Leninismo

| Parte de uma série sobre o |
| Marxismo |
|---|
Leninismo (em russo: Ленинизм, Leninizm) é uma ideologia política desenvolvida pelo revolucionário marxista russo Vladimir Lenin que propõe o estabelecimento da ditadura do proletariado, liderada por um partido de vanguarda revolucionário, como prelúdio político ao estabelecimento do comunismo.[1] As contribuições ideológicas de Lenin ao marxismo dizem respeito às suas teorias sobre o partido, o imperialismo, o Estado e a revolução.[2] A função do partido de vanguarda leninista era fornecer às classes trabalhadoras a consciência política (educação e organização) e a liderança revolucionária necessárias para depor o capitalismo no Império Russo (1721–1917).[3]
A liderança revolucionária leninista baseia-se no Manifesto Comunista (1848), que identifica o partido comunista como "a seção mais avançada e resoluta dos partidos da classe trabalhadora de todos os países; aquela seção que impulsiona todas as demais". Como partido de vanguarda, os bolcheviques viam a história pelo arcabouço teórico do materialismo histórico, que sancionava o compromisso político com a derrubada bem-sucedida do capitalismo e, depois, com a instituição do socialismo; e, como governo nacional revolucionário, com a realização da transição socioeconômica por todos os meios.[4]
Após a Revolução de Outubro (1917), o leninismo tornou-se a versão dominante do marxismo na Rússia e a base da democracia soviética, o governo de sovietes eleitos diretamente. Ao estabelecer o modo de produção socialista na Rússia bolchevique — com o Decreto sobre a Terra (1917), o comunismo de guerra (1918–1921) e a Nova Política Econômica (1921–1928) —, o regime revolucionário suprimiu a maior parte da oposição política, incluindo marxistas contrários às ações de Lenin, os anarquistas e os mencheviques, facções do Partido Socialista Revolucionário e os Socialistas Revolucionários de Esquerda.[5] A Guerra Civil Russa (1917–1922), que incluiu a Intervenção dos Aliados na Guerra Civil Russa (1917–1925), realizada por dezessete exércitos, e levantes de esquerda contra os bolcheviques (1918–1924), foi uma guerra externa e interna que transformou a Rússia bolchevique na República Socialista Federativa Soviética da Rússia (RSFSR), a república central da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS).[6]
Como práxis revolucionária, o leninismo originalmente não era uma filosofia propriamente dita nem uma teoria política distinta. O leninismo compreende desenvolvimentos político-econômicos do marxismo ortodoxo e as interpretações de Lenin do marxismo, que funcionam como uma síntese pragmática para aplicação prática às condições reais — políticas, sociais e econômicas — da sociedade agrária do Império Russo posterior à emancipação, no início do século XX.[3] Como termo da ciência política, a teoria de Lenin sobre a revolução proletária entrou em uso comum no quinto congresso da Internacional Comunista (1924), quando Grigori Zinoviev empregou o termo leninismo para designar a "revolução do partido de vanguarda".[3] O leninismo foi aceito como parte do vocabulário e da doutrina do PCUS por volta de 1922 e, em janeiro de 1923, apesar das objeções de Lenin, entrou no vocabulário público.[7]
Contexto histórico
[editar | editar código]No século XIX, Karl Marx e Friedrich Engels escreveram o Manifesto Comunista (1848), no qual defenderam a unificação política das classes trabalhadoras europeias para alcançar a revolução comunista; e propuseram que, como a organização socioeconômica do comunismo seria uma forma superior à do capitalismo, uma revolução operária ocorreria primeiro nos países industrializados. Na Alemanha, a social-democracia marxista era a perspectiva política do Partido Social-Democrata da Alemanha, inspirando marxistas russos, como Lenin.[8]
No início do século XX, o atraso socioeconômico do Império Russo (1721–1917) — caracterizado pelo desenvolvimento econômico combinado e desigual — facilitou uma industrialização rápida e intensiva, que produziu um proletariado unido da classe trabalhadora em uma sociedade predominantemente agrária. Além disso, como a industrialização era financiada principalmente por capital estrangeiro, o Império Russo não possuía uma burguesia revolucionária com influência política e econômica sobre trabalhadores e camponeses, como ocorrera na Revolução Francesa (1789–1799), no século XVIII. Embora a economia política russa fosse agrária e semifeudal, a tarefa da revolução democrática coube à classe trabalhadora urbana e industrial, como a única classe social capaz de realizar a reforma agrária e a democratização, tendo em vista que a burguesia russa reprimiria qualquer revolução.
Nas Teses de Abril (1917), a estratégia política da Revolução de Outubro (7–8 de novembro de 1917), Lenin propôs que a revolução russa não era um acontecimento nacional isolado, mas um evento fundamentalmente internacional — a primeira revolução socialista do mundo. A aplicação prática, por Lenin, do marxismo e da revolução proletária às condições sociais, políticas e econômicas da Rússia agrária motivou e impulsionou o "nacionalismo revolucionário dos pobres" a depor a monarquia absoluta da dinastia tricentenária dos Romanov (1613–1917), os czares da Rússia.[9]
Imperialismo
[editar | editar código]Em Imperialismo: Fase Superior do Capitalismo (1916), as análises econômicas de Lenin indicavam que o capitalismo se transformaria em um sistema financeiro global, pelo qual países industrializados exportariam capital financeiro para suas colônias e, assim, realizariam a exploração do trabalho dos povos nativos e a exploração dos recursos naturais de seus países. Essa superexploração permite que os países ricos mantenham uma aristocracia operária interna com um padrão de vida ligeiramente superior ao da maioria dos trabalhadores, assegurando relações pacíficas entre trabalho e capital na metrópole capitalista. Portanto, uma revolução proletária de trabalhadores e camponeses não poderia ocorrer nos países capitalistas enquanto o sistema financeiro imperialista global permanecesse em vigor. A primeira revolução proletária teria de ocorrer em um país subdesenvolvido, como o Império Russo, então o país politicamente mais fraco do sistema financeiro capitalista global no início do século XX.[10] Em United States of Europe Slogan (1915), Lenin escreveu:
Proletários de todos os países, uni-vos! — O desenvolvimento econômico e político desigual é uma lei absoluta do capitalismo. Daí decorre que a vitória do socialismo é possível, primeiro, em vários países capitalistas ou mesmo em apenas um, tomado isoladamente. O proletariado vitorioso desse país, após expropriar os capitalistas e organizar sua própria produção socialista, erguer-se-ia contra o resto do mundo, o mundo capitalista.
— Collected Works, vol. 18, p. 232[11]

Em Esquerdismo, Doença Infantil do Comunismo (1920), Lenin escreveu:
O inimigo mais poderoso só pode ser vencido mediante o máximo esforço e o uso mais completo, cuidadoso, atento, hábil e obrigatório de qualquer fissura, mesmo a menor, entre os inimigos, de qualquer conflito de interesses entre a burguesia dos vários países e entre os vários grupos ou tipos de burguesia dentro de cada país, e também aproveitando qualquer oportunidade, mesmo a menor, de conquistar um aliado de massas, ainda que esse aliado seja temporário, vacilante, instável, pouco confiável e condicional. Aqueles que não compreendem isso revelam não compreender nem mesmo a menor parcela do marxismo, do socialismo científico moderno em geral. Aqueles que não demonstraram na prática, durante um período bastante considerável e em situações políticas suficientemente variadas, sua capacidade de aplicar essa verdade ainda não aprenderam a ajudar a classe revolucionária em sua luta para emancipar toda a humanidade trabalhadora dos exploradores. E isso se aplica igualmente ao período anterior e posterior à conquista do poder político pelo proletariado.
— Collected Works, vol. 31, p. 23[12]
Práxis leninista
[editar | editar código]Partido de vanguarda
[editar | editar código]No capítulo II, "Proletários e comunistas", do Manifesto Comunista (1848), Marx e Engels apresentam o partido comunista como a vanguarda política exclusivamente qualificada para conduzir o proletariado na revolução:
Os comunistas, portanto, são, por um lado, na prática, a seção mais avançada e resoluta dos partidos da classe trabalhadora de todos os países, aquela seção que impulsiona todas as demais; por outro lado, teoricamente, têm sobre a grande massa do proletariado a vantagem de compreender claramente as linhas de marcha, as condições e os resultados gerais finais do movimento proletário. O objetivo imediato dos comunistas é o mesmo de todos os outros partidos proletários: constituição do proletariado em classe, derrubada da supremacia burguesa, conquista do poder político pelo proletariado.
O objetivo revolucionário do partido de vanguarda leninista é estabelecer a ditadura do proletariado com o apoio da classe trabalhadora. O partido comunista conduziria a deposição popular do governo czarista e, então, transferiria o poder governamental à classe trabalhadora; essa mudança da classe dominante — da burguesia para o proletariado — torna possível o estabelecimento do socialismo.[13] Em Que Fazer? (1902), Lenin afirmou que um partido revolucionário de vanguarda, recrutado da classe trabalhadora, deveria dirigir a campanha política porque somente assim o proletariado realizaria com êxito sua revolução; ao contrário da campanha econômica de luta sindical defendida por outros partidos políticos socialistas e pelos anarcossindicalistas. Assim como Marx, Lenin distinguiu os aspectos de uma revolução: a "campanha econômica" (greves trabalhistas por aumentos salariais e concessões no trabalho), caracterizada por uma liderança plural e difusa; e a "campanha política" (mudanças socialistas na sociedade), que exigia a liderança revolucionária decisiva do partido de vanguarda bolchevique.
Centralismo democrático
[editar | editar código]Com base na Primeira Internacional (AIT, Associação Internacional dos Trabalhadores, 1864–1876), Lenin organizou os bolcheviques como um partido de vanguarda democraticamente centralizado, no qual a liberdade de expressão política era reconhecida como legítima até a formação de um consenso sobre a política; depois disso, esperava-se que todos os membros do partido obedecessem à política acordada. O debate democrático era prática bolchevique, mesmo depois de Lenin proibir facções dentro do partido em 1921. Apesar de exercer uma influência política orientadora, Lenin não detinha poder absoluto e debatia continuamente para que seus pontos de vista fossem aceitos como curso de ação revolucionária. Em Freedom to Criticise and Unity of Action (1905), Lenin afirmou:
É claro que a aplicação desse princípio na prática às vezes dará origem a disputas e mal-entendidos; mas somente com base nesse princípio todas as disputas e todos os mal-entendidos podem ser resolvidos de maneira honrosa para o Partido. [...] O princípio do centralismo democrático e da autonomia das organizações locais do Partido implica liberdade universal e plena de crítica, desde que isso não perturbe a unidade de uma ação definida; exclui toda crítica que rompa ou dificulte a unidade de uma ação decidida pelo Partido.[14]
Revolução proletária
[editar | editar código]Antes da Revolução de Outubro, apesar de apoiar reformas políticas moderadas — incluindo a eleição de bolcheviques para a Duma quando oportuno —, Lenin afirmou que o capitalismo só poderia ser derrubado por meio da revolução proletária, e não por reformas graduais — internas (fabianismo) ou externas (social-democracia) —, que fracassariam porque o controle da burguesia sobre os meios de produção determinava a natureza do poder político na Rússia.[15] Conforme sintetizado no lema "Por uma Ditadura Democrática do Proletariado e do Campesinato", uma revolução proletária na Rússia subdesenvolvida exigia que um proletariado unido — camponeses e trabalhadores industriais — assumisse com êxito o poder governamental nas cidades. Além disso, em razão das aspirações de classe média de grande parte do campesinato, Leon Trótski afirmou que a liderança proletária da revolução garantiria uma transformação socioeconômica verdadeiramente socialista e democrática.
Ditadura do proletariado
[editar | editar código]
Na Rússia bolchevique, o governo por democracia direta era realizado por meio dos sovietes — conselhos eleitos de trabalhadores —, que Lenin afirmou constituírem a "ditadura democrática do proletariado" postulada no marxismo ortodoxo.[16] Os sovietes eram compostos por comitês representativos das fábricas e dos sindicatos, mas excluíam a classe social capitalista para estabelecer um governo proletário pela e para a classe trabalhadora e os camponeses. A respeito da privação dos direitos políticos da classe capitalista na Rússia bolchevique, Lenin afirmou que "privar os exploradores do direito de voto é uma questão puramente russa, e não uma questão da ditadura do proletariado em geral. [...] Em quais países [...] a democracia para os exploradores será, de uma forma ou de outra, restringida [...] é uma questão das características nacionais específicas deste ou daquele capitalismo".[4] No capítulo cinco de O Estado e a Revolução (1917), Lenin descreve a ditadura do proletariado como:
a organização da vanguarda dos oprimidos como classe dominante com o propósito de esmagar os opressores. [...] Uma imensa expansão da democracia, que, pela primeira vez, torna-se democracia para os pobres, democracia para o povo, e não democracia para os ricos [...] e repressão pela força, isto é, exclusão da democracia, para os exploradores e opressores do povo — essa é a mudança que a democracia sofre durante a "transição" do capitalismo para o comunismo.[17]
A respeito da exclusão da classe capitalista da democracia, Lenin afirmou: "Democracia para a imensa maioria do povo e repressão pela força, isto é, exclusão da democracia, dos exploradores e opressores do povo — essa é a mudança pela qual passa a democracia durante a transição do capitalismo para o comunismo".[18] A ditadura do proletariado seria realizada com o constitucionalismo soviético, uma forma de governo oposta à ditadura do capital — meios de produção de propriedade privada — praticada nas democracias burguesas. Sob o constitucionalismo soviético, o partido de vanguarda leninista seria um entre vários partidos políticos concorrendo em eleições pelo poder governamental.[3][16][19] Contudo, em razão da Guerra Civil Russa (1917–1924) e do terrorismo antibolchevique de partidos políticos opositores que apoiavam a contrarrevolução dos Exércitos Brancos, o governo bolchevique proibiu todos os demais partidos políticos, o que deixou o partido de vanguarda leninista como o único partido político na Rússia. Lenin afirmou que essa repressão política não era filosoficamente inerente à ditadura do proletariado.[20][19][21]
Economia
[editar | editar código]O governo bolchevique nacionalizou a indústria e estabeleceu um monopólio do comércio exterior para permitir a coordenação produtiva da economia nacional e impedir que as indústrias nacionais russas competissem entre si. Para alimentar as populações das cidades e do campo, Lenin instituiu o comunismo de guerra (1918–1921) como condição necessária — suprimentos adequados de alimentos e armas — para combater na Guerra Civil Russa.[19] Em março de 1921, a Nova Política Econômica (NEP, 1921–1929) permitiu um capitalismo local limitado — comércio privado e livre-comércio interno — e substituiu as requisições de grãos por um imposto agrícola administrado por bancos estatais. A NEP destinava-se a resolver os distúrbios camponeses provocados pela escassez de alimentos e permitia uma iniciativa privada limitada; o motivo do lucro incentivava os agricultores a produzir as colheitas necessárias para alimentar as cidades e o campo e a restabelecer economicamente a classe trabalhadora urbana, que havia perdido muitos trabalhadores para combater na Guerra Civil contrarrevolucionária.[22][23] A nacionalização da economia pela NEP facilitaria então a industrialização da Rússia, fortaleceria politicamente a classe trabalhadora e elevaria o padrão de vida de todos os russos. Lenin afirmou que o surgimento de novos Estados socialistas era necessário para fortalecer a economia russa na construção do socialismo russo. A perspectiva socioeconômica de Lenin foi apoiada pela Revolução Alemã de 1918-1919, pelo levante italiano e pelas greves gerais de 1920, além de protestos salariais de trabalhadores no Reino Unido, França e Estados Unidos.
Autodeterminação nacional
[editar | editar código]Ao reconhecer e aceitar o nacionalismo entre povos oprimidos, Lenin defendia seu direito nacional à autodeterminação e, portanto, opunha-se ao chauvinismo russo, pois tal etnocentrismo constituía um obstáculo cultural ao estabelecimento da ditadura do proletariado em todos os territórios do deposto Império Russo (1721–1917).[24][25] Em The Right of Nations to Self-determination (1914), Lenin afirmou:
Lutamos contra os privilégios e a violência da nação opressora e não toleramos de modo algum aspirações a privilégios por parte da nação oprimida. [...] O nacionalismo burguês de qualquer nação oprimida possui um conteúdo democrático geral dirigido contra a opressão, e é esse conteúdo que apoiamos incondicionalmente. Ao mesmo tempo, distinguimo-lo rigorosamente da tendência à exclusividade nacional. [...] Pode uma nação ser livre se oprime outras nações? Não pode.[26]
Nessa polêmica contra Rosa Luxemburgo, Lenin também defendeu sua posição sobre a libertação nacional, argumentando que a Rússia atravessava uma fase democrático-burguesa que tornava necessária a formação de Estados-nação.[27]
O internacionalismo socialista do marxismo e do bolchevismo baseia-se na luta de classes e na superação, pelos povos, do nacionalismo, do etnocentrismo e da religião — os obstáculos intelectuais à consciência de classe progressista —, que constituem o status quo da hegemonia cultural manipulado pela classe dominante capitalista para dividir politicamente as classes trabalhadoras e camponesas. Para superar essa barreira ao estabelecimento do socialismo, Lenin afirmou que o reconhecimento do nacionalismo, como direito de um povo à autodeterminação e à secessão, permitiria naturalmente que os Estados socialistas transcendessem as limitações políticas do nacionalismo para formar uma federação.[20] Em The Question of Nationalities, or 'Autonomisation' (1923), Lenin afirmou:
[N]ada impede tanto o desenvolvimento e o fortalecimento da solidariedade de classe proletária quanto a injustiça nacional; os nacionais "ofendidos" não são sensíveis a nada tanto quanto ao sentimento de igualdade e à violação dessa igualdade, ainda que apenas por negligência ou brincadeira — à violação dessa igualdade por seus camaradas proletários.[28]
Cultura socialista
[editar | editar código]O papel do partido de vanguarda leninista era educar politicamente trabalhadores e camponeses para dissipar a falsa consciência social da religião e do nacionalismo que constituía o status quo da hegemonia cultural ensinada pela burguesia ao proletariado para facilitar sua exploração econômica de camponeses e trabalhadores. Influenciado por Lenin, o Comitê Central do Partido Bolchevique afirmou que o desenvolvimento da cultura dos trabalhadores socialistas não deveria ser "tolhido de cima" e se opôs ao controle organizacional da cultura nacional pelo Proletkult (1917–1925).[29]
Leninismo após 1924
[editar | editar código]Stalinismo e marxismo-leninismo
[editar | editar código]Na Rússia posterior à Revolução, a aplicação stalinista do marxismo-leninismo — o socialismo em um só país — e o trotskismo — a revolução mundial permanente — eram as principais filosofias do comunismo que reivindicavam descendência ideológica legítima do leninismo; assim, dentro do Partido Comunista, cada facção ideológica negava a legitimidade política da facção adversária.[30] Até pouco antes de sua morte, Lenin combateu a influência política desproporcional de Stalin no Partido Comunista e na burocracia do governo soviético, em parte devido aos abusos que este havia cometido contra a população da Geórgia e em parte porque o autocrático Stalin havia acumulado poder administrativo desproporcional ao cargo de secretário-geral do Partido Comunista.[20][31]
A reação contra Stalin estava de acordo com a defesa de Lenin do direito à autodeterminação dos grupos nacionais e étnicos do deposto Império Czarista.[31] Lenin advertiu o Partido de que Stalin tinha "autoridade ilimitada concentrada em suas mãos, e não estou certo de que ele sempre será capaz de usar essa autoridade com suficiente cautela" e formou uma facção com Leon Trótski para remover Stalin do cargo de secretário-geral do Partido Comunista.[21][32]
Seguiram-se propostas para reduzir os poderes administrativos dos cargos partidários e diminuir a influência burocrática sobre as políticas do Partido Comunista. Lenin aconselhou Trótski a enfatizar o recente alinhamento burocrático de Stalin em tais questões — por exemplo, ao enfraquecer a Inspeção Operária e Camponesa antiburocrática — e defendeu a destituição de Stalin do cargo de secretário-geral. Apesar do conselho de recusar "qualquer compromisso podre", Trótski não seguiu o conselho de Lenin, e o secretário-geral Stalin manteve o poder sobre o Partido Comunista e a burocracia do governo soviético.[21]
Trotskismo
[editar | editar código]
Em 1922, Lenin aliou-se a Leon Trótski contra a crescente burocratização do partido e a influência de Josef Stalin.[33][34][35][36][37] O próprio Lenin nunca mencionou o conceito de "trotskismo" depois que Trótski se tornou membro do Partido Bolchevique, mas o termo foi empregado por Stalin e pela troica para apresentar as opiniões de Trótski como faccionais e antitéticas ao pensamento leninista.[38]
Após a morte de Lenin, em 21 de janeiro de 1924, Trótski combateu ideologicamente a influência de Stalin, que formou blocos dirigentes dentro do Partido Comunista Russo — com Grigori Zinoviev e Lev Kamenev, depois com Nikolai Bukharin e, por fim, sozinho — e, assim, determinou a política do governo soviético a partir de 1924. Os blocos dirigentes negavam continuamente aos opositores de Stalin o direito de se organizar como facção de oposição dentro do partido; desse modo, a restauração do centralismo democrático e da liberdade de expressão dentro do Partido Comunista eram argumentos centrais da Oposição de Esquerda de Trótski e da posterior Oposição Unificada.[21][39]
Ao instituir a política governamental, Stalin promoveu a doutrina do socialismo em um só país — adotada em 1925 —,[40] segundo a qual a União Soviética construiria o socialismo sobre as bases econômicas da Rússia — ao mesmo tempo que apoiaria revoluções socialistas em outros lugares.[41] Em uma entrevista de 1936 ao jornalista Roy W. Howard, Stalin formulou sua rejeição à revolução mundial e declarou que "nunca tivemos tais planos e intenções" e que "a exportação da revolução é um absurdo".[42][43][44]
Trótski, por sua vez, sustentava que o socialismo em um só país limitaria economicamente o desenvolvimento industrial da União Soviética e, portanto, exigiria assistência dos novos países socialistas do mundo desenvolvido — o que era essencial para manter a democracia soviética —, já em 1924 fortemente enfraquecida pela Guerra Civil Russa e pela contrarrevolução do Exército Branco. A teoria da revolução permanente de Trótski propunha que revoluções socialistas em países subdesenvolvidos desmantelariam ainda mais regimes feudais e estabeleceriam democracias socialistas que não passariam por uma etapa capitalista de desenvolvimento e governo. Assim, trabalhadores revolucionários deveriam aliar-se politicamente a organizações políticas camponesas, e não a partidos políticos capitalistas. Em contraste, Stalin e seus aliados propunham que alianças com partidos políticos capitalistas eram essenciais para realizar uma revolução onde os comunistas fossem poucos.[40] Essa prática stalinista fracassou, sobretudo na Expedição do Norte, que resultou no massacre do Partido Comunista da China pelo Kuomintang de direita. Apesar do fracasso, a política de Stalin de alianças políticas de ideologias mistas tornou-se, ainda assim, a política da Comintern.
Até ser exilado da Rússia em 1929, Trótski desenvolveu e liderou a Oposição de Esquerda — e a posterior Oposição Unificada — com membros da Oposição Operária, os decembristas e, posteriormente, os zinovievistas.[21] O trotskismo predominava na política da Oposição de Esquerda, que exigia a restauração da democracia soviética, a ampliação do centralismo democrático no Partido Comunista, a industrialização nacional, a revolução permanente internacional e o internacionalismo socialista. Segundo a historiadora Sheila Fitzpatrick, o consenso acadêmico era de que Stalin se apropriou da posição da Oposição de Esquerda em questões como industrialização e coletivização.[45]
As reivindicações trotskistas se contrapuseram ao domínio político de Stalin sobre o Partido Comunista, oficialmente caracterizado pelo "culto a Lenin", pela rejeição da revolução permanente e pela defesa da doutrina do socialismo em um só país. A política econômica stalinista oscilava entre apaziguar os interesses capitalistas dos cúlaques no campo e destruí-los como classe social. Inicialmente, os stalinistas também rejeitaram a industrialização nacional da Rússia, mas depois a implementaram integralmente, por vezes de forma brutal. Em ambos os casos, a Oposição de Esquerda denunciou a natureza regressiva da política de Stalin em relação à rica classe social dos cúlaques e a brutalidade da industrialização forçada. Trótski descreveu a oscilação stalinista como sintoma da natureza antidemocrática de uma burocracia dominante.[46]
Durante as décadas de 1920 e 1930, Stalin combateu e derrotou a influência política de Trótski e dos trotskistas na Rússia por meio de difamação, antissemitismo, censura, expulsões, exílio — interno e externo — e prisão. A campanha antitrotskista culminou nas execuções — oficiais e extraoficiais — dos Processos de Moscou (1936–1938), que fizeram parte do Grande Expurgo dos velhos bolcheviques que haviam liderado a Revolução.[21][47]
Críticas
[editar | editar código]As críticas à economia do leninismo foram amplas, provenientes tanto da esquerda quanto da direita política.
Críticas no século XX
[editar | editar código]John Maynard Keynes escreveu sobre o leninismo em seu ensaio de persuasão de 1931:
"Não consigo perceber que o comunismo russo tenha dado qualquer contribuição aos nossos problemas econômicos de interesse intelectual ou valor científico. Não penso que contenha, ou que provavelmente venha a conter, qualquer técnica econômica útil que não pudéssemos aplicar, se assim escolhêssemos, com igual ou maior êxito em uma sociedade que conservasse todas as marcas, não direi do capitalismo individualista do século XIX, mas dos ideais burgueses britânicos. Ao menos teoricamente, não acredito que exista qualquer melhoria econômica para a qual a Revolução seja um instrumento necessário. Por outro lado, temos tudo a perder com os métodos de mudança violenta. Nas condições industriais ocidentais, as táticas da Revolução Vermelha lançariam toda a população em um abismo de pobreza e morte."[48]
Em uma entrevista de 2013, Noam Chomsky observou sobre o resultado do leninismo:
"Quando ele se tornou o líder, não perdeu muito tempo, e Trótski o ajudou, em instituir um regime bastante repressivo com os elementos básicos do stalinismo. Eles avançaram muito rapidamente para desmantelar a maior parte dos órgãos de poder popular. Não da noite para o dia, mas em pouco tempo conseguiram basicamente desmantelar os sovietes, os conselhos de fábrica e transformar a força de trabalho em um exército de trabalho. As forças revolucionárias camponesas se opunham fortemente a isso, a propósito. Ao contrário de Marx, que via potencial revolucionário no campesinato russo, os comunistas urbanos, como Lenin, eram fortemente contrários a isso."[49]
Críticas de esquerda
[editar | editar código]Como forma de marxismo, o leninismo revolucionário foi criticado como uma interpretação antidemocrática do socialismo. Em The Nationalities Question in the Russian Revolution (1918), Rosa Luxemburgo criticou os bolcheviques pela supressão da Assembleia Constituinte Russa (janeiro de 1918); pela partilha das propriedades feudais entre as comunas camponesas; e pelo direito de autodeterminação de todos os povos nacionais das Rússias. Segundo ela, os erros estratégicos — geopolíticos — dos bolcheviques criariam perigos significativos para a Revolução Russa, como a burocratização que surgiria para administrar o vasto território da Rússia bolchevique.[50] Na filosofia marxista, a esquerda comunista é um conjunto de perspectivas políticas de esquerda entre comunistas. A esquerda comunista critica a ideologia do Partido Bolchevique como vanguarda revolucionária. Ideologicamente, os comunistas de esquerda apresentam suas perspectivas e abordagens como o marxismo autêntico e, portanto, mais orientado ao proletariado do que o leninismo da Internacional Comunista em seus primeiro (1919) e segundo (1920) congressos. Entre os defensores do comunismo de esquerda estão Amadeo Bordiga, Herman Gorter, Paul Mattick, Sylvia Pankhurst, Anton Pannekoek e Otto Rühle.[51]
Historicamente, a esquerda comunista germano-holandesa foi a que mais criticou Lenin e o leninismo,[52][53][54] enquanto a esquerda comunista italiana permaneceu leninista. Bordiga afirmou: "Todo esse trabalho de demolição do oportunismo e do 'desviacionismo' (Lenin: Que Fazer?) é hoje a base da atividade do partido. O partido segue a tradição e as experiências revolucionárias nesse trabalho durante esses períodos de refluxo revolucionário e de proliferação de teorias oportunistas, que tiveram como seus adversários violentos e inflexíveis Marx, Engels, Lenin e a Esquerda Italiana."[55] Em The Lenin Legend (1935), Paul Mattick afirmou que a tradição do comunismo de conselhos, iniciada pelos comunistas germano-holandeses, também é crítica ao leninismo.[56] Organizações comunistas de esquerda contemporâneas, como a Tendência Comunista Internacionalista e a Corrente Comunista Internacional, consideram Lenin um teórico essencial e influente, mas continuam críticas ao leninismo como práxis política para a revolução proletária.[57][58][59]
Ainda assim, o bordiguismo do Partido Comunista Internacional segue o leninismo estrito de Bordiga. Ideologicamente alinhado à esquerda germano-holandesa, entre os ideólogos da comunização contemporânea, o teórico Gilles Dauvé criticou o leninismo como um "subproduto do kautskismo".[60] Em The Soviet Union Versus Socialism (1986), Noam Chomsky afirmou que o stalinismo foi o desenvolvimento lógico do leninismo, e não um desvio ideológico das políticas de Lenin, que resultou na coletivização imposta por meio de um Estado policial.[61][62] Ele também argumentou, à luz dos princípios do socialismo, que o leninismo era um desvio de direita do marxismo.[63]
Legado
[editar | editar código]Influência debatida sobre o stalinismo
[editar | editar código]Alguns historiadores, como Richard Pipes, consideram o stalinismo uma consequência natural do leninismo, afirmando que Stalin "implementou fielmente os programas de política interna e externa de Lenin".[64] Robert Service observa que "institucional e ideologicamente, Lenin lançou as bases para um Stalin [...] mas a passagem do leninismo para os piores terrores do stalinismo não foi suave nem inevitável".[65] O historiador e biógrafo de Stalin Edvard Radzinsky acredita que Stalin foi um seguidor genuíno de Lenin, exatamente como ele próprio afirmava.[66] Os defensores da continuidade citam diversos fatores contribuintes: teria sido Lenin, e não Stalin, cujas medidas da Guerra Civil introduziram o Terror Vermelho, com tomada de reféns e campos de internamento; teria sido Lenin quem desenvolveu o infame Artigo 58 e estabeleceu o sistema autocrático dentro do Partido Comunista Russo.[67] Os defensores também observam que Lenin proibiu facções dentro do partido e introduziu o Estado de partido único em 1921, medida que permitiu a Stalin livrar-se facilmente de seus rivais após a morte de Lenin, e citam Félix Dzerjinski, que declarou durante a luta bolchevique contra os adversários na Guerra Civil Russa: "Defendemos o terror organizado — isso deve ser dito francamente".[68]
Outros estudiosos sustentaram uma visão diferente e atribuíram o estabelecimento do sistema de partido único na União Soviética às condições de guerra impostas ao governo de Lenin[69] e outros destacaram as tentativas iniciais de formar um governo de coalizão com os Socialistas Revolucionários de Esquerda.[70] Segundo o historiador Marcel Liebman, medidas de guerra de Lenin, como a proibição de partidos de oposição, foram motivadas pelo fato de que vários partidos políticos ou iniciaram levantes armados contra o novo governo soviético, ou participaram de sabotagem, colaboraram com os czaristas da deposta monarquia absoluta, ou realizaram tentativas de assassinato contra Lenin e outros líderes bolcheviques.[71] Liebman também argumentou que a proibição de partidos sob Lenin não teve o mesmo caráter repressivo das proibições posteriores aplicadas pelo regime stalinista.[71] Vários estudiosos destacaram a natureza socialmente progressista de políticas de Lenin, como educação universal, assistência médica universal e direitos iguais para as mulheres.[72][73][74] Em contraste, o regime de Stalin reverteu políticas de Lenin em questões sociais como igualdade sexual, restrições legais ao casamento, direitos de minorias sexuais e legislação protetiva sobre o aborto.[75] O historiador Robert V. Daniels também considerou o período stalinista uma contrarrevolução na vida cultural soviética que reviveu a propaganda do patriotismo soviético, o programa czarista de russificação e as tradicionais patentes militares, criticadas por Lenin como expressões de "chauvinismo grão-russo".[76] Daniels também considerava que o stalinismo representava uma ruptura abrupta com o período leninista em termos de política econômica, na qual um sistema deliberado e científico de planejamento econômico, que incluía antigos economistas mencheviques no Gosplan, foi substituído por uma versão apressada de planejamento, com metas irrealistas, desperdício burocrático, gargalos e escassez.[77]
Historiadores revisionistas e alguns historiadores da era pós-Guerra Fria ou historiadores dissidentes soviéticos, entre eles Roy Medvedev, argumentam que "poder-se-ia enumerar as várias medidas executadas por Stalin que eram, na realidade, uma continuação de tendências e medidas antidemocráticas implementadas sob Lenin", mas que "em muitos aspectos, Stalin agiu não de acordo com as claras instruções de Lenin, mas desafiando-as".[78] Ao fazê-lo, alguns historiadores procuraram distanciar o stalinismo do leninismo para enfraquecer a interpretação totalitária de que os aspectos negativos de Stalin eram inerentes ao comunismo desde o início.[79] Entre os críticos estão comunistas antistalinistas como Leon Trótski, que observou que Lenin tentou persuadir o Partido Comunista Russo a remover Stalin do cargo de secretário-geral. O Testamento de Lenin, documento que continha essa ordem, foi suprimido após a morte de Lenin. Trótski também argumentou que ele e Lenin pretendiam suspender a proibição dos partidos de oposição, como os mencheviques e os socialistas revolucionários, assim que as condições econômicas e sociais da Rússia Soviética melhorassem.[80] Vários historiadores citaram a proposta de Lenin de nomear Trótski vice-presidente do governo soviético como evidência de que pretendia que Trótski o sucedesse na chefia do governo.[81][82][83][84][85] Em sua biografia de Trótski, o historiador polonês-britânico Isaac Deutscher afirma que, diante das evidências, "somente cegos e surdos poderiam não perceber o contraste entre stalinismo e leninismo".[86] Segundo o secretário de Stalin, Boris Bazhanov, Stalin teria ficado exultante com a morte de Lenin enquanto "publicamente vestia a máscara do luto".[87] O historiador francês Pierre Broué contestou avaliações históricas do início da União Soviética feitas por historiadores modernos como Dmitri Volkogonov, que, segundo ele, equiparavam falsamente leninismo, stalinismo e trotskismo para apresentar uma noção de continuidade ideológica e reforçar a posição do anticomunismo.[88] Outros historiadores revisionistas, como Orlando Figes, embora críticos da era soviética, reconhecem que Lenin procurou ativamente conter a crescente influência de Stalin por meio de várias ações, como sua aliança com Trótski em 1922–23, sua oposição a Stalin em questões de comércio exterior, o caso georgiano e reformas partidárias propostas que incluíam a democratização do Comitê Central e o recrutamento de 50 a 100 trabalhadores comuns para os órgãos inferiores do partido.[89]

Nikita Khrushchov, sucessor de Stalin, argumentou que o regime de Stalin diferia profundamente da liderança de Lenin em seu "Discurso Secreto", proferido em 1956. Ele criticou o culto ao indivíduo construído em torno de Stalin, enquanto Lenin enfatizava "o papel do povo como criador da história".[90] Khrushchov também enfatizou que Lenin favorecia uma liderança coletiva baseada em persuasão pessoal e recomendou a remoção de Stalin do cargo de secretário-geral. Khrushchov contrastou isso com o "despotismo" de Stalin, que exigia submissão absoluta à sua posição, e destacou que muitas das pessoas posteriormente eliminadas como "inimigos do partido" haviam trabalhado com Lenin durante sua vida.[90] Também contrastou os "métodos severos" usados por Lenin nos "casos mais necessários", como uma "luta pela sobrevivência" durante a Guerra Civil, com os métodos extremos e as repressões em massa empregados por Stalin mesmo quando a Revolução "já havia triunfado".[90] Em suas memórias, Khrushchov argumentou que os expurgos em larga escala de Stalin contra o "núcleo mais avançado de pessoas" entre os velhos bolcheviques e as principais figuras dos campos militar e científico haviam "indubitavelmente" enfraquecido a nação.[91]
Alguns teóricos marxistas contestaram a ideia de que a ditadura stalinista fosse um desdobramento natural das ações dos bolcheviques, já que a maioria dos membros originais do Comitê Central de 1917 foi posteriormente eliminada por Stalin.[92] George Novack destacou os esforços iniciais dos bolcheviques para formar um governo com os Socialistas Revolucionários de Esquerda e trazer outros partidos, como os mencheviques, à legalidade política.[93] Tony Cliff argumentou que o governo de coalizão bolchevique–socialista revolucionário de esquerda dissolveu a democraticamente eleita Assembleia Constituinte Russa por uma série de razões. Entre elas, citou listas eleitorais desatualizadas que não reconheciam a cisão no Partido Socialista Revolucionário e o conflito da Assembleia com o Congresso dos Sovietes de Toda a Rússia como estrutura democrática alternativa.[94]
Uma análise semelhante aparece em obras mais recentes, como as de Graeme Gill, que argumenta que "[o stalinismo] não foi um desdobramento natural dos desenvolvimentos anteriores; [ele constituiu] uma ruptura abrupta resultante de decisões conscientes de importantes atores políticos". Gill observa, contudo, que "as dificuldades no uso do termo refletem problemas com o próprio conceito de stalinismo. A principal dificuldade é a ausência de consenso sobre o que deveria constituir o stalinismo".[95] Historiadores revisionistas como Sheila Fitzpatrick criticaram o foco nos níveis superiores da sociedade e o emprego de conceitos da Guerra Fria, como totalitarismo, por obscurecerem a realidade do sistema.[96]
O historiador russo Vadim Rogovin afirmou que "sob Lenin, a liberdade para expressar uma verdadeira variedade de opiniões existia no partido e, ao tomar decisões políticas, levavam-se em conta as posições não apenas da maioria, mas também de uma minoria no partido". Ele comparou essa prática com os blocos dirigentes posteriores, que violaram a tradição partidária, ignoraram propostas de opositores e expulsaram a Oposição do partido com acusações falsificadas, culminando nos Processos de Moscou de 1936–1938. Segundo Rogovin, entre 80% e 90% dos membros do Comitê Central eleitos do Sexto ao Décimo Sétimo Congressos foram fisicamente eliminados.[97]
A Oposição de Direita e a Oposição de Esquerda são consideradas por alguns estudiosos alternativas políticas ao stalinismo, apesar de sua crença comum no leninismo, pois suas plataformas políticas divergiam das de Stalin. Essas divergências abrangiam questões relacionadas à economia socialista, à política externa e à cultura.[98][99]
Ver também
[editar | editar código]Referências
[editar | editar código]- ↑ «Leninism | Marxist-Leninist Theory & Ideology | Britannica». Encyclopædia Britannica (em inglês). Consultado em 30 de novembro de 2025. Cópia arquivada em 9 de outubro de 2025
- ↑ Rockmore, Tom; Levine, Norman (19 de dezembro de 2018). The Palgrave Handbook of Leninist Political Philosophy (em inglês). [S.l.]: Springer. pp. 313–531. ISBN 978-1-137-51650-3
- 1 2 3 4 The New Fontana Dictionary of Modern Thought Third ed. [S.l.: s.n.] 1999. pp. 476–477
- 1 2 «Leninism». Encyclopædia Britannica. 7 15th ed. 265 páginas
- ↑ The Columbia Encyclopedia Fifth ed. 1994. 1558 páginas
- ↑ Kohn, George Childs, ed. (2007). Dictionary of Wars Third ed. 459 páginas
- ↑ Yurchak, Alexei (setembro de 2017). «The canon and the mushroom Lenin, sacredness, and Soviet collapse»
. HAU: Journal of Ethnographic Theory. 7 (2): 165–198. doi:10.14318/hau7.2.021. Consultado em 7 de fevereiro de 2021. Cópia arquivada em 14 de fevereiro de 2021 - ↑ Lih, Lars (2005). Lenin Rediscovered: What is to be Done? in Context. [S.l.]: Brill Academic Publishers. ISBN 978-90-04-13120-0
- ↑ Gregor, A. James (2000). The Faces of Janus: Marxism and Fascism in the Twentieth Century. New Haven, Connecticut: Yale University Press. 133 páginas. ISBN 0-300-07827-7
- ↑ Tomasic, D. (dezembro de 1953). «The Impact of Russian Culture on Soviet Communism». Western Political Science Association. The Western Political Quarterly. 6 (4): 808–809. JSTOR 443211. doi:10.2307/443211
- ↑ Lenin, V. I., United States of Europe Slogan, Collected Works, vol. 18, p. 232.
- ↑ Lenin, Vladimir (1920). «No Compromises?». Left-Wing Communism: an Infantile Disorder. Soviet Union: Progress Publishers. Consultado em 5 de janeiro de 2013. Cópia arquivada em 29 de fevereiro de 2020 – via Marxists Internet Archive
- ↑ Townson, D. (1994). The New Penguin Dictionary of Modern History: 1789–1945. London: [s.n.] pp. 462–464
- ↑ Lenin, V. I. (1965). «Freedom to Criticise and Unity of Action». Lenin's Collected Works. 10. Moscow: Progress Publishers. pp. 442–443. Consultado em 30 de novembro de 2011. Cópia arquivada em 24 de janeiro de 2021 – via Marxists Internet Archive
- ↑ Lenin, V. I. (1965). «O Estado e a Revolução». Lenin's Collected Works. 25. Moscow: Progress Publishers. pp. 381–492. Consultado em 30 de novembro de 2011. Cópia arquivada em 3 de dezembro de 2011 – via Marxists Internet Archive
- 1 2 Deutscher, Isaac (1954). The Prophet Armed: Trotsky 1879–1921. [S.l.]: Oxford University Press
- ↑ Hill, Christopher (1993). Lenin and the Russian Revolution. London: Penguin Books. pp. 85–86
- ↑ Collected Works, vol. 25, pp. 461–462, Marx Engels Lenin on Scientific Socialism. Moscow: Novosti Press Ajency Publishing House. 1974. Consultado em 18 de março de 2016. Cópia arquivada em 31 de janeiro de 2020
- 1 2 3 Carr, Edward Hallett (1979). The Russian Revolution From Lenin to Stalin: 1917–1929. [S.l.: s.n.]
- 1 2 3 Lewin, Moshe (1969). Lenin's Last Struggle. [S.l.: s.n.]
- 1 2 3 4 5 6 Deutscher, Isaac (1959). Trotsky: The Prophet Unarmed (1921-1929). [S.l.]: Oxford University Press
- ↑ Cook, Chris, ed. (1983). Dictionary of Historical Terms. New York: Peter Bedrick Books. 205 páginas
- ↑ Lenin, V. I. (1965). «The New Economic Policy and the Tasks of the Political Education Departments. Report to the Second All-Russia Congress of Political Education Departments». Lenin's Collected Works. 33 2nd English ed. Moscow: Progress Publishers. pp. 60–79. Consultado em 2 de dezembro de 2011. Cópia arquivada em 3 de dezembro de 2011 – via Marxists Internet Archive
- ↑ Lenin, V. I. (1972). «The Right of Nations to Self-Determination». Lenin's Collected Works. 20. Moscow: Progress Publishers. pp. 393–454. Consultado em 30 de novembro de 2011. Cópia arquivada em 13 de junho de 2021 – via Marxists Internet Archive
- ↑ Harding, Neil, ed. (1984). The State in Socialist Society 2nd ed. Oxford: St. Antony's College. 189 páginas
- ↑ Lenin, V. I. (1972). «The Right of Nations to Self-determination, Chapter 4: 4. "Practicality" in The National Question». Lenin's Collected Works. 20. Moscow: Progress Publishers. pp. 393–454. Consultado em 30 de novembro de 2011. Cópia arquivada em 13 de junho de 2021 – via Marxists Internet Archive
- ↑ Jones, R. J. Barry (11 de setembro de 2002). Routledge Encyclopedia of International Political Economy. [S.l.]: Routledge. p. 919. ISBN 978-1-136-92739-3. Consultado em 11 de janeiro de 2026
- ↑ Lenin, V. I. (1923). "The Question of Nationalities or 'Autonomisation'". In "'Last Testament' Letters to the Congress", from Lenin Collected Works, Volume 36, pp. 593–611. Arquivado em 3 dezembro 2011 no Wayback Machine. Retrieved 30 November 2011.
- ↑ Central Committee, "On Proletcult Organisations", Pravda No. 270, 1 December 1920.
- ↑ Chambers Dictionary of World History (2000) p. 837.
- 1 2 Carr, Edward Hallett (1979). The Russian Revolution From Lenin to Stalin: 1917–1929. [S.l.: s.n.]
- ↑ Lenin, V. I. (1965). «'Last Testament' Letters to the Congress». Lenin's Collected Works. 36. Moscow: Progress Publishers. pp. 593–611. Consultado em 30 de novembro de 2011. Cópia arquivada em 4 de dezembro de 2011 – via Marxists Internet Archive
- ↑ Mccauley, Martin (4 de fevereiro de 2014). The Soviet Union 1917-1991 (em inglês). [S.l.]: Routledge. p. 59. ISBN 978-1-317-90179-2
- ↑ Deutscher, Isaac (2003). The Prophet Unarmed: Trotsky 1921-1929 (em inglês). [S.l.]: Verso Books. p. 63. ISBN 978-1-85984-446-5
- ↑ Kort, Michael G. (18 de maio de 2015). The Soviet Colossus: History and Aftermath (em inglês). [S.l.]: M. E. Sharpe. p. 166. ISBN 978-0-7656-2845-9
- ↑ Volkogonov, Dmitriĭ Antonovich (1996). Trotsky: The Eternal Revolutionary (em inglês). [S.l.]: HarperCollins. p. 242. ISBN 978-0-00-255272-1
- ↑ Lenin, V. I. "To L. D. Trotsky", 13 December 1922. [S.l.: s.n.] – via Marxists Internet Archive
- ↑ Rogovin, Vadim Zakharovich (2021). Was There an Alternative? Trotskyism: a Look Back Through the Years (em inglês). [S.l.]: Mehring Books. 281 páginas. ISBN 978-1-893638-97-6
- ↑ Trotsky, Leon (1927). «Platform of the Joint Opposition». Consultado em 28 de novembro de 2011. Cópia arquivada em 3 de dezembro de 2011 – via Marxists Internet Archive
- 1 2 «When the Soviet Union Entered World Politics». UC Press E-Books Collection. Consultado em 17 de dezembro de 2019. Cópia arquivada em 14 de fevereiro de 2020
- ↑ «Socialism in One Country versus Permanent Revolution». Seventeen Moments in Soviet History. 27 de agosto de 2015. Consultado em 17 de dezembro de 2019. Cópia arquivada em 1 de fevereiro de 2017
- ↑ Vyshinsky, Andrey Yanuaryevich (1950). Speeches Delivered at the Fifth Session of the General Assembly of the United Nations, September-October, 1950 (em inglês). [S.l.]: Information Bulletin of the Embassy of the Union of Soviet Socialist Republics. p. 76
- ↑ Volkogonov, Dmitriĭ Antonovich (1998). Autopsy for an Empire: The Seven Leaders who Built the Soviet Regime (em inglês). [S.l.]: Simon & Schuster. p. 125. ISBN 978-0-684-83420-7
- ↑ Kotkin, Stephen (2017). Stalin. II, Waiting for Hitler, 1928-1941. London: Allen Lane. p. 125. ISBN 978-0-7139-9945-7
- ↑ Fitzpatrick, Sheila (22 de abril de 2010). «The Old Man». London Review of Books (em inglês). 32 (8). ISSN 0260-9592
- ↑ Trotsky, L. D. (1938). A Revolução Traída. [S.l.: s.n.]
- ↑ Rogovin, Vadim Z. (2009). Stalin's Terror of 1937–1938: Political Genocide in the USSR. Traduzido por Choate, Frederick S. [S.l.: s.n.]
- ↑ Essays In Persuasion (1931). [S.l.]: Macmillan and Co. Ltd. London. 1931
- ↑ «Noam Chomsky on Revolutionary Violence, Communism and the American Left». chomsky.info. Consultado em 27 de outubro de 2025
- ↑ «The Nationalities Question in the Russian Revolution (Rosa Luxemburg, 1918)». Libcom.org. 11 de julho de 2006. Consultado em 2 de janeiro de 2010. Cópia arquivada em 19 de outubro de 2018
- ↑ Ojeili, Chamsy (2001). «The 'Advance Without Authority': Post-modernism, Libertarian Socialism and Intellectuals». Democracy & Nature. 7 (3): 391–413. doi:10.1080/10855660120092294
- ↑ «Herman Gorter, Open Letter to Comrade Lenin, 1920». Cópia arquivada em 2 de dezembro de 2017
- ↑ Pannekoek, Anton (1938). «Lenin As Philosopher». Cópia arquivada em 26 de outubro de 2017 – via Marxists Internet Archive.
- ↑ Rühle, Otto (1939). «The Struggle Against Fascism: Begins with the Struggle Against Bolshevism». Living Marxism. 4 (8). Cópia arquivada em 31 de agosto de 2017 – via Marxists Internet Archive
- ↑ Bordiga, Amadeo (1951). «Fundamental Theses of the Party». Cópia arquivada em 2 de dezembro de 2017 – via Marxists Internet Archive
- ↑ Mattick, Paul (1935). «The Lenin Legend». International Council Correspondence. 2 (1). Cópia arquivada em 26 de outubro de 2017 – via Marxists Internet Archive
- ↑ «The Significance of the Russian Revolution for Today». 6 de outubro de 2017. Cópia arquivada em 2 de dezembro de 2017
- ↑ «Lenin's Legacy». 21 de janeiro de 2015. Cópia arquivada em 2 de dezembro de 2017
- ↑ «Have we become 'Leninists'? – part 1». Cópia arquivada em 2 de dezembro de 2017
- ↑ Dauvé, Gilles (1977). «The Renegade Kautsky and his Disciple Lenin» (PDF). Cópia arquivada (PDF) em 13 de janeiro de 2017
- ↑ Miner, Steven Merritt (11 de maio de 2003). «The Other Killing Machine». The New York Times. Consultado em 19 de fevereiro de 2017. Cópia arquivada em 27 de novembro de 2018
- ↑ Chomsky, Noam (primavera–verão de 1986). «The Soviet Union Versus Socialism». Our Generation. Consultado em 8 de outubro de 2013. Cópia arquivada em 24 de setembro de 2015
- ↑ Chomsky on Lenin, Trotsky, Socialism & the Soviet Union no YouTube.
- ↑ Pipes, Richard. Three Whys of the Russian Revolution. [S.l.: s.n.] pp. 83–84
- ↑ «Lenin: Individual and Politics in the October Revolution». Modern History Review. 2 (1): 16–19. 1990
- ↑ Radzinsky, Edvard (1997). Stalin: The First In-depth Biography Based on Explosive New Documents from Russia's Secret Archives. [S.l.]: Anchor Books. ISBN 0-385-47954-9
- ↑ Pipes, Richard (2001). Communism: A History. [S.l.]: Random House. pp. 73–74. ISBN 978-0-8129-6864-4
- ↑ Leggett, George (1986). The Cheka: Lenin's Political Police. [S.l.]: Oxford University Press
- ↑ Rogovin, Vadim Zakharovich (2021). Was There an Alternative? Trotskyism: a Look Back Through the Years (em inglês). [S.l.]: Mehring Books. pp. 13–14. ISBN 978-1-893638-97-6
- ↑ Carr, Edward Hallett (1977). The Bolshevik revolution 1917 - 1923. Vol. 1 Reprinted ed. [S.l.]: Penguin Books. pp. 111–112. ISBN 978-0-14-020749-1
- 1 2 Liebman, Marcel (1985). Leninism Under Lenin (em inglês). [S.l.]: Merlin Press. pp. 1–348. ISBN 978-0-85036-261-9
- ↑ Adams, Katherine H.; Keene, Michael L. (10 de janeiro de 2014). After the Vote Was Won: The Later Achievements of Fifteen Suffragists (em inglês). [S.l.]: McFarland. p. 109. ISBN 978-0-7864-5647-5
- ↑ Ugri͡umov, Aleksandr Leontʹevich (1976). Lenin's Plan for Building Socialism in the USSR, 1917–1925 (em inglês). [S.l.]: Novosti Press Agency Publishing House. p. 48
- ↑ Service, Robert (24 de junho de 1985). Lenin: A Political Life (em inglês). 1: The Strengths of Contradiction. [S.l.]: Springer. p. 98. ISBN 978-1-349-05591-3
- ↑ Meade, Teresa A.; Wiesner-Hanks, Merry E. (15 de abril de 2008). A Companion to Gender History (em inglês). [S.l.]: John Wiley & Sons. p. 197. ISBN 978-0-470-69282-0
- ↑ Daniels, Robert V. (novembro de 2002). The End of the Communist Revolution (em inglês). [S.l.]: Routledge. pp. 90–94. ISBN 978-1-134-92607-7
- ↑ Daniels, Robert V. (novembro de 2002). The End of the Communist Revolution (em inglês). [S.l.]: Routledge. pp. 90–92. ISBN 978-1-134-92607-7
- ↑ Medvedev, Roy (1981). Leninism and Western Socialism. [S.l.]: Verso Books
- ↑ Lewin, Moshe (2005). Lenin's Last Testament. [S.l.]: University of Michigan Press
- ↑ Deutscher, Isaac (5 de janeiro de 2015). The Prophet: The Life of Leon Trotsky (em inglês). [S.l.]: Verso Books. 528 páginas. ISBN 978-1-78168-721-5
- ↑ Danilov, Victor; Porter, Cathy (1990). «We Are Starting to Learn about Trotsky». History Workshop (29): 136–146. ISSN 0309-2984. JSTOR 4288968
- ↑ Daniels, Robert V. (1 de outubro de 2008). The Rise and Fall of Communism in Russia (em inglês). [S.l.]: Yale University Press. p. 438. ISBN 978-0-300-13493-3
- ↑ Watson, Derek (27 de julho de 2016). Molotov and Soviet Government: Sovnarkom, 1930-41 (em inglês). [S.l.]: Springer. p. 25. ISBN 978-1-349-24848-3
- ↑ Deutscher, Isaac (1965). The prophet unarmed: Trotsky, 1921-1929. New York: Vintage Books. p. 135. ISBN 978-0-394-70747-1
- ↑ Dziewanowski, M. K. (2003). Russia in the twentieth century. [S.l.]: Upper Saddle River, N.J. : Prentice Hall. p. 162. ISBN 978-0-13-097852-3
- ↑ Deutscher, Isaac (1959). Trotsky: The Prophet Unarmed (1921–1929). [S.l.]: Oxford University Press. pp. 464–465
- ↑ Kuromiya, Hiroaki (16 de agosto de 2013). Stalin (em inglês). [S.l.]: Routledge. p. 60. ISBN 978-1-317-86780-7
- ↑ Broue, Pierre (1992). Trotsky: a biographer's problems. In The Trotsky reappraisal. Brotherstone, Terence; Dukes, Paul,(eds). [S.l.]: Edinburgh University Press. pp. 19, 20. ISBN 978-0-7486-0317-6
- ↑ Figes, Orlando (1997). A people's tragedy : a history of the Russian Revolution. New York, NY: Viking Books. pp. 796–801. ISBN 978-0-670-85916-0
- 1 2 3 Khrushchev, Nikita Sergeevich (1956). The Crimes Of The Stalin Era, Special Report To The 20th Congress Of The Communist Party Of The Soviet Union. [S.l.: s.n.] pp. 1–65
- ↑ Khrushchev, Nikita Sergeevich; Khrushchev, Serge_ (2004). Memoirs of Nikita Khrushchev (em inglês). [S.l.]: Penn State Press. p. 156. ISBN 978-0-271-02861-3
- ↑ Grant, Alex (1 de novembro de 2017). «Top 10 lies about the Bolshevik Revolution». In Defence of Marxism (em inglês)
- ↑ Novack, George (1971). Democracy and Revolution (em inglês). [S.l.]: Pathfinder. pp. 307–347. ISBN 978-0-87348-192-2
- ↑ Cliff, Tony. «Revolution Besieged. The Dissolution of the Constituent Assembly)» – via Marxists Internet Archive
- ↑ Gill, Graeme J. (1998). Stalinism. [S.l.]: Palgrave Macmillan. p. 1. ISBN 978-0-312-17764-5. Consultado em 7 de outubro de 2020. Cópia arquivada em 16 de junho de 2013
- ↑ Geyer, Michael; Fitzpatrick, Sheila (2009). Geyer, Michael; Fitzpatrick, Sheila, eds. Beyond Totalitarianism: Stalinism and Nazism Compared. [S.l.]: Cambridge University Press. ISBN 978-0-521-72397-8. doi:10.1017/CBO9780511802652. Consultado em 7 de outubro de 2020. Cópia arquivada em 6 de fevereiro de 2021
- ↑ Rogovin, Vadim Z. (2021). Was There an Alternative? 1923-1927: Trotskyism: a Look Back Through the Years (em inglês). [S.l.]: Mehring Books. pp. 494–495. ISBN 978-1-893638-96-9
- ↑ "While Trotsky was strongly biased toward industrial development, there is little basis to suppose that he would have adopted Stalin’s forcible collectivization, slapdash economic planning, anti expert campaigns, or cultural know-nothingism. Neither Trotsky nor Bukharin would have pursued anything like Stalin’s pseudo-revolutionary “third period” foreign policy and his connivance in the advent of Hitler, another product of his political manoeuvring against the Bukharinists".Daniels, Robert V. (1 de outubro de 2008). The Rise and Fall of Communism in Russia (em inglês). [S.l.]: Yale University Press. p. 396. ISBN 978-0-300-13493-3
- ↑ Day, Richard B. (1990). «The Blackmail of the Single Alternative: Bukharin, Trotsky and Perestrojka»
. Studies in Soviet Thought. 40 (1/3): 159–188. ISSN 0039-3797. JSTOR 20100543. doi:10.1007/BF00818977
Leitura adicional
[editar | editar código]Obras selecionadas de Vladimir Lenin
- The Development of Capitalism in Russia, 1899.
- Que Fazer? Problemas Candentes do Nosso Movimento, 1902.
- The Three Sources and Three Component Parts of Marxism, 1913.
- The Right of Nations to Self-Determination, 1914.
- Imperialismo: Fase Superior do Capitalismo, 1917.
- O Estado e a Revolução, 1917.
- The Tasks of the Proletariat in the Present Revolution (as "Teses de Abril"), 1917.
- "Left-Wing" Childishness and the Petty Bourgois Mentality, 1918.
- Esquerdismo, Doença Infantil do Comunismo, 1920.
- "Last Testament" Letters to the Congress, 1923–1924.
Histórias
- Isaac Deutscher. The Prophet Armed: Trotsky 1879–1921, 1954.
- Isaac Deutscher. The Prophet Unarmed: Trotsky 1921–1929, 1959.
- Moshe Lewin. Lenin's Last Struggle, 1969.
- Edward Hallett Carr. The Russian Revolution From Lenin to Stalin: 1917–1929, 1979.
Outros autores
- Blackledge, Paul (3 de julho de 2006). «What was Done an extended review of Lars Lih's Lenin Rediscovered». International Socialism (11)
- Budgen, Sebastian; Kouvelakis, Stathis; Žižek, Slavoj, eds. (2007). Lenin Reloaded: Toward a Politics of Truth. Durham: Duke University Press. ISBN 978-0822339410
- Liebman, Marcel (1980). Leninism Under Lenin. [S.l.]: The Merlin Press. ISBN 0-85036-261-X
- Medvedev, Roy (1981). Leninism and Western Socialism. [S.l.]: Verso Books. ISBN 0-86091-739-8
- Harding, Neil (1996). Leninism. [S.l.]: Duke University Press. ISBN 0-8223-1867-9
- Stalin, Joseph (2001). Foundations of Leninism. [S.l.]: University Press of the Pacific. ISBN 0-89875-212-4
- James, C.L.R. (2005). Notes on Dialectics: Hegel, Marx, Lenin. [S.l.]: Pluto Press. ISBN 0-7453-2491-6
- Wilson, Edmund (2004). To the Finland Station: A Study in the Writing and Acting of History. [S.l.]: Phoenix Press. ISBN 0-7538-1800-0
- Gorter, Herman; Pannekoek, Antonie; Pankhurst, Sylvia; Rühle, Otto (2007). Non-Leninist Marxism: Writings on the Workers Councils. St Petersburg, Florida: Red and Black Publishers. ISBN 978-0-9791813-6-8
- Le Blanc, Paul (1990). Lenin and the Revolutionary Party. [S.l.]: Humanities Press International, Inc. ISBN 0-391-03604-1
- Gregor, A. James (2000). The Faces of Janus: Marxism and Fascism in the Twentieth Century. New Haven, CT: Yale University Press. 133 páginas. ISBN 0-300-07827-7
- Lenin, V. I.; Žižek, Slavoj (2017). Lenin 2017: Remembering, Repeating, and Working Through. [S.l.]: Verso Books. ISBN 978-1786631886
- Kolakowski, Leszek (1978). Main Currents of Marxism. 2. [S.l.]: Clarendon Press
- Marcuse, Herbert (1958). Soviet Marxism: An Analysis. [S.l.]: Columbia University Press
- Lukacs, Georg (1972). History and Class Consciousness. [S.l.]: MIT Press
- Sebestyen, Victor (2017). Lenin: The Man, the Dictator, and the Master of Terror. [S.l.]: Pantheon Books. ISBN 9781101871638
- Volkogonov, Dmitri (1994). Lenin: A New Biography. Traduzido por Shukman, Harold. London: HarperCollins. ISBN 978-0-00-255123-6
Ligações externas
[editar | editar código]Obras de Vladimir Lenin
- What Is To Be Done?.
- Imperialism: The Highest Stage of Capitalism.
- The State and Revolution.
- "The Lenin Archive".
- "First Conference of the Communist International".
Outras ligações temáticas
- "Marcel Liebman on Lenin and democracy" Arquivado em 27 setembro 2011 no Wayback Machine.
- "An excerpt on Leninism and State Capitalism from the work of Noam Chomsky".
- Rosa Luxemburgo. "Organizational Questions of the Russian Social Democracy".
- Karl Korsch. "Lenin's Philosophy".
- "Cyber Leninism".
- "Leninist Ebooks"[[[|usurpado]]].
- Anton Pannekoek. "Lenin as a Philosopher".
- Paul Mattick. "The Lenin Legend".
