saídas”, refere. Vincando que pedala essencialmente por prazer, recusa para já a participação em provas de competição, e foca-se nas “grandes vantagens deste desporto: o convívio, a realização de actividade física, a hipótese de conhecer locais que de outra forma não seria expectável que conhecesse”.
Tal como Alexandre e Luís, Paulo considera que “participar neste tipo de actividades com colegas de trabalho melhora as relações laborais e torna o dia-a-dia mais agradável”. Admitindo que, “se levada a sério, a prática de BTT pode ficar muito cara”, Paulo garante não ter muitos gastos, já que pedala apenas por prazer, sem grandes preocupações com a performance: “Comprei uma primeira bicicleta, que custou 400 euros, e mais tarde outra, um pouco melhor e mais cara. Além disso tenho de considerar a compra de consumíveis ou produtos de limpeza, e às vezes compro calções ou luvas. A busca do equipamento perfeito nunca acaba, mas temos de ter em conta o orçamento de que dispomos”, avisa.
FOTO: SANDRA CONCEIÇÃO
Rui Justo (ao centro na foto) estreou-se no BTT há cerca de 15 anos, mas registou um interregno de “sete ou oito” na sua prática. Casado, o engenheiro civil admite que nem sempre tem a disponibilidade que desejaria ter para a prática desportiva. Actualmente pedala em norma uma vez por semana, embora gostasse de o fazer pelo menos duas. Gosta especialmente de pedalar com amigos, usufruindo “ao máximo do ar livre e da paisagem” escolhida em cada saída. Procura o prazer quando pedala, mas reconhece que com a prática mais regular deste exercício o desempenho tende a ser mais eficaz e os limites físicos de cada praticante vão sendo naturalmente ultrapassados: “O BTT reforça a capacidade física, as relações interpessoais e a camaradagem, e potencia uma maior qualidade de vida e até uma melhor condição de saúde”.
No que respeita aos custos desta paixão, Rui considera que “podem ser reduzidos ou extremamente altos, em função da regularidade e do tipo de treinos ou competições em que se participa”. Pedalar no final de um dia de trabalho, na companhia de alguns colegas, “é uma excelente forma de aliviar algum stress”, assevera, acrescentando que compreende a prática de qualquer desporto como “um exercício de liberdade e de permanente superação dos próprios limites”.
Algarve na mega-ciclovia
que cruza toda a Europa
A Ecovia do Litoral Algarvio é a maior rota ciclável existente em solo português. Liga Sagres a Vila Real de Santo António, atravessando os 12 concelhos do litoral meridional do Algarve, e mergulha nas paisagens de rara beleza da Ria Formosa e da Ria de Alvor. São 214 quilómetros que servem também de ponto de partida para a primeira rota da Eurovelo, a mega-ciclovia europeia que em 2020 ligará 43 países, cruzando o continente em 14 rotas, num total de mais de 70 mil quilómetros…
| CARLA TEIXEIRA
A Comissão Europeia publicou, em Dezembro de 2013, o seu barómetro relativo à atitude dos europeus face à mobilidade urbana. À luz daquele documento, 49% dos cidadãos do Velho Continente fazem uso regular da bicicleta como meio de transporte no seu quotidiano. Uma média relativamente elevada que esconde as enormes discrepâncias verificadas numa análise da informação em cada um dos países: na Holanda, líder deste ranking, 43% dos cidadãos usam a bicicleta pelo menos uma vez por dia, 28% várias vezes por semana, 16% apenas algumas vezes por mês e só 13% referem não ter o hábito de pedalar. No outro extremo do gráfico, em Malta, só 1% dos cidadãos utiliza a bicicleta diariamente, 2% várias vezes por semana, 4% algumas vezes por mês e uns estrondosos 93% não têm ou nunca pegam na bicicleta. Algures pelo meio, embora a pender para o lado mais negro da tabela, surge Portugal, onde 7% dos cidadãos dizem utilizar a bicicleta todos os dias, 8% várias vezes por semana, 10% algumas vezes por mês e 75% nunca.
Sem números oficiais relativos às regiões de cada país, resta-nos a convicção de que o Algarve subverte um pouco o cenário traçado para Portugal, já que, pelas suas características únicas de clima e geografia, é raro o dia em que não vemos dezenas de pessoas montadas nas suas bicicletas, ao longo das estradas e ciclovias ou em trilhos mais ou menos acidentados e desafiadores. Para isso contribuirá certamente a existência de numerosos percursos cicláveis, com especial destaque para a chamada Ecovia do Litoral, a maior rota ciclável existente em Portugal. De Sagres a Vila Real de Santo António, estende-se ao longo de 214 quilómetros recheados de paisagens de tirar o fôlego ao mais capaz dos ciclistas e coincide, em toda a sua extensão, com a parte inicial do traçado da primeira rota da Eurovelo, a extensíssima rede de ciclovias actualmente em construção ao longo de todo o continente europeu e que em 2020 deverá ligar 43 países, num total de mais de 70 mil quilómetros.
Baptizada como Rota da Costa Atlântica, a Eurovelo 1 decalca precisamente todo o trajecto da Ecovia do Litoral e no final desta, em Vila Real de Santo António, atravessa a fronteira e prossegue por Espanha, França, Irlanda e Reino Unido, terminando na Noruega, mais de oito mil quilómetros depois. A rota que arranca em Portugal é a segunda mais extensa das 14 previstas, no âmbito de um ambicioso e muito interessante projecto que preconiza o fomento do uso da bicicleta, quer em passeios turísticos quer nas deslocações diárias das populações servidas por estas rotas. A conclusão desta enorme ciclovia deverá permitir, em teoria, que a partir de 2020 seja possível percorrer toda a Europa em duas rodas, de acordo com o ritmo e a disposição de cada ciclista, sendo que cada rota permitirá a fruição das paisagens, do património e dos costumes dos países em que se integra. No caso português, ao cruzar a paisagem singular do litoral algarvio a Eurovelo 1 brindará os visitantes com dunas, baías, enseadas e vastos areais espraiados ao longo da Ria Formosa e da Ria de Alvor.
REDE EM CRESCIMENTO
Surgido numa reunião da Federação Europeia de Ciclistas com as suas associadas Sustrans e Frie Fugle, o projecto Eurovelo foi formalmente apresentado em 1997 na cidade de Logroño, em Espanha, prevendo a criação de 12 rotas cicláveis de longo curso. Dez anos mais tarde, a federação assumiu a coordenação do projecto, que hoje contempla 14 percursos, numerados segundo a orientação que seguem: as rotas ímpares estendem-se de Norte para Sul, as rotas pares no sentido Este/Oeste (não existe o número 14, já que há oito percursos “verticais” mas apenas seis “horizontais”): 1 – Rota da Costa Atlântica: Cabo Norte/Sagres (8.168 km); 2 – Rota das Capitais: Galway/Moscovo (5.500 km); 3 – Rota dos Peregrinos: Trondheim/Santiago de Compostela (5.122 km); 4 – Rota da Europa Central: Roscoff/Kiev (4.000 km); 5 – Via Romea Francigena: Londres/Roma/Birindisi (3.900 km); 6 – Rota do Atlântico ao Mar Negro: Nantes/Constança (4.448km); 7 – Rota do Sol: Cabo Norte/Malta (7.409 km); 8 – Rota do Mediterrâneo: Cádis/Atenas e Chipre (5.888 km); 9 – Rota do Báltico ao Adriático: Gdansk/Pula (1.930 km); 10 – Circuito do Mar Báltico (7.980 km); 11 – Rota da Europa de Leste: Cabo Norte/Atenas (5.984 km); 12 – Circuito do Mar do Norte (5.932 km); 13 – Rota da Cortina de Ferro: Mar de Barents/Mar Negro (10.400 km); 15 – Rota do Reno: Andermatt/Hoek van Holland (1.320 km).
O BTT visto através da câmara fotográfica
FOTO DO FACEBOOK
Terra de aficionados pelo BTT, o Algarve conta sempre muitos espectadores nas muitas provas que se vão realizando na região. Há quem se limite a assistir às competições, mas há também quem registe para a posteridade os momentos mais marcantes. A maioria fotografa familiares e os amigos, mas outros, como Sandra Conceição, fotografam tudo e todos. É a paixão pela bicicleta vista de outro ângulo…
| CARLA TEIXEIRA
Sandra Conceição é uma das presenças mais assíduas nas inúmeras provas de BTT que se vão realizando por todo o Algarve. Não monta uma bicicleta, mas está quase sempre lá, de câmara fotográfica na mão, a registar os momentos mais marcantes de cada competição. Em 2009 foi desafiada por uma amiga para integrar a Secção de BTT «Os leões de Olhão», mas cedo percebeu que “não era grande ciclista” e optou por acompanhar os amigos como fotógrafa. Hoje, aos 39 anos, a recepcionista diz que venceu a timidez dos primeiros tempos e está à vontade atrás da câmara: “De início tinha receio de que as pessoas não gostassem de ser fotografadas por uma desconhecida, mas hoje vejo que não havia motivo para esse receio, porque sempre fui bem recebida. Os atletas ficam contentes por ter registos do seu esforço e as organizações ficam com meios para documentar as suas provas e para as divulgarem”, revela.
Não faz qualquer uso comercial das imagens. Partilha-as nas redes sociais e até as envia aos atletas que o solicitem. Quando lhe perguntam por que razão não tenta ganhar dinheiro com este hobby, diz que “isso implicaria uma logística mais complexa”. Apesar disso, reconhece que acompanhar estas provas dá bastante trabalho, pois é preciso preparar tudo com antecedência: “Temos de analisar bem o percurso, perceber qual a abordagem a fazer e posicionar-nos de modo a obter o melhor ângulo sem atrapalhar a prova. Acima de tudo não podemos ter receio de nos sujarmos. Quando vou acompanhar uma prova sei que vou apanhar lama, chuva e frio, e que apesar de me deslocar de carro, posso ter de fazer vários quilómetros a pé até encontrar um trilho visualmente agradável. Sei que terei de me sentar nos muros para deixar espaço para os atletas passarem, abstrair-me dos ruídos rastejantes ao redor…”.
Sobre a escassa participação das mulheres no BTT, Sandra é clara: “Não considero que seja por falta de capacidade ou coragem que há menos mulheres do que homens nas provas com percursos mais longos! Há atletas femininas com melhores resultados do que os participantes masculinos. Podem não estar mentalizadas de que são capazes de fazer mais, ou gostar de apreciar os percursos sem o sofrimento que uma maratona ou uma ultra-maratona implicam. Depois há a menor disponibilidade das mulheres, com os afazeres domésticos e os filhos, especialmente se forem pequenos, mas acho que é uma questão de tempo até que haja mais mulheres a apostar neste desporto”, vaticina.
NOTA
Esta reportagem foi realizada com o intuito de ser publicada no primeiro número de uma nova revista de âmbito nacional, com lançamento nas bancas previsto para Dezembro de 2014 ou Janeiro de 2015. Porém, esse lançamento acabou por ser adiado sine die, razão pela qual optei por publicar a reportagem no meu site e neste blog, já que seria injusto para todos os meus interlocutores que o tempo que me concederam, em entrevistas e na disponibilização de informações, fosse dado como perdido. A todos o meu agradecimento e o meu pedido de desculpas.
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