Vídeo: “Speciale Tex” – Documentário produzido em 2003 com depoimentos de Sergio Bonelli, Decio Canzio, Mauro Boselli, Giovanni Ticci e Claudio Villa!

HISTÓRICO: Documentário produzido em 2003 com depoimentos de Sergio Bonelli, Decio Canzio, Mauro Boselli, Giovanni Ticci e Claudio Villa!

Hoje no blogue do Tex vamos dar conhecimento aos nossos leitores de um muito belo, interessante e sobretudo histórico documentário televisivo, realizado em 2003 e intitulado “Speciale Tex“, documentário esse onde temos depoimentos das maiores personalidades texianas da época, alguns já falecidos, mas outros ainda actualmente a trabalhar com o granítico Ranger criado em 1948 por Gian Luigi Bonelli e Aurelio Galleppini.

Tratam-se de depoimentos do editor Sergio Bonelli, do director geral Decio Canzio, do escritor Mauro Boselli e dos desenhadores Claudio Villa e Giovanni Ticci, todos eles falando da evolução do mito chamado TEX como se pode constatar assistindo ao histórico vídeo, de cerca de 15 minutos, que mostramos de seguida:

A Minha Prancha de Tex – Fabio Civitelli

Por Fabio Civitelli*

Tex Gigante nº 91, “Vendetta Indiana

Li com interesse o texto do Mauro Boselli sobre a sua prancha preferida de Tex, publicada no número anterior da revista, onde deixava evidente a sua dificuldade em escolher apenas uma prancha entre as milhares já publicadas. Sinto o mesmo e o pedido que desta vez me foi dirigido pelo Clube Tex Portugal criou-me o mesmo embaraço.

Tex Gigante 2ª Serie nº 91 – Maio/1968

Leio Tex desde miúdo, quando, fascinado pelos desenhos de Galep, tentava copiar os seus belíssimos cavalos nos meus cadernos escolares. Apreciava, de igual modo, o seu dinamismo e a sua pincelada suave, tanto que tentei imitá-la usando, para o efeito, apenas uma esferográfica, até descobrir, mais tarde, que ele afinal usava o pincel e a tinta. Estava de tal forma habituado ao seu estilo, que a publicação do nº 91 da série gigante, com o título Vendetta Indiana, constituiu para mim quase que um choque!

O estilo era também muito dinâmico, mas mais seco e “angular”, as sombras mais nítidas, com negros plenos e expressivos. As paisagens eram quase hiper-realistas, com mesas e rochas como eu nunca tinha visto antes e o Forte Lewis desenhado com grande precisão histórica. O rosto de Tex, embora muito reconhecível, denotava expressividade e uma enorme virilidade, assim como os seus pards. De início, pensava tratar-se de um desenhador americano, mas o seu apelido, Ticci, transportava-me de volta para terras mais familiares e, de facto, anos mais tarde descobri que ele morava na Toscana e apenas a uma hora de carro da minha casa.

Tex “Vendetta Indiana” reimpressão da história em livro de capa dura o qual foi vendido em conjunto com o jogo “Tex Monopoly” (2017)

Anos depois, quando Sergio Bonelli me convidou para fazer parte da equipa de desenhadores de Tex, eu, que nunca tinha desenhado histórias de western, fui dominado pelo receio de não conseguir estar à altura do desafio. O Giovanni Ticci ajudou-me, sem o saber, pois ele era a minha principal fonte de documentação para o vestuário, ambientes e sobretudo para os cavalos, o que sempre constitui uma das principais dificuldades para os desenhadores quando abordam o western.

Alguns anos após a minha estreia na série, a editora colocou-me em contacto com a Monica, a talentosa letrista e esposa do Giovanni e, desde então, a nossa amizade ficou de tal maneira fortalecida que, pelo menos a cada dois ou três meses, tenho o imenso prazer de ir a Siena visitá-la, com a desculpa de levar-lhe as pranchas para legendagem e, assim, passar uma tarde muito agradável na companhia deste belo casal.

Giovanni Ticci é e continuará a ser uma grande fonte de inspiração e ver os seus trabalhos provoca-me sempre um enorme sentido de responsabilidade. Por isso, quero aqui deixar a minha justa homenagem ao mostrar a sua primeira prancha de Vendetta Indiana. Se eu desenho histórias aos quadradinhos desde há 47 anos e tenho o meu estilo, muito se deve a esta sua primeira história de Tex. É uma dívida de gratidão que nunca deixo de lembrar ao meu amigo Giovanni Ticci.

* Texto de Fabio Civitelli publicado originalmente na Revista nº 14 do Clube Tex Portugal, de Junho de 2021.

(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima clique nas mesmas)

KIT WILLER, a série que nunca foi publicada

Por José Carlos Francisco*

O seu nome é Kit, Kit Willer. É apenas um rapaz, mas no momento da necessidade, sabe defender-se com a astúcia e habilidade dos mais experimentados “frontier-men”. De resto, como se diz, filho de peixe sabe nadar…
Porque Kit – que os índios chamam de Pequeno Falcão – é o digno filho de Tex, nascido do (infelizmente brevíssimo) matrimónio de Tex Willer com uma índia navajo, de nome Lilyth.

Desde a sua primeira aparição, a 22 de Maio de 1951, nas páginas 6 e 7 do número 1 da terceira série da Collana del Tex, nas vestes de um pequeno arqueiro (acertando em cheio no chapéu do “padrinho” Carson, de quem herda o nome) faz-se notar pela sua vivacidade e inteligência. Crescido entre os índios e tendo Tex e Jack Tigre como professores, Kit Willer torna-se um óptimo atirador, grande lançador do laço e do punhal, experiente seguidor de rastos, cavaleiro hábil (portentosas as suas acrobacias na sela do seu mustang Diablo) e discreto lutador.

Graficamente, como o conhecemos, Kit nasce a 8 de Janeiro de 1952, período em que na Itália estava em voga e faziam furor “os heróis jovens” (Capitão Miki, O Pequeno Xerife, Sciuscià, só para citar os nomes mais conhecidos) e por isso GianLuigi Bonelli pensa em enriquecer o contexto das histórias de Tex, também com fantásticas aventuras que narrassem as proezas heróicas de um rapaz prodígio.

Desse modo, crescia cada vez mais a importância do jovem Kit, tanto que seis anos depois, em 1958, o editor pensa em lançar uma nova série dedicada ao filho de Tex.

O próprio GianLuigi Bonelli escreveu os argumentos (para a arte de Francesco Gamba) dos primeiros quatro álbuns (no habitual formato striscia da época), que porém jamais foram publicados, porque a “moda” dos heróis jovens começou a enfraquecer e a própria figura de Kit passou a ser cada vez menos usada, aparecendo amiúde.

Mas conforme mostramos neste texto, a série dedicada a Kit Willer esteve mesmo para se tornar uma realidade, como facilmente o comprovam alguns storyboards, feitos com o punho de GianLuigi Bonelli, que reproduzimos aqui e que mostram, entre outras coisas, uma coincidência deveras interessante… o primeiro título da série de Kit Willer seria precisamente o mesmo do primeiro volume da actual e mais popular colecção italiana de Tex: “La mano rossa”…

Storyboards de G. L. Bonelli para a série Kit Willer que nunca foi publicada

* Texto de José Carlos Francisco publicado originalmente na Revista nº 14 do Clube Tex Portugal, de Junho de 2021.

(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima clique nas mesmas)